terça-feira, 10 de outubro de 2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Força do adeus

A minha alma conhece-me como eu a Ti, mas não sabe onde estás no momento em que te penso. A minha Alma sabe porque Te sonho. Sabe, porque sabe que fazes parte do meu maior sonho. .
A minha Alma sabe porque Te sonho, mas não me diz como sonhar mais e maior para te trazer de novo ao tempo presente.
Ela sabe de um lugar inóspito que me segura como se eu fosse um tempo de passagem a viajar somente pelo pensamento.
Adianta procurar novos caminhos quando por força do destino, nos deixamos levar pela inusitada força de adeus?
Vamos construir círculos e semicírculos à volta do pensamento, e depois naveguemos até ao ponto mais alto onde ele se defende com tudo o que tem e o que não tem.
Vamos em uníssono gritar até ao fim da nossa voz.
Vamos agora acompanhar o percurso do rio, que nos cobriu os corpos das mais ínfimas partículas luminosas.
Deslizaremos até à foz e construiremos um novo caminho nos terminais da corrente.
Calo-me de vez em quando, porque te quero ouvir a chamar por mim.
Encarcerada neste sonambulismo vicioso, vislumbro-te a caminhar sobre as águas.
A minha voz encerra-se num último grito a criar remoinhos junto aos teus pés.
Danças agora a coreografia do último adeus, até chegares ao cume de um pensamento abstracto.
Abanam-se todas as estruturas, quando esvoaçam fagulhas de um céu de fogo, em artifícios esquecidos nos nossos corpos.
E assim que chegar a última tempestade, eu serei a chuva e tu serás um vento.
E quando se agitarem os mares à mudança das marés, continuaremos a ser somente almas na mesma corrente.
E quando se aproximar a tempestade avultada, saberás descobrir-nos junto das estrelas.
Não sairás do meu pensamento e não voltarás a ser uma linha quebrada na hora do Adeus.

ÔNIX

domingo, 10 de setembro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O sonho Maior da Raça Humana


Ignora-me como eu a ti e seremos dois ignorantes a sentir um e outro a força do Adeus imaginado. 
Já nos demos conta do tamanho da ignorância, quando os nossos corpos deitados, um sobre o outro, não pensavam. 
E, copiados os gestos do adeus, íamos sendo levados pela corrente do pensamento afogado.
Ignora-me como eu a ti, e sentiremos nos olhos um furacão mendigo, a encher os becos onde dormem de pé os sem-abrigo.
Ainda que os sentidos se percam no imaginário mundo subvertido.
Ainda que tudo se revele reincidente na boca dos homens.
Ainda que seja breve a passagem da Primavera pelos nossos corpos. Ainda que breve a passagem das estações. 

Ainda que no altar da noite não se avultem novos sonhos.
Ainda assim, e apesar disso tudo, seremos todos seres de luz. A luz expulsada pelo ventre materno.
Ainda assim, e apesar do passado morto e enterrado, não deixaremos de ser partículas dessa mesma luz, ainda que um todo desintegrado.
E a viagem será do centro para o centro, num parto jamais igualado.

Divinos são todos os momentos que nos trazem o Divino. 
Sagrados são aqueles sonhos que nos levam longe na busca do sonho maior. E, maior do que o maior sonho, no sono, é quando a noite nos elege mentores da nova Era, e à imagem de Deus subimos e descemos, à terra dos justos.
Vamos então pela noite dentro à procura do mundo novo, o mundo virado ao contrário.
Sensíveis são todos aqueles momentos que nos elegem tais as formas geométricas no Templo Sagrado. 
Todas elas são um traço simbólico do caminho.
Todas elas são a claridade ainda que no mundo obscuro de incongruências, face à cegueira que anulou os sentidos de quase toda a raça humana, do passado e do presente inacabado.

O tempo do homem do passado a fechar-se no seu corpo.
O corpo da mulher, no presente a retroceder ao passado do homem trancado, vendado. É o seu guia.
Ainda que cerrados os tempos todos, a mulher tal partícula de Deus, a Deusa com o colo sempre aberto
E, ainda que não veja, o sensitivo tem a luz do Poema por dentro.
Cego nunca o será!

E a terra assemelha-se em partos, cujo colo será sempre o centro do maior centro intercalado: sem vendilhões no templo nem arcas da aliança fechadas.
Subiremos ao nível mais alto da noite, e que ela se abra como se fosse um nascimento do nosso maior evento.
Vamos então pela noite dentro em busca do maior sonho, perdido. O sonho maior da raça humana.

ÔNIX (Dolores Marques)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Resgate

Corre-se atrás de um tempo informe, que nem mesmo a dor tem lugar nesse caos.
Doravante serão destituídos os momentos, que, por incumbência do destino ardam já no lugar onde se arrumam os sentimentos vazios.
Que negras são as vistas para os lugares de ontem.
Que fome resistirá aos tempos vindouros?
Que fundas são as meninas dos olhos a coabitarem um tempo incólume.
Que nomes têm as duas porções do pensamento, quando se juntam em “orgias” intelectuais, porém pecaminosas no seu pensar ardiloso?
Que caminhos seguirão quando sucumbirem perante a arte do seu saber existir?
Quais os espaços, e que tempos sobreviverão à catástrofe do seu pensar existir?

Corre-se…corre-se e escorre-se o pensamento.
Vive-se…vive-se e permitem-se no tempo, vultos que violam a própria luz.
Sonha-se…sonha-se e voa-se sobre as águas tais vampiros agonizantes, com sedes e fomes cavernais.

E o sangue é quente.
E a morte é fria.
E os deuses são ausentes.
E os caminhos cortados
E os olhos fechados.

Mas, as bocas abertas à chegada das estrelas.
Dormem agora todos juntos, prenhes da noite.
Os andrajos desajeitados, todos de enfiada por terra afora.
E matam fomes de outrora.
Saciam sedes de um tempo escorrido nos augueiros.
Declinam o seu próprio tempo.
Afogam-se nos seus próprios pensamentos.

E alugam-se uns aos outros.
Copiam-se nos trajectos da lua.
Mastigam sóis nos lençóis.
E rezam à desdita má sorte, por mais tempo.
Choram lágrimas tecidas na pele, derramadas agora na pureza dos seus actos.

E o corpo é só um corpo.
E os olhos são só uns olhos.
E a boca sã nos suspiros e gritos, colhe adversidades, vociferando maldades.
E os cabelos são só uns galhos secos nas árvores, onde dependurados os pensamentos, se ajeitam para voos nocturnos.
A edificação de uma vida cuja validade já fora de moda, arrasta tempos atrás de tempos, na divisão dos seus mundos internos.
À despedida, saberão como sentir o que pensam….e tudo voltará a ser a essência, na decadência dos lugares ocupados por Deuses.
À despedida saberão dos Deuses que são, ou não, mediante o pensar da sua própria razão de existirem.
E as ceifas continuam no resgate dos caminhos perdidos.

ÔNIX/dm

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

quinta-feira, 13 de julho de 2017

quinta-feira, 29 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Raízes do silêncio

Onde se esconderão as raízes do silêncio?
No seu corpo fechado, ou na boca aberta aos sons massacrados pelo próprio ruído do silêncio?
Como saber escrever os silêncios, quando nem um fundo negro os engole, nem o dia os sente como um ritual a exorcizar o corpo ainda adormecido da noite.

Esqueci as mãos em algum lugar onde o silêncio é um som de cor púrpura´.
Esqueci os olhos em algum lugar onde o silêncio se esconde, para não cair nas mãos que o descrevem como se fosse um indigente.
Esqueci o corpo em algum lugar do mundo, onde o silêncio é simplesmente uma soma de ecos.
Esqueci-me até de mim por não saber ouvir os sons do silêncio que enchem todos os espaços.

Depois, deixei-me adormecer sobre uma nuvem silenciosa, que nem o silêncio habitava.
Então, comecei a escrever sobre os ruídos internos.  Comecei a entender que existem medos nos muros onde se escrevem tantas vezes os silêncios. Dei por mim a escorregar pela nuvem abaixo, e ali bem perto de um fundo silencioso, só existia o caos.
Um logro este mundo onde se ocupam espaços silenciosos.
Um tédio este mundo, com os olhos abertos nas varandas abertas para o caos, onde se ouvem gritos silenciosos.
Uma mentira este mundo, onde se descobrem à flor-da-pele, os traços avermelhados dos gritos desvairados do silêncio.
E a verdade propriamente dita, revestida ainda da cor púrpura do silêncio, silencia-se num murmúrio que nunca quis ser silêncio, antes a morte dos sons que habitam alguns silêncios.

ONIX







segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sintomático


Tenho os sintomas da morte no meu corpo
Já não tenho força nos meus braços 
Já não sinto as pernas, os pés, as mãos, os olhos 
Que vibravam por dentro 
A boca que te chamava aos sonhos
E te beijava nos sonos

Já não tenho nem a forma que suporte este meu estado inerte 
Um espaço que te sente como se fosses somente a morte

Tenho os sintomas de um desejo ardente no meu corpo
O espaço onde semeias a dor 
E fomentas a guerra dos mundos 
Interiores de um só desejo

Os terríficos dias são o teu jeito de viveres as noites todas 
Sombras e mais sombras a dançarem à volta da noite
E o teu alimento diário num caminho de quase morte

E eu sinto-os agora…
Os sintomas da morte no meu corpo

Sinto-te por dentro um corpo em chamas
No universo do meu querer ser vida 
A elevar-Te
Para nos salvar deste pesadelo de uma morte 
Que sem ser morte
Nos consome por dentro.

Sinto-os a todos...sinto-os agora
Os sintomas da morte no meu corpo
E sem receio lhes digo
Que estou pronta...sem medos

Questionei em todos os momentos sintomáticos
A minha consciência...

ÔNIX

Voos


Junto a ti não chegarei...
enquanto me sentir a definhar.

Por isso...
ainda vais a tempo de permitires que aflore 
em ti 
algum resto de consciência.

Sabes, 
o voo pleno é o da consciência 
em estado sublime de elevação.

ONIX

Dóis-me por dentro

Dói-me por dentro, o teu Ser.
Dói-me todo o mal que fazes a ti próprio.

Dói-me por dentro o teu Ser, a tua inconsciência
Dói-me a alma, pela tua consciente avidez 

Dói-me o corpo
Dói-me por dentro todo o mal que fazes a ti próprio


ÔNIX

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Porta fechada

Uma sensação de vazio. Vazio por sentir que o que segue nessa direcção, não é recebido, mas escamoteado por não fazer parte do mesmo invólucro
Não forma o Todo.
Vazio por sentir que o que segue, não entra, fica simplesmente a bater à porta...
UMA PORTA POR ORA FECHADA

Uma sensação de vazio, pela perda de um sinónimo aberto à luz.
Esse caminho teu, não é um caminho vazio, mas um caminho na direcção do caos onde está a presença, a semelhança do que somos nos caminhos das sombras.
Esse caminho teu que também é o meu, é simplesmente a ordem inversa desse mesmo caos
O caos dos enganos
O caos das imagens
O caos do abandono
O caos da metáfora da porta
O caos da metáfora da chave
O caos da penitência
O caos onde se perde o pensamento
O caos cuja semelhança ao tombar do corpo que abandonou o cais na última presença do Sol nos olhos, continua a ser o caos.

E agora que o Sol se põe, seguirá caminho, enquanto os corpos abandonados no cais, sofrem pelas mares perdidas, junto ao farol apagado.
Chegam as estrelas do mar alto
Chegam os vendavais dos céus
Chegam todos os sois acabados de nascer
Retornamos nós, até que o Amor nos leve e nos mostre tudo o que perdemos, enquanto não nos víamos.




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Um "Eu"


No verdadeiro sentido das palavras, ouvem-se os sons provocados pelos murmúrios desordenados, enquanto se ama o Todo ali inscrito.
Despem-se de preconceitos, por quanto ali coabitar esse fogo dominador.
O Amor, somente o sentido provocador do corpo agora deitado, desesperançado de seguir viagem pelo seu Eu...somente um Eu castigado pelo sentido da vertigem.

ÔNIX

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Vibrações



Há vários tipos de orgasmos. Alguns não se sentem, porque existem nos espaços fechados de um livro, que quase sempre se folheia no mesmo sentido. 
E isto dá conta dos nervos de cada Alma que sente prazer em todos os orgasmos da Vida. Porque raio tem que ser sempre da mesma maneira?

Quanta seiva derramada no tempo onde se vai beber, e a fome continua um vigor desenfreado. Quando não forem precisas palavras para expressar a alma e o corpo, o que será dos poetas/escritores....? Como enfrentarão o caos, denominado de ausência do Eu?

A abstinência chega sempre tarde, quando sem se saber direcionar os castigos, se sobem todos os degraus para se chegar mais depressa ao céu...

E, escrever o corpo? Para quê? Só se for uma das partes onde o Poema se afunda. Mas se o poema se afunda não deve querer que o escrevam. Deve desejar só que o sintam. 

Que se afoguem então as palavras onde nada se sente, e tudo se mastiga na boca de um forno vazio. 
Somos uma minoria em crescente actividade sensorial. Somos a força esmagadora que fará acontecer, nunca ceder ao tempo dos muros frementes nos olhos.
Somos aquela partícula de fogo guardada na memória.
Somos vigilantes do sono.
Somos a tradição na dança dos elementos.
Somos a equação matemática ainda a deambular por cálculos errados do corpo...mas fomos e somos!
Somos a luz, ainda que ténue a iluminar-nos por dentro.
Somos o tudo e o nada preenchidos pelos traços frescos na pele.
Somos…somos…somos nós!
Somo uma variável a comunicar com um indeterminado “Eu”

E agora como se o tempo não existisse, não sabemos para onde dirigirmos o pensamento. Se para um fundo vazio de muitos “eus”. Se para um círculo onde se fomentam várias ordens relacionadas com o nosso verdadeiro “Eu”, num universo em construção. O nosso Universo!

Vibra como só tu sabes e sente como só tu sabes sentir  todas as vibrações dentro e fora do corpo, o veículo veloz para assimilares a verdade que trazes. Esse universo dentro e fora do corpo, que te faz ser um Ser…um Ser nos caminhos da Luz.

ÔNIX

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Somos

Conscientes, mas 
verdadeiramente crentes
na dimensão, onde se apoiam 
alguns lapsos de memória

O verdadeiro emocional 
ainda por vir, é um enredo
a contracenar dentro do peito

Ainda que todos os sonhos
sejam fruto de um surto 
provocador dos sentidos

Ainda que assim o seja
sabem onde se deitarão
os corpos

A consciência…exausta
cai como os vários frutos
a nascer ainda na inocência
de uma árvore 
que não sabe se irá crescer
no pomar
ou na fertilidade do deserto

Agora que tudo é em verdade
a mentira de um esquecimento
tudo dança nos pomares vazios
do tempo dos frutos ainda verdes

Agora que nos sabemos 
a razão da única verdade
a nascer nos nossos olhos
teremos por perto a linha 
onde se escreveu em tempos 
um horizonte

Agora que não mais 
arrastaremos atrás do tempo
a iniquidade, a inverdade
e a vaidade por nos sabermos
em dimensões superiores
quando em baixo abandonamos
os jardins na claridade
das orquídeas 

O ontem foi um presságio
um adeus ao tempo que por ali passou
e porque o hoje é um novo tempo
os frutos cairão nas mãos
onde se escreveu 
no passado um tempo de Páscoa

Porque um novo evento 
sempre nasceu e nos sucedeu
no deserto infindável do tempo
conscientes e verdadeiramente 
crentes...somos!


terça-feira, 2 de maio de 2017

Poema "Encontros"

Pontos

Quando tudo começa do zero, tal uma ponte de ligação a tudo o que existe, à esquerda e à direita desse mesmo ponto (ZERO), e o nada a assumir uma presença inquieta por tudo o que é ali revelador. Uma sequência de imagens distantes, em partículas desintegradas, integram um conjunto, que mesmo sendo um espaço vazio, se nega à dissolução das várias partes que o compõem. A vida fundamenta-se sobretudo pela entrada da luz, cuja existência é a inequívoca síntese do espírito, sem espaço, sem tempo. 
Só a simples e sublime existência.

Quando se percebe a igualdade entre os pontos vazios, numa escala designada por tabela dos reinscritos, todas as funções dessa mesma tabela são ordenadas por diferentes estados de Alma. 
Divagamos nós, por não termos consciência do nosso propósito aqui na terra, e, indiferenciados, somos a múltipla dimensão desconhecida do corpo, porém  a presença inigualável da Alma faz a ponte de ligação ao Todo existencial. 

Quando se perceber a origem de um ponto, libertam-se as ideias presas por fios invisíveis a esse mesmo ponto. Definimos os trajectos assimilados ao longo do tempo, um tempo, do qual que não temos a noção exacta do seu início, mas, cuja existência conhecemos como um espaço que nos sabemos a ocupar. Então de que tempo se fala, tendo como ponto de partida um vazio inerente ao espaço sem tempo definido?

Quanto mais sensitivos, mais desprendidos do elementar sentido nos limites dos corpos, mais entendimentos surgirão da Alma, onde as palavras ganharão um novo sentido. Tudo o que vivenciamos neste nosso tempo, não mais fará sentido. Todo um passado remoto se recolherá ao seu lugar de origem. Mas, tal como o sabemos, esse espaço não mais permitirá que sejamos o ponto de partida de um ponto Zero, indefinido. Seremos na dúvida, um espaço vazio num tempo sem tempo, contudo as memórias serão enviadas através de novos espaços ordenados e  mais coerentes com o nosso novo sentido da vida. 


ONIX

quinta-feira, 27 de abril de 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Luz


Escolhe um corpo onde te escreveres. Escolhe-o como se fosse um caminho. Um dos caminhos já percorridos, mas não sentidos pela alma que busca em ti um voo assertivo em direcção à origem.

Escolhe esse caminho como sendo um trajecto já traçado mas ainda não alcançado, pela luz que tu és.
A luz que sendo a tua estrela guia te segue em silêncio.
A luz que sendo o teu sentido, te aconselha que sintas todas as coisas.
A luz, cujo amor a todas as coisas te faz resplandecer em alegria.
A luz que sendo um princípio, e que quase parece materializar-se num espaço vazio, te enche de partículas coloridas.
A luz cujo nome, deixou rastos pelos caminhos, assumindo todas as formas, como sendo a forma de Deus.
A luz que te entra pela porta enquanto dormes
A luz que te entra pela janela enquanto sonhas
A luz que semeia vontades novas no teu corpo ainda adormecido
A luz que vence adversidades de tudo o que é presença indesejada no teu corpo
A luz cujo nome escreveu no corpo e nunca deixou de ser luz
A luz que incorpora no tempo, e  que nunca se escreve em tempo algum
A luz que é sangue e água, sem nunca deixar de se revelar a tua cruz
A luz que te ilumina, enquanto és sombra pelos caminhos
A luz que se desenha no teu corpo, como se fosses a sombra de Deus
A luz que te deseja, enquanto te sentes dissolvente
 A luz sempre foi a luz, e tu sempre foste tu, tal como um reflexo dessa mesma luz

Escreve-te agora no teu próprio corpo.
Esquece o passado, onde nunca te encontraste.
Esquece o futuro, cuja visão ainda se apresenta como um livro fechado
Sê tu próprio, sentindo dentro de ti todas as mensagens que se querem escrever na tua pele.
Agora tudo é um tempo cujo princípio  é um caminho aberto
O tempo do novo
O tempo de seres tu próprio um livro escancarado
O tempo da união de todos os sentidos escritos em outros tempos

O tempo da espera terminou
Começa agora, e que não sintas sequer onde te demoras no tempo

Sê fiel a ti próprio e no que acreditas, ser um princípio, nunca um fim
Sê na dúvida, mas não sejas dúvidas nas palavras que os teus sentidos de ditam
Não esqueças de começar a partir de um zero, como se fosse um vazio, cheio de sentidos novos.

É urgente a viagem
É urgente a capacidade de te deslocares, ao fundo de ti mesmo
É urgente que saibas que cada ser é uno no seu universo por vezes fragmentado
É urgente conhecer a humildade que se lê em cada palavra não escrita, mas sentida em cada olhar que te procura
É urgente saber que o Amor nos toca como se tivéssemos acabado de nascer.

Porque é urgente a mudança quando te sentires verdadeiramente Tu.

ÔIX

Ainda que...


Ainda que não me vejas
Ainda que doridos os olhos
Ainda que a cegueira te pareça só um episódio da vida real
Ainda que sofrido o corpo
Ainda que disfuncionais os sentidos
Ainda que acorrentados os braços

Tudo retornará ao tempo do mar fundo
Tudo se moverá tal como um rio
Tudo se entregará à morada do corpo
Tudo se eternizará como brisa matutina por dentro dos olhos
Tudo se consumirá por dentro de um fogo, que não arde, antes te purifica.
Tudo se concluirá nas palmas das mãos
Tudo se parecerá com o futuro ainda escrito num vento que não é o vento, antes um espírito liberto.

Ainda que tudo pareça ilusão
Ainda que tudo seja como a lua a nascer na escuridão
Ainda que tudo seja irrequieto no teu corpo
Ainda que a fome te seja à boca
Ainda que a sede te seja ao corpo
Ainda que nostálgicos os pensamentos
Ainda que por breves momentos te sintas a cair no vazio
Ainda que por um passado te sintas traído
Ainda que te saibas a caminhar no deserto
Ainda que enterrada seja ali a tua voz
Ainda que te sintas água em vez de fogo
Ainda que te sintas terra em vez de ar
Ainda que não te saibas enchente na volta das marés
Ainda que não te reconheças um corpo presente
Ainda que o passado seja um livro esquecido e amarelecido

Ainda que o futuro seja um cálculo errado nos nossos  dedos
Tudo voltará a ser, como se nada tivesse sido
Tudo serão como águas passadas ainda a fazer furor num livro de memórias
Tudo será na revolta da terra, como no alvoroço dos mares
Tudo deixará de ser o caos
Tudo será escrito de novo nos céus
Tudo será como sempre imaginamos, tu e eu
Tudo se afirmará no corpo da Ode escrita na luz que pereceu
quando de nós se esqueceu

Onix/dm

Ser

Quando o corpo adormece, que caminho seguirão os sentidos?
Que nunca voltem ao tempo do inacessível, o lugar onde existem medos, aflorações diversas ali acomodados.
Mas, um dia, um dia, será o certo para convivermos com a realidade de um corpo adormecido. Será também um tempo de se abrirem as cortinas férreas dos olhos.
Que nunca, jamais se fechem as portas, agora abertas.
Que se abram os caminhos novos.
Que se enfrentem os destinos.
Que se sintam verdadeiramente os corpos quanto tocados.
Que se invertam os sentidos.

Bem aventurados os que sofrem.
Bem aventurados os que sabem onde chegar.
Bem aventurados os que sonham.
Bem aventurados os mestres que nos indicam o caminho da luz.
Bem aventurados os que saem das sombras de um corpo dormente.
Bem aventurados todos aqueles, cujas lágrimas lavam as feridas abertas dos seus semelhantes.
Bem aventurados os que beijam a cruz, como sendo a remissão dos seus pecados.

Quando a semente lançada à terra, brotar, seremos raiz, caule, folha e flor.
Quando a flor der à luz, seremos simplesmente o Amor
Quando o Amor nos descobrir, seremos eternamente uma flor a desabrochar.

Os sentidos serão um caminho aberto.
A luz será o nosso derradeiro caminho até ao Portal Maior.
Aí, seremos verdadeiramente um Ser. Um Ser resplandecente de Luz.

sábado, 22 de abril de 2017

A Poesia anda por aí


Não deixar nada pendente.
Permitir abertura à noite, e dormir pouco mas bem

A poesia anda por ai, a criar um Poema à sua imagem
A Poesia anda por aí !
Mas, o poema sofre com a alma presa, por conta de umas lágrimas de cristal,
derramadas no seu corpo poético.

A poesia anda por aí, em versos soltos, a verterem-se em suavidades de organza
A Poesia encontrou-se de frente com a maternidade.
A Poesia sofre as dores do parto, fora de portas...
A Poesia pariu ali mesmo...um dois, três....quatro....talvez uns dez poemas

Não deixar nada ao acaso

Ousar ser um poema às custas das dores da poesia,
é a mais pura supremacia do Verbo fecundado no seu ventre
Mas, a noite escreve-se num sonho a nascer às portas da morte
E, a morte, nunca deixa de ser a sua melhor fantasia
Sofre com medo de a enfrentar
Essa guerreira dos mares
Essa anfitriã dos céus
Essa Deusa que sempre foi o ventre onde nasce o Poema

E eu
sem saber onde procurar-me:
A noite arrumou-me no seu útero de fêmea parideira
e o sonho a ramificar-se no dia,
ejacula sobre mim como se eu fosse a sua Estrela Guia.

E eu,
procuro um verso… um Poema
que me leve ao fundo
do seu melhor fundo

ÔNX/DM

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Fragmentos

Ser irascível, diante do horizonte sem linha que defina a geometria do espaço aberto.
Ser continuamente fora do limite imposto por uma linha sem pontas, a marcar os espaços em branco do horizonte. O branco das nuvens sustentado por um olhar assimétrico, onde se guardam alguns raios de sol, cujos tons se vinculam ao passado de um corpo adormecido.

Um céu que cai sobre as águas irrequietas de um rio que se entrega à fina corrente.
Só um simples trajecto nos passos curtos de um arrepio.
A visão de um dia que grita pela divisão das águas no deserto infindável dos caminhos.

Sofre ante a visão da disfunção do corpo a cair num vazio.
Chora pela criação de um novo tempo nesse meio tempo, onde sempre faz frio.
Desespera-se por não poder amar como se fosse um céu a entrar-lhe pela boca.
Arruma o corpo tal  como outrora, quando não se sabia, dentro de um, ou de dois.
A antiga profecia ainda não se cumpriu.
É dona de um Amor incompleto.
Completa-se em vigorosos traços dentro e fora do céu.
Dissipa-se…no espaço aberto do breu.
Materializa-se quando não se sente.
Procura-se eternamente em suaves toques na pele.

E como se fosse nada mais que um caminho ainda por palmilhar, corre em debandada por um sonho fechado.
Distribui sorrisos.
Acentua-se na volumetria do espaço vazio do corpo.
Vinga-se de todos os castigos das sombras, no corpo da lua.
Activa a fluidez dos sentidos através de um choro quente.
Enamora-se de um fogo cruzado, que se parece com tinta a escorrer-se da cor do sangue vivo nas mãos.
Filtra as palavras revoltadas no folhear violento de um livro.
Tem sangue quente num dos olhos, no outro, o degelo dos glaciares.
Assume-se indefinidamente um rio sem correntes paradas.
Determina o local exacto do culminar do fogo posto ao centro do seu verdadeiro "ser Eu".

Deixa de se saber um “Eu”.
Define-se em fragmentos dispersos, um “não Eu”.
Abandona-se…ausente da forma
Divide-se em preces antagónicas a uma paixão.

Ouve agora a Alma a gritar-lhe por dentro.
Tudo deixou em si um misto de loucura, pronta para uma viagem interminável.

ÔNIX

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Caminhos da luz

Não me incomodam as normas escondias pela fome dos corpos. Desassossegam-me os sentidos desorientados, por debaixo de um vestido de lentejoulas, ou quiçá por um nó de gravada mal dado, sujeito às mãos que o oprimem.
 Incomodam-me de certa maneira, os que se alimentam de uma paleta de cores fora de tom, nos painéis destruídos dos azulejos, onde se inscreveram um dia, todos os gestos. Ali, com as palavras de ordem de um certo constrangimento, articulado pelo rebentamento de um fogo posto, às mãos de Deus.
Sim, porque parece que tudo é um ajuntamento de grandiosos actos benevolentes que nos arrebatam com um céu pintado de uma cor esbatida, na proporção onde nunca se observa a tal equidade. Sequer existe entre as rimas cruzadas de um poema, cuja regra simples, nunca é um método consistente entre as duas razões, a existirem nesse universo de versos contrariados.

Sim, porque existe um conceito formulado entre as várias razões existentes, cujos símbolos matemáticos, se encontram muitas vezes encarcerados em movimentos fechados nos nós dos dedos.
Não me convencem os arremessos contra a parede, onde pintaram em tempos a cruz de Cristo.
Não me satisfazem os benzimentos pelos pecados, cujas memórias ainda se vestem de negro nos caminhos cruzados.

Não me sujeitam a ser menos, e, nem mais do que sou, porque sem sombras de dúvidas, eu Sou, e quanto a isso nada a fazer, porque não sou mais do que isto. Sou!
Sou por mim e não por quem me julga capaz de me curvar perante os mantos que carregam, como se fossem restos do manto que cobriu o corpo sem vida do Cristo, a ocupar já outro lugar, cuja dimensão é indubitavelmente, um caminho a percorrer pelos pecadores, nus, e em prantos. 
Não me seduzem as alianças nos dedos, quando por força de um erro de casting, se esqueceram delas na pia de água benta.
Não me incomodam as normas dos homens, mas as performances normativas dos poemas cruzados, sem a proporção certa nos caminhos de Deus, que se percorrem agora.
Um dia a menos na viagem do tempo das lágrimas. E à noite, o sino tocará a reboque, para todos os que ouvirem os sons que soam de dentro da tumba ainda aberta
O sino não cessará de badalar pelos que mastigam os dividendos de um cenário contraditório à luz, num caminho farsante de trocas à porta da Igreja, como se todo o Pão lhes enchesse a boca. Como se todo o corpo de Cristo fosse a única entrada para uma aberta no tempo que lhes resta. 
O sino cessará, quando se afirmar com o derradeiro sinal, capaz de orientar os passos de quem chega para o banquete. Este, será  o momento, que os fará saber a cor da fome e da sede de quem sempre comeu do mesmo prato, assim como bebeu da mesma taça de vinho.
 O sino continuará a sua saga, junto de todos os que sabem da força da terra, e do fogo que carregam nos braços para mais uma fornada de pão.
O sino será somente um aviso dos tempos, para quem, com passos largos se adianta ao banquete.
Porque todos os sons que batem no peito, nem sempre trazem a boa vontade de um pulsar sereno.
Porque nem todas as cruzes aceitam, o metal luminoso dos olhos.
Porque nem todas as cruzes aceitam as mãos abertas com sinais da cruz fora do lugar certo.
Porque nem todos os olhos se entregam à luz, cuja incandescência é um puro engano dos tempos que carregam.
Porque já nem o Poema se vislumbra com um Verbo cheio de nada.
Porque até o verso se encolhe com medo de um fogo posto na terra, onde ainda vislumbram sementes de outrora, para a última colheita.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Onde se escreve o Sol

Que me sejas sempre um princípio, sem haver lugar a palavras inscritas num círculo fechado do tempo. 
Que sempre me esperes no espaço, onde ainda se lêem as inscrições no templo onde sempre se escreve o sol.
Que todos os astros sugiram à esfera armilar, a continuidade de um olhar nosso no espaço infinito do nosso tempo. 
Que se propaguem os fogos estrelares, como desejos num espaço similar, ao tempo de um amor espiritual, sem as sombras do amanhã.
Que não se demorem as águas, sequer os ventos, nas pegadas dos nossos passos.
Que se acomodem todos os corpos, no absinto que enche a taça dos primórdios do tempo
Que se unam todas as vozes à perpétua invocação, num poema considerado o corpo, onde se semeiam todos os ventos que trazem a última sagração, a derradeira história que ficará para sempre, sendo como o ventre onde nascem os sentimentos.
Que se desfaçam todas as encruzilhadas, onde ninguém se toca, onde ninguém se conhece, onde ninguém é alguém a cruzar caminhos.

E a maior varanda já vista, irada, desagregada e sem volta, do mundo fictício, onde os olhos assumem um longo alcance sem fronteiras, dotados de um poder descomunal.
E, os enganos, tais encruzilhadas onde se materializam os sonhos, num cenário de terra batida, num epistolado fora de tempo, que nem o vento os arrasta para lugar seguro.

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ONIX

Liberdade

Como se os seus olhos me trouxessem uma nova morada, sendo o sonho ali residente, somente o desabrochar do tempo que nunca me recebe, antes me persegue.

Jamais me julgue esse tempo fora do círculo. Que nunca se rompam os pontos que unem a poesia a um bom Poema. Como sempre, a união perfeita para orgasmos poéticos diferenciados, tendo como ponto de referência, um corpo poético em perfeita combustão, assimilando a originalidade num dialeto de ambos os lados, cuja distância não é permitida, tão pouco, consentido nesse agrupamento, as normas, onde terá sido escrito o seu ponto final.

Jamais me sinta esse tempo no interior de uma cúpula, como se eu fosse um ponto de ligação intransitável, de dentro para fora, ou de fora para dentro. Que me reconheça um desejo assimilado pela virgindade ao centro de um corpo poético, onde o Poema não se oprime e se propaga com todo o fogo por mim abaixo…porque,

descreve-me num só verso, um vento solto no meu cabelo;
sonha-me, sem me saber em qualquer lugar do círculo. Fá-lo como se fosse a loucura desenfreada de um fio desse tempo, debruçado na minha janela;
derrama-se em poesia nos meus olhos, tais labaredas a bailar, ante o alvoroço das sombras mirradas nas paredes;
enfrenta os medos num esvair másculo e inacabado, como se fosse a lua a desflorar um espelho d’água no espaço etéreo. 
arrebata-se em puro lirismo, quando assumido, nascente afrodisíaca no meu rio;
vem como um sol aromatizado das pétalas brancas de um jasmim;
incendeia-se nos poros todos do meu corpo, ainda em espera do adocicado mel dos seus olhos;
permite-se sémen colhido no tempo dos dourados versos, a percorrerem-lhe as veias, cujas sementes promovem sempre um novo espaço no tempo da Primavera, porque,

a  liberdade somos nós, sob a forma de desejos ainda pendentes, irrigando a terra seca. 

ÔNIX


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Amanhecemos



Perto do ponto mais alto
onde só o vento conhece 
a solidez do tempo….
que enche os espaços fechados

Ali no centro do poema
que se agita acima das águas
quando por força de um elemento
a terra lhe treme debaixo dos pés

Não sei até que ponto 
as asas batem livremente
pois se todo o arvoredo 
se despiu do verde da folhagem 

Não sei das rimas cruzadas
nos muros xistosos
não vejo os musgos nas eras 
do tempo verde-água 

As mãos oprimidas  
por cima dos olhos
buscam novos versos
nas sombras

Porque a noite quase sempre
nos devolve 
os sons das vozes caladas 
dentro de nós...

Amanhecemos ! 


ONIX

domingo, 2 de abril de 2017

sábado, 1 de abril de 2017

Subjectividade

Estes dias de chuva e de bruma matinal
Estes dias incertos de maresia, que me lembram um certo espelho de água nos teus olhos.

Este discorrer sobre um livro fechado, abrindo-se pelas margens do meu corpo.
Este sossego da noite, que quase sempre me toca as partes mais íntimas,
como se fossem a tuas mãos abertas ao tudo que existe,
unicamente sensitivo
no afoguear de um leito vazio por fora e cheio de odores por dentro,
num momento ainda virgem de aromas só teu

ainda que efémero seja este prazer,
ainda que os sentidos sejam só um caminho deserto
ainda que os caminhos sejam percorridos por um sonho
ainda que não me toques com as pontas dos teus dedos, sinto-te  alma, porque assim a minha mo silencia

ainda que assim sejas um misto de subjectividade
ainda que este agora te seja ausente
eu estou presente, em todos os caminhos
e os sentidos são um único sentido, gozando da plenitude de um prazer orgástico num sonho.

E os sonhos são no espaço etéreo um sentido continuado.
Ainda que interrompido à chegada da aurora, ele continua na sua demanda dos sentidos num orgasmo perpétuo de movimentos num espaço.
Ainda que esse espaço seja ilusório, ainda que o seja, na nossa visão, é-o num plano invisível, mas é:

Uma noite ainda em verdes prados, nos jardins onde o céu é mais céu, enquanto não chegam as tulipas brancas.
Um dia desigual, na singularidade de um dia ímpar, quando se demora num fio de água cristalina, e se permite ser como um rio, quando o vejo a correr mar adentro.
do meu corpo
Em ânsias me recolho nesse rio que me toma de um jeito só seu
corrente contra a corrente
amante de um todo existente nos nossos corpos

Amor meu


quarta-feira, 29 de março de 2017

Um dia solto

Esta noite foi uma aventura a calcorrear um dia solto da semana.
Uma daquelas cenas, com uns míseros trocos nos bolsos, para a maior aventura de uma noite de insónias.
Uma noite na companhia desse pesado fardo, a cuidar de mim, mas ao mesmo tempo a sacudir-se todo por dentro da noite.

E este é só um dia solto da semana, livre de algum contratempo que possa chegar com o nevoeiro a sumir-se por mim adentro.
No final, se houver um final, serei de novo o seu fim, para a certeza de um dia a menos, e uma noite para começar.
Noite cerrada nos meus olhos.
Noite aberta no meu corpo.
Noite sentida nos aromas que chegam com um certo perfume.

E esta noite serei a loucura…
Não sei se a serei em tudo a deambular pela cozinha.
Não sei se a loucura se irá estender só pela sala.

Abrirei a janela. É isso!
A janela que fica engasgada entre os vidros foscos, deixará de ser janela.

Trancarei a porta no devido tempo da tua chegada. Fecho-a, mas contigo dentro.
A porta trancada e nós abertos à madrugada
Do lado de dentro soará a noite, porque deverá ser só mais um dia.
Um dia solto da semana....

ONIX

Cortinas

Abre-se um pouco a cortina, e, ínfimos sóis e luas a deitarem-se no meu colo, como se eu fosse um pouco da metáfora, esquecida, lá nos olhos da madrugada.

Deixa-me pensar….não…não…chego lá.
Hoje nem um sonho veste as palavras cujos códigos de barras estão encriptados, sob as cortinas de ferro.

É o momento de proceder à abertura completa. Decifrar a silhueta colada nas vidraças.
Um momento só, e sou como um vento que se esquece de soprar à tua janela.

Parece-me seres tu, manso nas horas impróprias da manhã.
Um sonho, ainda em estado de vigília.
Levas-me metade.
Sou-te à noite, um fruto nascido agora no meu corpo.
Sou-te como se toda eu fosse a loucura nos teus olhos fechados.

És ainda um sonho idílico da minha infância.
És aquela partícula de luz, que emana…simples e singela luz que Tu és.
Ainda que me não existas, sinto-te na intimidade da linguagem do tempo

Hoje não penso, sofro. Choro por detrás da cortina fechada.
Sinto-me no vazio das horas, um ponteiro quebrado.
Quase um reflexo do tempo por ali ainda parado..
Quero pensar e contar os minutos, e as horas.
Que eu saiba quanto de tempo existe ainda em mim.
Quanto de Amor resiste ainda neste pequeno instante em que te penso.

Deixem florir os lírios roxos.
No vosso banquete, a festa da vossa boca não é festa sem os lírios roxos.
Não façam chorar os lírios roxos.

Ficar a olhar para uma porta fechada é não ver e nem ouvir o canto dos pássaros na janela.
Ainda que tudo pareça às escuras, a intensidade da luz rompe os espaços....
Depois de pisares o círculo de luz, nenhum caminho ficará para trás.
Tudo será uma diversidade de pontos luminosos, a saber-te presente, sem passado nem futuro.

Agora, sou-te Alma, essa amante de todos os corpos na floresta ainda virgem.
Ainda que me não avistes do céu, sou-te Una em todos os pontos que unem as distâncias.
Tudo será... ainda que nos pareça que é findo o tempo.

(...)

ONIX

segunda-feira, 27 de março de 2017

Há sonhos

Há sonhos, cujo olhar impresso na noite, é um plágio dos sentimentos alheios. 
São passagens para a derradeira viagem que nunca termina. 
Antes, se consentem na própria linguagem arcaica, descoberta nos caminhos percorridos pelas páginas fechadas de outrem.
Há sonhos que são um atentado à forma, à subtileza, à ordem com que se desenham os vários segmentos, por eles inscritos num tempo, que nunca foi suposto ser o de alguém.
Nas passagens de nível, o comboio apita, porém, rouco, vai rasgando o tempo, em que soava e ninguém ousava copiar-lhe a loucura sobre os carris, onde ferro com ferro, tudo era fogo nas distâncias a carregar sonhos, só sonhos, de alguém.
O ar derrama sobre a terra os conselheiros do templo. E este é nosso templo. O lugar onde tudo é tudo, mas também, tudo, é num instante…nada.
A água escorre pelos dedos, em gotas lentas, porque em cada palavra, surge uma lágrima de todos os tempos.
A terra cospe todos os ventos, quando não sentidos no seu verdadeiro trajecto.
O fogo arde, sem consumir tudo, porque nem tudo arde com o fogo, e o comboio cala-se de quando em vez.
Há sonhos, cujos elementos já os sonharam, e depois os abandonaram, por não irem ao fundo de cada um, arrancar um novo e genuíno sonho. 
Há sonhos cujos passos impressos nos olhos ainda aguardam que se cumpra a profecia. 
Mas, os olhos,…os olhos fecham-se na noite, como se o dia fosse a única aberta para voarem por eles afora. 
E voam tão alto quanto a torre do maior sino onde se ajoelham para rezarem pelos voos incertos dos outros, nunca dos deles. E o sino bate, bate a reboque o ferro fundido, como se todos os corpos se tivessem afundado, para a maior libertação nos céus para as suas mágoas. 
Depois tudo conspira contra o próprio peito, por não saberem ouvir as batidas certas, para uma sinfonia em "dó" menor. E o maior dom dos sonhos ainda virgens, eleva-se digitalizando  os nomes duma certa ordem estabelecida na terra dos sonhos….dos sonhos de alguém.

ONIX





sexta-feira, 24 de março de 2017

Histórias

Fala-me do sentir, ser só um ponto onde se aloja um outro ponto, além do pensar existir.
Fala-me coisas, coisas do verdadeiro sentir nos olhos, a força do corpo, cuja energia é a dimensão do Universo.
Conta-me uma história de Amor.
Conta-me uma que me diga dos elos que unem os laços ainda a voar em céu aberto.
Conta-me uma história do tempo do nosso primeiro evento. Aquele cujo olhar se focava ao centro - ao nosso único centro.
Conta-me coisas. Rasga os verbos todos, como se a tua voz fosse um cometa na minha boca.
Fala-me da razão que existe, num sentir nada, além deste ajuizar as coisas num mimetismo ainda presente.
Falo-te do tempo, em que a simples razão sofria por se saber a pensar existir sem o propósito de amar, somente amar tudo nas dimensões todas da alma....
Conta-me de um ponto, não ser o final de um ponto existencial num livro ainda por escrever.
Conto-te da visão clara de um olhar xistoso, ainda ser um simples firmamento nas cores matizadas do deserto.
Digo-te de outras razões, onde o pensamento se agita, tal um vulcão a soprar lufadas de ar frio pelo nosso céu adentro.
Uma história simples, num só genérico, onde possa esculpir o pensamento. Este altar, onde suspenso o tempo das rezas, se deixa conduzir pelos corpos dos Santos, que nos elegeram já herdeiros dos seus mantos, bordados a ouro fino, sobre um cetim rosa e branco, das pétalas perdidas no jardim.

Caminha, lento, na suavidade de um tempo parado
Ouve os sons dispersos desse éden a florir-te por dentro
Senta-te no colo dos girassóis
Viaja nas asas das orquídeas
Imagina-me um pólen incolor numa tela ainda nua de sentimentos
Voa nas asas da libelinha, o maior voo sobre o rio

Não me esperes no teu corpo
Não me desejes na alquimia dos corpos
Não  me sintas, pele na tua pele
Não me ames como se eu fosse uma das faces da lua
Sente-te alma, como se a eternidade fosse um lugar nosso. O único onde sabemos de todas as razões que nos unem num universo ainda em construção

ONIX

https://www.youtube.com/watch?v=3f3KhR5oDC4

quinta-feira, 23 de março de 2017

À volta da Luz

Quando a porta range eu sinto frio
Frio...e medo
Medo de quem nela bate
Medo de quem ali sofre
Medo de quem dela se apega, por não saber quem mora cá dentro

Medo do próprio medo, de não saber quem bate à porta
Medo dos meus ais, estes inseguros batimentos cardíacos
Medo do sonho se perder por entre as suas frestas

Medo de me surpreender no sono, ao acordar, e ver que não havia porta alguma no meu sonho

O medo é um relâmpago nos meus olhos, agora abertos
E sinto um sol furibundo por dentro do meu medo

O sonho no meu caminho
A porta que não é porta
A loucura do sono, somente um silêncio a escrever-se no fundo dos meus olhos

Esconjuro este espaço
Renego este tempo
Grito por fim, por mim adentro, e nem um sufoco me salta fora do peito.

É o medo…
Este sentido invertido, simplesmente um caminho:
fora às portas
fora às janelas

Fora…fora tudo dos olhos

São as orações, os credos desenhados no crucifixo
o corpo de Cristo, o sangue de Cristo,
o Cálice por ora vazio.

É a sede
É a fome
É a miséria à volta da Luz

É o rio
É o mar
É o horizonte
É a cidade toda fechada no meu corpo

E a porta, que não era porta
Range de novo agora o sobrado
São uns passos
São uns prenúncios de alguma coisa suspensa no tecto
São suspiros e gritos do lado de fora
São melodias, todos os sons do lado de dentro da porta que não é porta


ÔNIX

" Amor Primeiro" - ONIX

terça-feira, 21 de março de 2017

Que tudo retorne

Que tudo retorne como se fosse um vento
na sua trajetória
sem um princípio 
sem um fim

Que nunca sejamos vencidos pelo nosso próprio tempo
que nos caminhos traçados
não há pegadas
não há destinos fechados
não há marcos a separar-nos
não há divisões


Nos confessionários
em nós e por nós todos
nos cimos e nos baixos 
 onde somos nada mais
que um sonho ainda perdido no espaço
sombrio da memória
não há confissões

Que nem na divisão dos mundos
os nossos olhos deixem de ser visionários
que nossos corpos não se submetam à humilhação
de um mundo que circunda os caminhos da ilusão

Que nossas vozes nunca se calem
face à degradação
à escoriação,
à desumanização
à desconstrução

Que tudo seja um recomeço, nunca um retrocesso
nunca uma multidão sem voz, numa gruta fechada
que nunca se nos derretam os gelos por dentro
que nunca o fogo se permita arder nos fundos 
onde se erguem as sombras

Que tudo retorne no nosso ainda tempo
nas noites, nos dias
no único grito de revolta
cá dentro 

Pode ser num tempo vazio
num espaço fechado
num lamento escondido
na força de um vento que arraste tudo
até ao ponto
de nos esquecermos 
por morte 
ou má sorte, nos caminhos

Mas que tudo retorne ainda num tempo nosso!

ÔNIX /Dolores Marques

quarta-feira, 15 de março de 2017

Apeteces-me

Apeteces-me na loucura de um abraço. 
O lugar onde as almas se fundem, ainda que manipulado o sentido, quando se lhes altera a rota dos ventos. O lugar onde se é povo porque se nasceu povo, num pedaço de chão virgem, pisado e recalcado, mas ainda assim, um lugar fértil onde criámos raízes fundas.


Apeteces-me na divindade que chega com a neblina.
O tempo dos orvalhos que descem como se fossem as lágrimas de Deus, a escorrer-nos pelos cabelos. Nem sempre as névoas trazem as dores do parto dos céus. A alma cheia, dispensa a veleidade dos déspotas, que dela se apossam como abutres a furar o nevoeiro. 
Sempre te vislumbrei nas sombras, e porque não no corpo húmido do nevoeiro? Ali somos etéreos até às pontas dos dedos. Esse manto que nos afaga a alma, quando pensamos em desistir da vida. Esse quase lamento que se afunda no rio, quase sem se dar por isso. 

Apeteces-me na dança das rajadas do vento que vêm de cima.
Há dias que são ventanias a varrerem os sonhos. Que se juntem os meus e os teus, para que possamos ser um único tema na noite: - A noite é o ventre onde nasce o Poema. 
Espero esse manto negro que chega das entranhas do corpo da noite, com a ansiedade habitual, como te anseio no meu corpo. Quando não sei como chamar pelo Amor, escrevo: - Amo-te.


Apeteces-me no meu corpo, quando me deito.
Às vezes o Amor dissipa-se por entre os espaços da palavra, e, então, soletro-te:
- A M O R ? 
Quase sempre este modo de amar, sendo um Verso que nasce do Verbo, provoca o parto de um sentimento ainda em embrião. Depois nasce um novo Amor.
Talvez me seja indiferente, por não saber onde acomodar-te no meu peito. Às vezes insisto para que me sejas, simplesmente um olhar. Um olhar demorado nos meus olhos.


Apeteces-me como se fosses sempre um aroma primaveril
Um gosto à minha medida. Visto-o como se fosse sempre Primavera, com leves e suaves texturas pelo corpo acima, até ao seu mais inquietante segredo, nos cómodos dos olhos. Vesti-o como um vestido comprido, e no seu todo, vaporoso. Porque não quero pensar nem exasperar pelos lugares ao sol, porque lá não há disso. Por lá espelha-se a vida...acho. Voltei a almoçar no jardim, uma salada de grão, com atum e tomate, azeitonas e ervas aromáticas. Havia por lá os pássaros que me pareciam ter fome. Mas não lhe dei da minha comida, para não ficar eu com a minha, e a fome deles.


 Apeteces-me no burburinho das águas
Por ali havia as sombras das palmeiras espelhadas no chão. Havia riachos que espelhavam nas suas águas um céu desconhecido na cidade. Havias Tu, desenhado pelos meus olhos num desses momentos das sombras. Caminhei ao teu lado. Tirei-te uma fotografia. Deixaste, porque enquanto sombras, eu tu, fomos tudo num jardim onde o céu nos afiançou sermos unos, perante a aliança ali desenhada, pelo suave deslizar da pequena corrente de água.
Corria agora pelo jardim afora.

ÔNIX/DM

segunda-feira, 13 de março de 2017

quinta-feira, 9 de março de 2017

Limites


Como descobrir no Portal do Tempo uma porta ainda aberta?
Como saber se o tempo ainda é um remanescente do espaço aberto, que nos une nos outros ainda fechados?
Como sentir a inconstante peregrinação do corpo, quando ele for somente alma, nesse espaço vazio do tempo?
Como não percorrer um caminho na dualidade, se te encontro até nos espaços em branco de uma vida. Aquela que só nós escrevemos nos limites dos corpos?

Só nós, conhecemos os voos livres do vento.
Só nós sabemos como ser unos, nos sons que se libertam do silêncio. 
Só nós, sabemos quanto tempo é o tempo que nos faz ainda existir um no outro, ainda que num espaço vazio desse mesmo tempo. 

Reinvento-te. 
Mato esta sede de um tempo agreste. 
Sacio esta fome de um caminho sempre em aberto. 
Não tenho limites. 
Não vislumbro um céu de cor mate. Nem ele é o meu limite.
Não me limito no espaço vazio de um só momento.



Pertenço à classe dos marginais do espaço. 
Esse longínquo círculo geométrico, onde os caminhos se abrem à aventura da nossa maior viagem.
A epígrafe do movimento circunstancial das horas, quais lamentos na noite, é nossa.
Alegoricamente, conheço-te nas metáforas ainda em construção. 
Sei-te na dualidade do corpo da lua. 
Encontro-te nos círculos de fogo que são talvez a Alma do sol. 
Conheço todos os teus segredos inscritos nas cores, que são a base de uma tela, onde o branco dos meus olhos criou raízes fundas.
Escrevo as metáforas numa só palavra, que te envio numa carta lacrada com a cor das lágrimas de cristal.
Não podes ser um perpétuo adeus.Sim, a presença. 
Pertenço-te como se fosses um caminho cruzado nas palmas das nossas mãos, por ora fechadas. Sinto-te como se não houvesse mais reincidências nos nossos corpos, na demanda última dos céus. 

Como descobrir na porta ainda fechada, a inscrição do Verbo: AMOR?

ÔNIX(Dolores Marques)