quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Subtileza no Amor (P/Sophie G.)

tens uma forma leve apesar da densidade com que a descreves em:
momentos
sensações
alegrias
paixões
e
“num paralelo mundo”
O Amor - subtileza em acção

(Formato-me em desvios desses momentos, e vejo-te aproximação vs concentração?)

sim, aquele Amor que te apetece
sendo só um fio condutor
passeando-se nos fios do teu longo cabelo
olhos longos
calados
absorventes
emergindo do nada
sôfregos de um saber
inquietante
desmedido
abrasador
e a quietude do teu corpo esbelto
queda-se na sombra que se esvai

gosto de sentir-te em todos os momentos
e mesmo que não consiga atingir a dimensão onde te encontras
serei um versinho solto na medida dos teus versos longos
e
paralelamente
escrevo-te em poemas inteiramente teus
e aí eu também sou
multi-dimensão
num mundo em constante
mutação

Agradeço a inspiração à Sophie G. aqui:
http://www.worldartfriends.com/modules/publisher/article.php?storyid=17301

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Eterno Mundo do Imaginário e os Corpos Subtis

(Flor de Lotus - Acrílico em tela)
*

Afeiçoo-me a ti...inacessível mundo do encanto
Transcende-se na linha do horizonte um estado leve de ser
Esta subtil afinidade por tudo o que existe
E eu enlouqueci!
*
Os mares engolem os céus
E a terra, doce embalo, adormece num sorriso
Dá um salto no vazio...
E no nada encontra-se sempre por aí...
Cria-se no real mundo...imaginário
*
Circunda os elos edificados à luz da solidão
Pétalas brancas acordam-me num chamado
Dum encontro que se perdeu faz tempo
Imploro no silêncio deste mar sem fim
Onde em tempos pereci...
*
Novos traços desenham os confins do conhecimento do mundo
E o mistério perde-se num arrasto de indiferença
Calam-se as memórias dos tempos áureos
Que se encontram no infinito mundo que esqueci

…inacessível mundo do encanto

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Círculos de Fogo

( Acrílico em tela)
*
Encontro-me sempre na ponta da linha
Complemento-me em elos fechados
Medindo os momentos
Que acertadamente marcam passo
*
Olhares que se cruzam
E se desprendem nas horas incertas
Sempre que uma miragem
Transcende a linha do horizonte
*
Há um mito que me abraça
E uma flor que morre nos meus olhos
Há uma mistura de nada nos meus braços
E um vento ameno que se descobre na minha voz
*
Há um novo olhar aceso
E o tudo jaz em pedaços
Consumido nos círculos de fogo
Mas nas mãos fechadas, há um frio gelado
*
Vem glorificar as noites que me enlaçam
Agora que morri aos olhos do mundo
Somos só eu e tu
Afogados num destino nosso
A quebrar as regras de qualquer cansaço

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Marcas

(Foto de Dolores Marques)
*
Sabes quando foi que me conformei
Com a tua presença?

Foi quando percorreste
Muitas léguas
Trespassaste os ventos
Te cruzaste com os quartos
Crescente
E minguante
E ficaste gravado em mim

Ainda tenho a tua marca

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Saudade de Ti (Dolores)


Pintas a vida com as cores do amor,
colorindo com paixão os traços de uma tela em nascimento.
Palete diversificada de sentidos,
onde te perdes e te encontras nos caminhos
que te levam ao coração.

Segues teimosamente os mesmos rituais de entrega a palavra escrita.
Desnudas tua alma, em sons silenciosos, na entrega casual de um encontro, marcado nas encruzilhadas da vida.
-Ouves-me ,perguntas-me tu dai, desse teu mundo de onde partiste à procura de ti e de mim.

Danças a a dança da vida, nesse bailado de doces melodias.
Entregas-te assim, no silencio que a "leveza da alma "induz.
É na troca das palavras de amizade e entrega que te descobres nas confidencias
e partilhas, de duas almas que se fizeram ao oceano das palavras.
Viagem alucinante de tempestades e calmarias na procura de novos sonhos.

Traças um desejo na ansia de descrever um mundo o sonho de viver nele, na partilha de um amigo revelado.
Terminas a tela onde pintas as palavras que me trazes a mim e onde descubro um cantinho do teu mundo.
Olho-o,comtemplo-o e fico com saudades de ti

***************
Homenagem de uma amiga que vive fora de Portugal - São Gonçalves

domingo, 15 de novembro de 2009

Eu e Tu

(Foto Dolores Marques)

Sonhos doces,
(luas extasiadas)
céu azul,
noites longas...
e Eu...

Num tempo
que guardo todas
as lembranças
de nós...
por aqui

E por aí
nos momentos
(vibrantes)
em que ficas
em mim

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Marés da História (Jude Currivan)


Ao longo da eternidade decorrida desde o principio do universo, a evolução da complexidade foi permitindo que fossem experienciados níveis de percepção cada vez maiores, individual e colectivamente, no plano físico. E durante o clarão cósmico de tempo que representa a história humana colectiva, temos procurado continuamente aprofundar a compreensao do nosso lugar no Cosmos e a comunhão com as suas realidades supremas.

Como as grandes marés do oceano, empurradas de um lado para o outro na servisão da Lua, as marés da história humana vazaram e encheram. E todos nós somos surfistas sobre as ondas que são as circunstancias das nossas vidas individuais e colectivas à medida que nascem, crescem e se extinguem. Cada um de nós tem um papel destinado na sua interacção de luz e sombra e estamos todos aqui neste momento decisivo para desempenhar o nosso papel naquilo que tem sido designado por muitos místicos como uma Mudança dos Tempos.

Jude Currivan

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Apresentação de Antologia "Tu Cá, TU Lá"


Uma edição da Temas orignais

Apresentação Drª Carmo Miranda Machado

Autores:Ana Coelho, AnaMar, António MR Martins, Carlos FilipeConchinha, Conceição Bernardino, Dolores Marques, Gonçalo LoboPinheiro, J. C. Patrão, José António Antunes, José Luís Lopes, LilianaMaciel, Luís Ferreira, Lurdes Dias (Cleo), Miriam Costa e São Gonçalves.

José Luís Lopes escreveu:
Esta antologia não tem fins didácticos, não tem um trilho especial de pensar, não tem por base nenhum tema pré-concebido: é um convite à navegação sem rumo. O leitor poderá sempre aportar no abrigo que mais o colhe e partir de novo em busca de um mundo novo, sabendo que o que fica para trás estará sempre no mesmo lugar, e o seu lugar sempre será seu. Neste livronão encontrará Adamastores, encontrará letras jovens, sedentas de carinho, e incentivos para continuar sempre a escrever mais para si.

Francisco Coimbra escreveu:
É um livro com tantos capítulos quantos os seus autores, todos partilhando do mesmo modo dum espaço onde cada um se faz representar pelos seus poemas. Esta variedade garante riqueza na multiplicidade da Poesia reunida, aí temos o cenário certo para um tu cá, tu lá com a língua onde todos agem dando vida e expressão à linguagem plástica da palavra que procura nos versos construir poemas.

O evento decorrerá nas instalações da Manutenção Militar Rua do Grilo, nº 111 – 1900 Lisboa (Entre a Xabregas e Convento do Beato, pela rua interior onde circulavam os eléctricos), tendo início pelas 16h00, do qual irá constar:- Visita guiada ao Museu pela Drª Lurdes Nunes, que nos dará a conhecer o “Património Histórico e Museológico" desta instituição.
Tem um acervo heterogéneo constituído por documentos, fotografias, trajes máquinas de produção industrial, equipamentos de panificação mecânica de moagem, bolachas, café, laboratório e maquetes, entre outros.

Na antiga “Padaria Velha”, onde decorrerá o evento, podemos apreciar o revestimento numa das paredes, de 6 painéis de azulejos, que contam a história do pão. Estes azulejos foram fornecidos pela Fábrica de Faianças Outeiro e são de autoria de A. Pereira, datados de 1954. Foi neste espaço físico que existiu a primeira moagem e a primeira padaria, na M.M., em 1897.-

Demonstração de Taichi/chikung pelos instrutores; Drª Filomena Belo e Engº Rogério Gonçalves. (A Drª Filomena Belo é Professora na Escola Secundária D. Dinis, Mestre de Reiki e Instrutora de Taichi/chikung).

O QUE É O CHI KUNG:
É a arte de manipular a energia com êxito. Chi Kung ou Qigong é a ginástica energética para a saúde e a longevidade. Fundamenta-se sobre os princípios da Medicina Tradicional Chinesa. A origem do Chi Kung é datada de mais de 4.500 anos. As pessoas utilizavam uma dança para fortalecer o corpo, regular a respiração, activar a circulação sanguínea e curar doenças.http://chikung.com.sapo.pt/chikung.html

Participação especial de Pedro Branco

Dolores Marques / Ana Coelho/ AnaMar

sábado, 19 de setembro de 2009

Sofro

Dou formas aos actos deformados do meu pensamento, sempre que me encontro neste estado de apatia. É só uma noite como todas as que guardo na memória. Tu do outro lado do rio e as águas a correrem sempre nesse sentido. Eu olho-as de longe, da minha janela aberta. As luzes reflectem-se na corrente negra, e deixam um rastro que sigo desta cidade indiferente aos cursos de água. Nas distâncias constroem-se novos rumos, e os caminhos que outrora sorveram as vozes, distanciam-se agora de um único ponto. A saudade.

Não quero que dês pela minha presença.

Quero ir rio acima, velejando, até chegar ao mar. Aí já nada me pode apaziguar, vou surfando até te encontrar, abro-te os braços e lanças-te de novo neste caminho traçado, onde já fomos um dia, na busca de algum pingo de luar.
São os gestos que traçamos em busca de um amor sem pressa, que nos fazem ir tão longe. Longe demais até! Ele sabe do que falo. De amar sem nunca ter que derramar sobre as águas os lençóis esquecidos, que fizeram de velas, quando o vento se fez ao mar. Já nada me pode trazer os anos que já foram nossos, já nada me prende aqui neste mar. Desfaço sempre as malas quando chega o fim do verão. Vislumbro um bloco de notas esquecido, que diz assim:

-Caminha pelo teu rio e faz-te à corrente. Há um barco à vela que se perdeu no mar alto e os ventos não dão tréguas. Há um céu que se alonga e um sol que se rende a este grande oceano.
Queres ver como é?

Mandalas

(Acrílico em tela pintada por mim)


A Flor de Lotus do Coração

O coração situa-se no centro dos sistema dos chakras, os centros de energia do copro. Ele representa a força do amor e da compaixão.
A flor de lotus evoca a espiritualidade que resido no nosso coração

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Altas Esferas... Onde as Estrelas Dormem

Viajar no espaço, seria o ideal para te idealizar no alto, onde os sons dormitam, e as esferas coabitam no silêncio. Escrevi um dia: esta necessidade urgente de mudança, esta busca incessante pelo novo, este "cortejo fúnebre" que nos leva pelos corredores de uma vida ausente, mas presente em todas as "modalidades". Alcançamos todos os pontos indicados no caminho, visualizamos todas as arestas que se focam no centro e nós andamos às voltas até encontrarmos o que nos faz ser neste mundo. Há sempre um senão...não sabermos se é este o registo onde ficamos, ou se outro onde nos encontramos, sempre que nossos olhos se abrem à procura de nós. Este é mesmo aquele caminho mais difícil de percorrer.
As respostas são sempre tão vagas, e as minhas palavras não realçam nem o tamanho das minhas dores, nem a cor do meu sentir.

Revejo-te num mundo onde já nada se pode colher, a não ser este rubor humedecido, onde me deito para poder sonhar e amar. São estas altas esferas da escrita onde dormem as estrelas, que me levaram também a escrever: As palavras têm um tom cobre! Cobrem-me de todas as cores, neste sonho que se torna real a partir do momento em que entro no jogo, e deixo a porta aberta a quem quiser jogar. Mas jogar pressupõe seguir certas regras, e nelas estamos todos com uma pré-disposição, que poderá ser ou não, disposta ao mais pequeno ruído, aquele que difere de um outro que se chama "tom" numa escala maior.

Vi-te chegar tão devagarinho, que quase sumias por entre as luzes que me visitam nas noites em que escrevo palavras soltas ao abandono. Será que alguém lê e as entende? (Penso que serei assim uma espécie de estrela a luzir ao fundo do túnel mas que ninguém vê, nem mesmo se me tornasse céu). Seguem rumos diferentes quando as despejo nesse céu de estrelas reluzentes, que se queixam de tanto céu e pouco sol. A Lua ainda se encontra imobilizada na estação anterior, encalhou na madrugada e as estrelas rumam por caminhos incertos neste mar onde as palavras se gastam e se consomem de tanta dor, tanta tristeza. O amor é já o ponto de passagem para a outra margem. É lá que me encontras se conseguires transpor esse muro de palavras gastas, de vocabulários mais que arrastados pelas marés. Levantei voo rumo ao ponto onde acordámos que faríamos a história nascer de novo e tu ficaste preso no mar alto. Esperas que as musas te assaltem de sobressalto, e não vês que na profundidade dos meus olhos, está uma vida que assenta nos mais altos ideais, rumo a outros mundos onde o abraço se quer sempre laço até ao fim do caminho. Serenar o espírito, encontrar-me entre um e outro mundo que se encosta às margens onde já me encontro, é o início da última jornada.

Espero por ti!

(In "ÀS Escuras Encontro-te"
(Foto de minha autoria num mar "onde dormema já as novas estrelas)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Passagem de Testemunho


" Havia um pessegueiro na ilha"
Havia um líquido brilho
E um mar atento
Havia ainda:
Odores
Cores
Sons
Sensações
Alma
Sol
e
Lua
As estrelas foram términus
No meu olhar
E a maresia mareou-me a face
Num mar esquecido
Eu, Tu, Nós
*
Havia abertura
Para a outra margem
Havia a passagem
De testemunho
*
Fotos de minha Autoria (Dolores Marques)

Outros Sons

Os da Alma…

É este o momento - transportar-me para outro registo mais que disposta a tê-lo por perto, antes que ele me tenha a mim... Este registo que me não larga e se intromete com um forte desejo de me ter só... Tento esbracejar um pouco, mas há na divisão dos tempos, um só tempo, aquele que divide os momentos e os separa, para voltar a uni-los mais à frente. Este caminhar por traços inevitáveis que me levam a temer criar-me em novos tracejados, aqueles que tiram pontos e vírgulas e seguem destinos traçados nos textos que escrevo. São a nossa história, ou parte dela, neste tempo que nos resta, neste verão que quase chega ao fim, e não semeamos nos nossos corpos o sémen da vida, que eu sinto pulsar sempre que inspiro o teu sorriso e expiro o teu sopro alojado em meu peito.


Tudo se inicia na Primavera e termina no Outono, escrevi eu no inicio deste livro, mas a renovação é inevitável, é a vida a pulsar dentro de nós…(nós que somos um mundo talvez ainda a descobrir), quando chegarmos ao ponto, em que continuamos, mesmo que os registos se tenham apagado. Os gemidos terão outros sons, os da alma em constante mutação. Há nos lamentos resguardados uma dor desmedida, incolor, mas continuada, para mais à frente reescrever uma nova história. É aí que ela, a dor… se veste de branco e se refugia nas folhas soltas que estão ainda por nascer. Surgiu-me este texto, mas podia perfeitamente ser outro, se eu própria lançasse um novo olhar nestes dias de Agosto como quase um início antes do fim. Será entrar no Outono e fazê-lo florir em vez de se esvair em folhas soltas pelo chão. Aí também me encontras no meio delas, sempre que te não sinto a caminhar por entre o verão e ver-te deslizar na corrente vulcânica que me cobre o peito. Há nesse caminhar um toque de sedução, e mesmo que não queiras que te sinta nas mãos esse calor que te consome se me não tens ainda durante esta estação, serei sempre no teu olhar, a dor esvaída pelo chão.

Estaremos juntos antes do fim da nova era, que conta já com algumas lembranças nossas que vieram de signos longínquos quando o sol ainda era luz ténue no Universo. Eu temo por ti em mim, mas não esqueço que sou em ti, sempre que amanheço e anoiteço. Eu sou a fonte de onde brotam as estrelas que bebes no final do teu caminho, tu serás o sol que me rasga as vestes que me cobrem o corpo, sempre que em estado semi-acordado se abre na noite. É ela que fecunda o meu silêncio há tanto tempo guardado.

Os Do Deserto…

Há neste silêncio um desejo de se manter vivo, ter todos os momentos num só tempo, mas outros registos ficaram parados lá atrás, e aqui, não são mais do que meros episódios encenados, e bem intencionados onde as dores se aclamam, quando os gritos são só vozes sem idade. Viver sem parar e teimar em aproximar olhares fechados no templo, é manter este silêncio amordaçado e enclausurado e que já se entregou faz tempo.

Este é um outro tempo perdido nas dores que partiram em dois um momento – o meu e o teu, num só, quando os nossos corpos sumiram nas areias do deserto. Fomos levados pelas frias correntes que nos conduziram ao centro onde moravam todos os outros que nos conheciam. Mas ao fim e ao cabo, não nos mostraram como amar um desejo prostrado aos pés dos Deuses - deixaram-nos perdidos no templo. Já nada nos restava, a não ser continuar um destino que brilhou e se difundiu por entre os ecos resguardados nas paredes frias. Porque me honram eles vendo nos altares da alma, só uma figura apocalíptica, mesmo que inofensiva nos térreos domínios onde o sol se põe, quando nos mares se ouvem já os tambores de outrora? Solicita sim, pelos sons que rompem os hemisférios inteligíveis, onde o teu nome soava pelos cantos do mundo, e eu entoava cantares à tua passagem. A minha voz serena, sempre igual às vozes que ecoavam no templo, desmistificava os deuses todos, e tu, o único Deus que morava no meu peito, partias em busca de novos tempos, onde pudéssemos repousar em paz. É este um ressurgir das vozes perdidas nas profundezas do oceano. Ele traz-nos todos os mistérios guardados, quando a arca fechámos em prol de algumas lutas travadas e já resgatadas. Outras há, que fecundam as dores que pariram os novos adornos que nos atravessam a nudez da alma, ficando um resto de sombra no caminho que pisamos, elevando os nossos olhares ao céu e edificando novos sons que se tinham perdido no deserto…..

Dolores Marques in "Às Escuras Encontro-te
Fotos de minha autoria

Marcas

Seduz-me ficar assim pela noite dentro, a lembrar o que foi e o que não pôde ainda ser, e até o que irá acontecer em sonhos. Ao menos isso! Mera falta de jeito. Se teu ou meu, não sei, só sei que devemos ter sido moldados pelas mesmas mãos, aquelas que trazem os moldes sobre o ventre materno. Há sóis dourados por todos os lados; nas pontas, em cima e em baixo. É um Deus nos acuda de tantos e tão belos que se nos focarmos neles, marcarão a nossa pele com traços de um verão quente e paralisante. São estas as marcas que te trazem junto a mim, sempre que te penso deitado ao meu lado.

Se eu pudesse marcava a nossa vida para a eternidade, conduzia-te pelos espaços verdes e macios, rolávamos na erva fresca e sentíamos esta cor quente que bafeja das entranhas das rosas que se abrem só para nós. Este vermelho vivo, pode ser a cor dos meus sonhos daqui em diante, se pensar nela como a ligação à terra mãe, através do chakra da raiz. É ela que me sustém neste mundo que escolhi para me rever num futuro próximo, contigo a meu lado. Se te deixares também seduzir por ela, verás a cor do teu sorriso, sempre que colocares as mãos no meu peito e as desceres junto ao abdómen, e aí, sentirás este fogo que vem das profundezas da crosta terrestre carregado de pétalas vermelhas. Absorverás este suco adocicado das rosas e o seu odor característico que nos perfumará a pele, amaciando-a num estado alquímico e inalteradamente sentiremos os contornos dos nossos corpos unidos num só.

Serei toda uma rosa a abrir para ti, e tu colherás na tua boca este travo que habita nos meus lábios. Seremos um jardim aberto para o mundo, se este chão onde rolamos nos oferecer o espaço necessário para que os nossos corpos se enlacem e se cubram de um verde resplandecente, para que, através do chakra cardíaco, nos entreguemos a este amor feito de rosas que perfuma este colo que se ajeita nas esperas, sempre que ficas assim do lado de lá, mas pronto para embarcar para o lado de cá. È neste trajecto multifacetado, que te encontro nos mitos do tempo, que habitam estas quatro paredes onde me deito. São elas o meu refúgio, ouvintes dos meus gritos neste silêncio que chega a ser aterrador de tanto sofrer, por não conseguir evadir-me para o lado de lá. Seria neste trânsito, circunscrito no tempo, que me demarcava deste sono, desta leveza de ser mais que um corpo à espera de aromas quentes, de um toque sedento de mim por ti e em nós. Se nos distanciarmos do mundo, e nos prostrarmos bem no centro onde as esperas nos aguardam, seremos um tempo perdido no tempo de ninguém, mas seremos também habitados pelos rumos que a nossa história contém.

("As Escuras Encontro-te" - Um livro que há-de vir)

Acordes No Tempo

(Foto de minha autoria no Parque das Nações)


Há sempre dias que surgem diferentes dos outros. São aqueles que trazem resquícios de um passado que está presente em cada esquina em cada pessoa, em cada olhar. E esta espera que me deixa em estado de quase loucura. A energia que escorre pelo meu corpo, é ansiosa, mas idêntica.... à forma abrupta, quase que, em plena comunhão com a força de um vulcão
(...)
O som do teu nome é um sinal que me deixa alerta, sabendo que és Tu. Mas continuas longe, o teu corpo não se encontra colado ao meu, as tuas mãos não se enlaçam nas minhas costas e nos meus ombros falta o calor do teu bafo quente. Esta pressão no baixo ventre acusa-me sempre que entro no silêncio que espreita em cada momento dos dias e das noites. Esta energia que vem chegando agora devagar, é como se quisesse esperar que o amor tome verdadeiramente o seu lugar. Adormeço no sofá da sala, e sem horas para voltar. Tarde, muito tarde quando me vou deitar, adormeço no calor do teu abraço, com a tua voz entranhada em mim, inspirando lenta e cautelosamente.
(...)
Absorvo-te inteiro para mim e este dia traz-me um calor diferente. Esta sensação electrizante de te ter só para mim, esta energia forte que me cansa de não te acolher por fim, de te não poder sugar os sabores dos mares e dos rios que trazem paisagens de muito longe. Estes dias parecem-me uma eternidade. Ouvir a tua voz é um bem que me traz luz, alegria, felicidade, esplendor... Quem és tu? Porque estás no meu caminho? Eu por mim, nem tinha pensado duas vezes e estava contigo em qualquer lugar do mundo. Há nas minhas palavras uma força que desconheço, quase que me conduzem para onde estás, ou te trazem a mim. Sempre que te penso, esta sensação de prazer ansiando pelo toque, pelo encontro final onde seremos um, iniciou já um caminho que nos leva ao infinito mundo onde as estrelas formam o conjunto, que se desprendeu num tempo, e que já é tempo da verdadeira face do mundo nos tocar e nos exaltar pelos acordes do tempo que hão-de restar.
(In "As Escuras Encontro-te", um livro que há-de vir)

Reiki e Eu

( I Símbolo de Reiki,(Choku Rei - energia cósmica universal, aqui e agora)
desenhando e pintado por mim em tela com acrílico
Foto de minha autoria)

A palavra chakra vem do sânscrito e significa roda, disco, centro, plexo. Nesta forma eles são percebidos por videntes como vórtices ( redemoinhos ) de energia vital também chamada "prana", espirais girando em alta velocidade, vibrando em pontos vitais de nosso corpo. Os chakras são pontos de interseção entre vários planos e através deles nosso corpo etérico se manisfesta mais intensamente no corpo físico.Os vedas ( 2.000 a. C. ) contêm os mais antigos registros sobre chakras de que se tem notícia. Quando foram escritos, a Yoga já sistematizava o conhecimento e o trabalho energético dos chakras.

Anahata - O quarto chakra situa-se na direção do coração. Relaciona-se principalmente com o timo e o coração. Sua energia corresponde ao amor e à devoção, como formas sutis e elevadas de emoção. Na tradição católica, este chakra é simbolizado pelo coração luminoso de Cristo. Quando ativado desenvolve todo o potencial para o amor altruísta. Quando enfraquecido indica a necessidade de se libertar do egoísmo e de cultivar maior dedicação ao próximo. No aspecto físico, também pode indicar doenças cardíacas.
http://www.magiadourada.com.br/chacras.html

Inconstâncias

Foto de minha autoria (eu)

Estes sonhos
que se escondem
se diluem
na efemeridadedo tempo

Esta certeza
de sermos
numa existência
que aguarda
pelo fim de tudo
dentro de um nada

Esferas toscas
em abertura
de consciência
e devolvermo-nos
identidades
personas em pessoas
gritos e devaneios

Inconstâncias
vidas que caem nas malhas
de loucuras impacientes
transcendem-se
e distam-se das demais

Excessivos em lamentos
corja de mutantes
que se perdem no absurdo
indecoroso dos actos

Estes encontros
e desencontros
equidistantes...
formais...
***************
Dolores Marques

Chikung


É a arte de manipular a energia com êxito. Chi Kung ou Qigong é a ginástica energética para a saúde e a longevidade. Fundamenta-se sobre os princípios da Medicina Tradicional Chinesa.

A origem do Chi Kung é datada de mais de 4.500 anos. As pessoas utilizavam uma dança para fortalecer o corpo, regular a respiração, activar a circulação sanguínea e curar doenças.
O Chi Kung desempenha um papel activo na prevenção e tratamento das doenças protegendo e fortalecendo o estado de saúde resistindo à senilidade prematura e prolongando a vida.
O Chi Kung trabalha no sentido de desbloquear os meridianos e equilibrar as energias yin e yang, permitindo que o indivíduo se possa defender naturalmente contra a doença. Muitas doenças podem ser eliminadas se os meridianos forem limpos de forma a permitir uma circulação harmoniosa do Qi (energia). A sua prática regula as funções cerebrais e dos orgãos do corpo mediante a concentração, aumenta as capacidades de concentração e memória, regula o sistema nervoso central e restantes sistemas orgânicos, circulatórios, metabólicos e digestivos bem como no tratamento de problemas de stress, insónia, depressões, etc…etc…


href="http://chikung.com.sapo.pt/chikung.html">http://chikung.com.sapo.pt/chikung.html/a>

Tempo

Encontro-me entre um e outro tempo,
e corto os momentos que não têm tempo
para me dar...
O meu continua vagabundo
e sofre por não poder pegar-lhe
e levá-lo para longe,
até aos confins de um outro mundo...
onde o tempo é a vida
e eu um sorriso
que enamore o tempo
e faça dele
um acto inocente
**********************
Dolores Marques

Há Um Sonho

Foto de minha autoria - Esfera Armilar no Edifício Ecran - Parque das Nações


Esfera Armilar
http://olhares.aeiou.pt/esfera_armilar_foto2329247.html

Assim tu....

Meu sol que enfeitas

As estrelas no alto

Me tomas para ti

Me ergues majestosa

E rolo sobre ti

Qual estrela cadente

Fusão de mim Para ti

Há um sonho que se estende no infinito. Espera por mim nas entranhas dos mares, nas funduras dos céus e eu encontro-me deitada neste leito morno que me acolhe nas noites de Inverno. Acalento-me nos seus braços, e refugio-me na força do seu sorriso, sempre que se ouve o vento a roçar as vidraças das janelas. Se a vida me prender neste deserto onde o sentir se mistura com as areias finas que se espalham pelas dunas abandonadas, eu serei como a brisa suave esvoaçando pelas encostas perfumadas, onde os odores se misturam na caruma verde e nas gotículas de resina que escorrem pelos troncos dos pinheiros, que se erguem majestosos reflectindo vultos na longevidade da margem do rio. O seu leito prepara-se já para adormecer nos nossos braços, e o sol abandona-nos à nossa sorte ao cair da noite. O lusco-fusco deixa um encanto reluzente nas águas tépidas, os reflexos dos montes misturam-se na cadência dormente que se espalha pelos nossos corpos enlaçados na maciez de um outro lugar presente no agora.

Há um sonho livre à espreita. Entro devagar neste lugar, e a liberdade é somada na cadeia de sorrisos que se levantam a viva voz. Sou eu neste mundo que me quer bem ou mal, mas sou sempre um novo mundo nas fragas soltas, nas crateras enviesadas do meu pensar e relembro sempre aquele céu que se mostrou quando me tomou num só abraço. Se me quiseres olhar nos meus olhos, entra pela porta da frente e traz-me algo com que possa alargar o meu sorriso e com ele o meu olhar. Há nas nuvens que sobrevoam o rio, um encanto que desconheço. Desenho-lhes perfis bem característicos de uma confusão na atmosfera, e o ar entra-me pelas narinas que eu inspiro sempre que te vejo ao longe a sorrir para mim. Engulo o teu sorriso e a degusto-te nas formas que se vão soltando, lentas e uniformes através das linhas traçadas no meu corpo. Entras devagarinho neste sonho ainda por descobrir. Se ele quisesse pararia todos os rios e todos os mares e alargava as montanhas e os desertos para ele passar, mas o mundo é à vista do meu olhar, um minúsculo grão que piso quando adormeço num sonho solto e me lanço na aridez desértica dos pingos de luar.

A Tocar Os Céus

Foto de minha autoria tirada em Moção - Castro Daire


Sou por aqui
Na lonjura do tempo
E esqueço quem sou
Neste ermo conjugado

És tu que eu procuro
Quando me encontro
Na breve nostalgia
De um momento
Que descansa sempre
Nas asas do vento

És a vida que pesa
Em meus ombros
E tocas no alto
Os céus e as montanhas
E os mares e os rios...

Sou por aqui
Um choro retardado
Na bruma fechado
Um sonho que fecunda
As madrugadas
Do meu silêncio

Um Gosto Que Gosto



Flor de Lotus…. Acrílico em tela

Mandalas


Tela e acrílico - a minha nova paixão (Pintura de mandalas)
MANDALA
Mandala é círculo mágico;
Mandala é ponte para dimensões superiores;
Mandala é caminho a percorrer;
Mandala nos revela nosso Eu;
Mandala nos leva ao nosso centro;
Mandala nos leva a nossa Essência;
Mandala nos leva a Fonte Divina;
Mandala é energia e movimento;
Mandala é totalidade, integração e harmonia;
Mandala é o começo, o percorrer, o fim e o começo;
Mandala é morte e renascimento
(In o Mundo das Mandalas)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Que Vinha do Lago



Há muito que uma determinada área, situada no centro geográfico de Portugal, chamava-me a atenção de maneira especial. Apesar de nunca ter estado ali no plano físico, era como se a conhecesse.
Certo dia, estando em quietude, encontrei-me naquela região, diante de um lago de grande paz e magnífica beleza. Reinavam um profundo silêncio e uma calma imperturbável. Permanecendo ali quieto, começaram a emergir algumas impressões em minha consciência. Via que, diante da iminência do despertar para a vida imaterial, o ser deve despir-se de todos os conceitos, até mesmo daqueles que até então lhe serviram de guia. É necessária a coragem de estar no vazio para se chegar à plenitude dos mundos imateriais. Não se pode tocar o chão ardente dos reinos internos se o peso dos conceitos que o ser humano carrega não for diminuindo, até desaparecer por completo. Esses conceitos (culturais, religiosos e filosóficos) mantêm a consciência em níveis vibratórios densificados, ao passo que a ausência de programas estabelecidos humanamente lhe permitem a liberdade de voar como o pássaro que desliza por alturas ilimitadas.

A Lei que possibilita o contacto consciente com os diferentes níveis do universo não se resume a um conjunto de regras ou a formulações externas. Estas podem ser necessárias ao aspirante ao Caminho do Espírito, mas a Lei Maior é a essência da Vontade Suprema, e quanto mais dela o ser se aproxima, mais ela se faz perceber isenta de vestes formais.

Tanto a manifestação externa, no mundo das formas, quanto a completa unificação do ser com a essência última da vida, são expressões de um mesmo caminho. Sem a completa absorção da forma em um nível superior, não seria possível o prosseguimento da trajectória evolutiva. Sabemos que existem leis específicas para cada plano e subplano de consciência. As leis são os trilhos por onde o viajante se põe a deslizar; mas se ele chega ao seu destino, os trilhos não são mais necessários.

Eu continuava diante do "lago". No estado de recolhimento em que me mantinha, ele agora se apresentava em seus aspectos mais subtis, e trazia-me algumas informações. Vinham-me imagens apocalípticas, via a besta voando pelos céus com suas sete cabeças guerreando entre si. Antes que chegue a Força Cósmica (A esta Força Cósmica as profecias chamam o "Filho do Senhor") que resgatará os que assumiram suas metas autênticas e profundas, o caos encontrará terreno fértil no coração dos homens que ainda estiverem presos à matéria. No silêncio desse estado interior, era-me transmitido que a história deste planeta, conforme está previsto, encerrará através do fogo um dos mais sombrios capítulos para, depois, renascer.

Principalmente nos dias de hoje a maior parte dos políticos e governantes agem como fantoches nas mãos das forças Involutivas que dirigem esta civilização, como se pode constatar pela crónica diária desta época. Desse ponto de vista, certas organizações religiosas pouco diferem dos antros de magia negra que sempre foram acolhidos por esta humanidade: degradam os estados sublimes de consciência quando esses se manifestam, pois suas estruturas cristalizadas e a profissionalização do sacerdócio, explorado materialmente, não permitem que a manifestação puramente religiosa se aprofunde nos seres.

O "lago" confirmava-me a impressão de que muitos vão falar falsamente em nome de uma força salvadora, e que até mesmo os mais puros poderão se confundir. Por isso, o silêncio e a quietude são fundamentais para os seres que despertaram para a realidade. Momentos agudos aproximam-se com extrema rapidez; que o homem não se deixe atrair pelo que o cerca, mas que fique recolhido em seu interior, na energia da pura fé e em quietude, para ajudar na liberação de parte desta humanidade de superfície.

Não antes que a noite desça, o seu manto sobre todo o planeta, e que não haja um palmo de terra sequer onde a Luz do dia possa ser vista, cruzareis o portal que vos levará a outra Morada. Quando no passado vos disse que devíeis orar sete dias e sete noites, não vos estava chamando a um culto formal. A vossa compreensão é ainda imatura acerca do que vos digo. Sete dias e sete noites representam todo um ciclo de manifestação e, portanto, vos é pedido orar sem cessar, viver em exclusiva dedicação ao Supremo. Para isso tendes toda a ajuda, e tivestes todas as chaves para avançardes - ainda assim receastes, duvidastes e continuastes a usufruir a podridão que será desintegrada.

Muitos não aplicaram em suas vidas o pouco que compreenderam. Aqueles que algo fizeram, esperaram por recompensas. Podeis perceber quantas dádivas vos foram oferecidas, e quantas vezes as recusastes? Mas não vos culpeis; tampouco torneis a repetir o que por tantos séculos estivestes a perpetrar. Se elevardes ao alto o vosso clamor por liberação, a Luz que está em vós aprisionada romperá a densa camada que sobre ela depositastes e se espargirá por todos os rincões desta Terra, e mais além.

Não podeis, com vossa mente analítica, relacionar os fatos da história desta humanidade terrestre, pois eles não correspondem nem mesmo ao que realmente aconteceu na vida externa. A literatura que vossa civilização considera oficial não passa de grosseiras manipulações feitas por mentes agudas que se entregaram ao que chamais Mal. Sabeis disso. Por que, então, ainda procurais nesses textos escusos o vosso alimento? Enquanto não decidirdes mergulhar na fonte de conhecimento que existe em vosso interior, e ali contactar a Fonte de toda a Sabedoria, não mais que confusas notícias podereis retirar das informações no mundo de superfície.

Harmonia profunda, o "lago" é uma das portas de entrada para o centro intraterreno de Lys-Fátima. Por meio dele é estabelecida uma conexão introdutória com a vibração desse importante núcleo interior. Outros pontos de contacto existem, passagens Interdimensionais que, assim como o "lago", facilitam o traslado dos corpos subtis dos seres terrestres para as regiões intraterrenas. Por meio desses traslados, a energia de Fátima encontrou espaço para actuar mais profundamente. Como fruto desse trabalho, pude compreender aspectos decisivos de uma tarefa interior.

Quando estais vivendo a Lei, sois uno com Ela e nada vos pode tirar desse estado. Quando estais polarizados em vosso nível humano, vos unificais com as forças materiais e, assim, vos tornais instrumentos delas, ou da fonte de onde elas sugam o alimento, enfraquecendo a vossa ligação com o próprio interior.

Não temais. O medo nasce apenas onde as sementes das trevas podem ter lugar, e brotar. Um recto viver, uma recta conduta, segundo o que internamente vos é indicado, não deixa espaço para que as forças opressoras do temor cheguem a vos dominar.
Mesmo a parcela atávica do medo que habita os vossos corpos é dissolvida diante da ligação com a essência da Vida. O medo é um estado que nasce do envolvimento com as forças da matéria e suas ilusões. A consciência nos planos interiores é Luz e clareza; nesses níveis, o Amor é a substância plasmadora, e a existência transcende as fronteiras da individualidade. Portanto, tini indivíduo nada tem a temer se estiver conectado com a própria essência interior.
A limitação da vida a um âmbito individual traz consigo a ideia de posse, até mesmo da posse dos corpos materiais, e o medo é sempre fruto do assédio das forças diante da ameaça de perder algo a que a consciência imagina estar apegada. Se ela, porém, compartilha do absoluto silêncio, do silêncio dos apegos, da curiosidade, da posse de si mesma e de tudo o mais, o que haverá de temer?

Um ciclo está se abrindo, e a mensagem trazida pelo ressurgimento de Fátima terá um novo tom. De um ponto de vista supramental, pode-se dizer que está ocorrendo um reencontro da verdadeira função interior de Fátima com a consciência humana. À nossa volta, nos planos materiais, a presença permanente de uma energia de bondade e pureza é um sinal desse processo.

*** Preparando-me para contactos mais profundos, vi dois seres de elevada vibração se aproximarem no plano etérico, para levar-me pelos braços. No entanto, antes que isso pudesse se consumar, constatei que o meu corpo estava "preso" à Terra, em consequência de sua própria densidade. Pedi, então, ajuda para libertar-me.
As cores que eu via nessa experiência passaram a apresentar uma vibração elétrica, como se fossem percebidas em um outro nível. Em seguida, deixei de ter impressões sensíveis, e encontrei-me diante de um Conselho - apesar de não vê-lo, indubitavelmente ele estava lá. Percebia a presença de seus membros e, entre eles, um podia ser reconhecido de maneira inequívoca. Era o reencontro consciente com algo que eu já conhecia desde o início dos tempos.
Via, logo depois, um ser caminhando. O solo onde ele pisava era constituído de um material macio, que afundava quando tocado por seus pés. Isso dava uma impressão de instabilidade, mas ele caminhava com segurança, porque sabia que na base, nos níveis profundos, havia terra firme.
A vida não descansa nem tem intervalos; Ininterruptamente, prossegue. Todos são chamados para compartilhar o seu eterno fluir, mas muitos são os que apenas o observam passar.
A todos são entregues cimento e tijolos para erguerem suas Moradas, mas, por displicência e por Inércia, deixam que as intempéries destruam essas dádivas.
Assumir o próprio caminho evolutivo é um desafio nesta Terra mas, como disse no passado um sábio Instrutor, membro da Hierarquia: o que seria do mundo sem os NOSSOS impulsos?
Estava aberto um novo canal de contacto, e o ensinamento interno proveniente de Fátima ressurgia mais amplamente.

Trigueirinho – “O Ressurgimento de Fatima (Lis)” – Pensamento

domingo, 21 de junho de 2009

O Sistema de Corpo Espelho

Prende-se com a filosofia e a fé de que TUDO PODE SER CURADO

Tudo começa na sua consciência, ou seja, tudo o que acontece na sua vida e tudo aquilo que acontece no seu corpo, tem a sua génese em algo que acontece na sua consciência

À medida que diferentes condições lhe são apresentadas no decorrer da sua vida, você opta por reagir a elas de um modo particular. Você toma as decisões. Você escolhe aquilo que quer sentir, aquilo que quer pensar, aquilo que pretende fazer. Ou então, você opta por não tomar qualquer decisão.
Mas isso também é decisão sua.

Quando reage às situações de maneira ideal, permanece em equilíbrio, e se reage de uma forma que resulta numa tensão ou no desenvolvimento de um sintoma fisico, então algo não foi bem sucedido e encontra-se em desiquilibrio, e isso acontece quando as condições na sua consciência o permitem.

Quando se consegue assumir e orientar-se no sentido da percepção de que tudo começa na sua consciência, então está-se a assumir também, a responsabilidade por tudo aquilo que acontece no seu corpo e na sua vida, e por tudo aquilo que você introduz ou permite que entre na sua consciência.

Este método é a memória das conexões entre a sua consciência e o seu corpo

Todos somos curadores e algures, no mais profundo do nosso Ser, sabemos que Tudo Pode Ser Curado.

A CURA

O regresso à experiência de equilíbrio, (harmonia), Saúde.

A cura pode ser total ou parcial, e o manuseamento das ferramentas de que dispõe o curador, poderão ser bem sucedidas devido ao grau de mestria do curador, mas também do grau de receptividade da pessoa necessitada ao processo de mudança; terá que existir uma dinâmica de interacção entre o curador e o curado.

Existem variadíssimos níveis de cura possíveis; a fisica, a mental, a emocional e a espiritual, assim como muitas categorias de curadores

Tipos de Curadores

Curadores que sentem que trabalham com energia de vinda de Deus e sentem-se apenas canais dessa energia.
Curadores com um maior sentido de envolvimento pessoal, sentindo que são eles que têm a faculdade de curar
Alguns curadores trabalham com a ideia de preservar a pureza do veiculo através do qual passa a energia de cura (os seus corpos)
Alguns curadores assumem que o amor que cura é puro independente dos registos energéticos ou do estado do veiculo a que chamam corpo.
Há curadores que comem carne enquanto que outros são vegetarianos...etc

O sistema de Corpo Espelho de M.Brofman, diz que em ambas as situações a cura acontece, e que todos os gestos são no sentido humanitário.

Continuar a permanecer fiel a si mesmo e continuar a fazer o aquilo que melhor funciona para si, mesmo que o faça de maneira diferente dos que o rodeiam, porque tudo pode ser curado.

Realidades Alternativas

Somos cada um de nós uma consciência no interior de um corpo. Cada um decide aquilo que pensa e aquilo que sente. Somos nós que escolhemos as nossas percepções e as nossas percepções criam a nossa realidade.

As nossas percepções são a forma subjectiva como nós interpretamos toda a informação que entra na nossa consciência, vinda do mundo que nos rodeia. É como se houvesse uma bolha à volta de cada um de nós. Parte da informação que atravessa a bolha, é filtrada até atingir a superfície e apresentada à nossa atenção consciente, para ser notada, enquanto que a restante informação não é registada de forma consciente, mas viaja apesar de tudo através da bolha, sendo armazenada a níveis mais profundos da nossa consciência.

A bolha que serve de filtro às nossas percepções, é colorida pelas nossas ideias, pelas nossas convicções, pelos nossos desejos e sentimentos, de forma que pessoas com bolhas diferentes e que olham para uma mesma coisa, podem ter percepções diferentes, daquilo que estão a observar.

Uma pessoa que esteja numa bolha vermelha, por exemplo, irá ter uma visão do mundo como sendo vermelha, enquanto que uma pessoa que se encontre numa bolha azul, irá, com toda a certeza, vê-lo como sendo azul, e podemos ter uma ideia do diálogo que os dois teriam ao discutir a cor do mundo. Ao presenciarmos os mesmos acontecimentos no mundo exterior, as nossas bolhas tingem a nossa interpretação do acontecimentos e a nota que tomarmos dessa interpretação é a cor das nossas bolhas. Se alguém acredita que a competição e a conflituosidade são valores universais deparar-se-á com este tipo de problemas, enquanto que alguém poderá ver o mundo de pessoas motivada pelo amor, exprimindo-o, e reagindo por vezes à percepção de que ele existe....

O que quer que acredite ser verdadeiro, é verdadeiro – para si!

As palavras que usa para descrever a sua experiência criam as suas convicções e, portanto a sua realidade.

No âmbito desta realidade, mantemos a percepção de que tudo pode ser curado.

A Linguagem do Corpo

Algures no seu interior, tem ao seu dispor um estado de consciência na qual se encontra em perfeito equilíbrio a todos os níveis, vivendo a experiência da saúde perfeita. Este é aliás, o seu estado natural. Quando vive a experiência desse estado de consciência, é sinal de que está a corresponder com uma eficácia máxima ás condições que se apresentam na sua vida, de que está em sintonia com a sua voz interior, com a sua intuição e de está a prestar-lhe atenção.

Quando não presta atenção à sua voz interior, você vive a experiência da infelicidade e da tensão.
O efeito do acontecimento cria um sintoma. Os sintomas falam-lhe na sua linguagem própria, contando-lhe o que tem estado a fazer a si próprio. Essa linguagem reflecte a ideia de que você cria totalmente a sua realidade.

Assim, o seu corpo está a dizer; “isto é o que tu tens estado a fazer a ti mesmo, graças à maneira de ser que adoptaste até ao momento, e em virtude daquilo que tens estado a fazer na tua consciência”.

O FUNDAMENTAL É QUE NOS APERCEBAMOS DE QUE TUDO PODE SER CURADO. Não é uma questão de saber se pode ou não acontecer, mas antes e apenas uma questão de saber como fazê-lo. Então faça-o apenas!

Você será capaz de funcionar cada vez mais a partir do seu próprio centro, escutando a sua voz interior, e fazendo aquilo que é acertado para si, fazer.

Será muito mais saudável
E mais feliz!


Definição da Linguagem

Os Chakras

Chakra é uma palavra do Sânscrito que quer dizer roda ou vórtice e refere-se a cada um dos sete centros energéticos de que é composta a sua consciência., o seu sistema energético

A sua consciência representa tudo aquilo que lhe é possível viver. Todas as suas percepções, todos os seus sentidos, a totalidade dos seus processos mentais, e todos os estados de ser de que é capaz, acontecem no âmbito daquilo que se apelida de sua consciência.

Tudo isto pode ser dividido em sete categorias e cada uma dessas sete partes da sua consciência, está relacionada com um centro energético específico, ou chakra.

A sua consciência é um sistema energético. Ela é composta de energias de diferentes densidades, que se encontram num estado de movimento constante ou de fluxo. Quando a energia flui com suavidade, você vive a experiência da plenitude. Quando a energia fica bloqueada, você vive tensões que podem vir a manifestar-se sob a forma de sintomas.

Os chakras são aspectos da consciência, tal como as auras são aspectos da consciência. Os chakras são mais densos do que as auras, mas não tão densos como o corpo físico. São como bolas de energia sólidas que interpenetram no corpo físico, tal como um campo magnético pode interpenetrar no corpo físico.

Quando sente uma tensão numa parte da consciência, sente-a no chakra que está associado a essa parte da consciência. A tensão é transmitida em seguida à glândula endócrina que está associada ao chakra em questão. As glândulas endócrinas.

As tensões no corpo podem, portanto, ser associadas a tensões na consciência, e desta maneira podemos encarar o corpo como sendo um mapa da consciência que ele encerra.


Cura e Transformação

Aceite uma nova realidade, e a transformação do seu ser; da sua visão sobre o mundo que o rodeia.
e
Decida aquilo que será verdade na nova realidade

Porque tudo pode ser curado, mas para isso é importante a sua aceitação

(Do livro de Martin Brofman "O Sistema de Corpo Espelho)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dá-me o Universo Inteiro

Foto de minha autoria - Parque das Nações

Dá-me o Universo inteiro
No brilho do teu olhar
Serei montanha deitada
Nos teus braços
Serei o mar a acabar
No teu corpo

Se eu fosse o sol
Tu serias a luz caída
No meu regaço
Daríamos as mãos
Ao cair da noite
A acordar no infinito

Dá-me o Universo inteiro
Que eu tenho flores do monte
A cobrir-me os pés
A ensaiar as dores
De um desejo
Que está ainda por nascer

sábado, 23 de maio de 2009

Conversemos Através da Alma

Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.

*******
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas,
posso mostrar-te.


Rumi

domingo, 17 de maio de 2009

O Meu Novo Livro "Subtilezas da Alma"

Este "Subtilezas da Alma" corresponde de facto ao título. Nele o leitor encontra a delicadeza do verbo, como um sopro enunciador de um princípio espiritual que cada um de nós descobre, ou pode descobrir, dentro de si mesmo.

Xavier Zarco
Uma edição da Edium Editores, com prefácio e apresentação de Drª Carmo Miranda Machado, o meu novo livro de poesia "Subtilezas da Alma", irá ser apresentado em Lisboa, com o apoio da Casa do Concelho de Castro Daire. O Evento irá decorrer na Rua do Vale Formoso de Cima, 92-96, em Lisboa (junto à Estação de Braço de Prata) dia 06 de Junho, pelas 15h30m.

Irá estar patente uma mostra de artesanato e durante o evento, o Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa do Concelho de Castro Daire irá fazer uma breve apresentação de cantigas tradicionais e trajes dos mais característicos e representativos das gentes e costumes da região da Beira Alta em Castro Daire, no séc. XIX


NU NO ENCONTRO

Subtilezas da Alma só por si é um título subtil que cria um universo poético da compreensão do que sejam a alma ou (as suas…) subtilezas, as possibilidades são infinitas. Procurando no objecto finito do livro que recebe este nome, serei breve e sem subtilezas nu no encontro com o suporte de “Subtilezas da Alma”.Este título é-o do livro e dum poema que começa com este verso «Sou glossário dos sonhos», um substantivo masculino atribuído a vocabulário que explica termos obscuros por meio de outros conhecidos ou dá os termos técnicos de uma arte ou ciência. Seja esta a definição do que nos é proposto e ficamos, entre mãos (pegando no livro), com uma leitura por demais aliciante.O livro está dividido em três partes, o poema mencionado está na primeira e é este o conjunto: Capítulo I – Renascer no Silêncio, Capítulo II – Contactos, Capítulo III – Rumos Indefinidos.

Na leitura possamos Renascer no Silêncio, sentir Contactos e encontrar Rumos Indefinidos… pedir à Poesia (a sua) poesia.

Leitor(es), na última estância podemos ler, ser, ter, encontrar:
«Sou só Eu e Tu
Neste mundo encantado».

Francisco Coimbra

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Seguir Os Sinais

Aprende a seguir os sinais. Se eu estou aqui o tempo todo, se me vês e sabes que nunca te abandono, se sabes que até o desafiar do vento tem a minha mão mágica, se já te entregaste a mim, entregaste a tua vida, se tens consciência de que está tudo entregue, é claro que cada acontecimento, cada surpresa, cada imponderável tem a mão mágica do céu.É mais provável que seja eu a operar quando não estás à espera, quando ninguém conta, e acontece um acto cirurgicamente desprogramado e irreal - em vez de todos os planos e todas as combinações prévias. Aprende a confiar no acaso. O acaso sou eu. O acaso tem a minha lógica, jamais terá a tua. Lê nos acasos a lógica do céu, e aprende a seguir, como a borboleta, a força inefável do vento. A natureza é sábia. Os animais só vão para onde têm de ir. As aves voam milhares de quilómetros, porque sabem as armadilhas do tempo, porque lêem nas entrelinhas do tempo.As baleias percorrem o mundo, através de linhas energéticas e invisíveis desenhadas pela minha mão. Todo o mundo animal se move sob os meus desígnios.Porque é que o homem, o ser humano, o único a deter um nível superior de entendimento, deseja tanto fazer a minha parte? Porque é que quer ser ele a desenhar caminhos para ele próprio? Porque é o único ser sobre a terra que se preocupa com o que é que os outros vão pensar. Porque é o único ser sobre a terra que sofre antecipadamente por causa de uma coisa que pode não dar certo. Porque é o único que tem medo de sofrer. Medo de morrer.

No dia em que o homem compreender que a morte, tal como tudo na vida, é apenas uma mudança de estado, que sofrer é apenas uma mudança de estado, e em última análise, que viver não é mais do que uma permanente mudança de estado, nesse dia, quando deixar de julgar as coisas pelo método simplista do «quero isto» ou «não quero isto», quando o homem descobrir a liberdade inerente ao vento e, simplesmente, se deixar ir, nesse dia, nós cá de cima teremos a missão cumprida.

A Alma Iluminada,
Alexandra Solnado

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Apresentação do Meu Livro Olhares


O meu livro "OLHARES" editado em 2008, pela Corpos Editora, irá ser apresentado, dia 02 de Maio nas Termas do Carvalhal, em Castro Daire, com o apoio da Câmara Muncipal

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Invento Um Novo Céu Para Nós

Reinvento-me no calor de uma abraço e há sempre bons motivos para me descobrir naquele que gosto e me mostra um céu para partir de novo à descoberta. Encontro-me sempre quando lhe sinto as mãos quentes a esboçar traços na minha pele, e a sua língua a tocar-me o céu aberto. Mostro-lhe um novo dia com as cores brilhantes do arco íris que se estende no horizonte dos meus sentires. Este vai ser um momento para eternizar os já passados e os que hão-de vir o meu corpo está prestes a entrar nos arrabaldes do presente e receber dele os lamentos do tempo em que não lembrava de sentir. Há um prazer no instante em que lembro da ternura dos seus olhos e da sua voz quente, doce envolta num véu transparente onde me deito sempre à despedida. Encontro-me na sua leveza transcendente e adormeço nos braços da noite, onde ele está por inteiro só para mim, solto-me elevando-me a nós num encontro que me faz ser um corpo que quer mais e mais.
A porta encontra-se entreaberta, esboço um sorriso na timidez que me é habitual, mas ele não nota, este meu ar meio desvinculado do meio que me faz ser, meio atordoada pela sensualidade dos seus gestos, da sua boca, do seu olhar quando me toca e me olha meio de soslaio, não entendendo muito bem que espécie de outra serei eu, no conjunto de todas as que teve, ou tem. Por isso irei continuar esta encenação descontraída num palco meio tosco, onde falta tudo menos a vontade de sonhar e acordar na ternura dos seus abraços. Quando me vê entrar, o seu olhar é tiro certeiro no meu peito, que se encontra quase a descoberto, por baixo de uma blusa de cambraia fina. Os mamilos soltam-se lentamente e sinto aquela energia a que já me habituei; suave, delicada a percorrer-me o corpo, focando-se no baixo ventre. Reparo que a luminosidade que cobre ainda este fim de tarde, se encontra calada neste ambiente acolhedor, com as persianas quase fechadas, só deixando entrar uma réstia de luz. Aromas povoam o ar e afagam-me a face, através de incensos e algumas velas acesas. Como eu sempre gosto, a música está deslumbrante, serena, inquietante e o meu corpo sente aquela força das marés que inundam uma praia deserta em noites de lua cheia. Encosto-me ao balcão que separa a sala do escritório, faço um gesto para tirar a fina echarpe que me cobre os ombros e sinto o seu corpo colado nas minhas costas. As suas mãos tocam-me suavemente as nádegas, deslocando-se para cima e para baixo, alternando entre movimentos, ora frenéticos, ora calmos. Tira-me a encharpe e enrola-a à volta dos meus olhos, atando-a atrás. Encosta-me á parede e inicia-se assim um ritual onde os corpos se submetem ao calor de uma paixão avassaladora. A minha roupa vai sendo tirada peça por peça, através da simplicidade dos gestos de quem quer, mas não quer, ama e deseja que os momentos se eternizem. Sinto a sua língua a percorrer-me o pescoço e deslizar sobre o meu peito. Aí a sua boca abre-se para que os meus peitos se entranhem nela e sinto os mamilos duros a entrar e sair da sua boca quente. Inunda-me uma vontade louca de me saciar nele, de o tomar todo para mim, mas ele continua a sua lenta caminhada, escalando o meu corpo numa subida íngreme, mas a gosto. Levanta-me e faz-me sentar na mesa do escritório, abre-me as pernas e sinto a sua língua a percorrer-me o corpo definindo-se desbravando até ao mais alto culminar de um acto sagrado. A minha vagina, contorce-se de dor e de prazer, sinto a humidade quase a transbordar os seus olhos, quando o puxo para mim e lhe digo:
- Quero olhar-te nos olhos.
Ele levanta-se e olha-me de frente, levando as suas mãos à minha face, puxando-me para ele. Beija-me e entrega-me aquela doçura morna que lhe escorre pelos lábios de uma boca ainda semiaberta.
- Quero-te todo para mim. Quero que me abras lentamente, que te enterres devagar e suavemente. Quero matar esta sede de ti, dos teus olhos, da tua voz, do teu sorriso.
Ele abraça-me forte e sinto o calor que emana dos poros da sua pele. Esta é uma sensação única, o meu corpo no seu e o seu corpo no meu e sermos um só, num momento que está para a eternidade através da fusão dos corpos, onde se dá a metamorfose, através da alquimia do amor. Enquanto as suas mãos se enchem das minhas nádegas, as minhas descaem e vou-lhe desapertando as calças de forma a poder encher eu, também as minhas mãos, da cobertura quente que me vem massajando o corpo. Agora numa posição mais cómoda, sentada de frente para ele sinto-o esbofetear-me a face focando-se nos meus lábios, que ainda se encontram dormentes pela força que dele emana. Seguro-o com as minhas duas mãos, e faço-o roçar-me os lábios em movimentos circulares. Um rio viscoso suave alaga-me os dedos. Abro a boca deixando escorrer uma gota na minha língua, puxo-o para mim e enterro-a na sua boca e ele suga da sua própria essência, onde tudo se inicia antes do principio e do fim. Aí nos encontramos sempre e os sons saem-nos da garganta uniformes, mantras no calor e na contracção dos corpos, propagam-se no ar poluído do fumo dos incensos já gastos. Extase total que se prolonga até ao infinito de nós. A minha boca abre-se e fecha-se sempre que saboreio o gotejar constante, um trago de uma casta madura, doce licor de sabor de mar, risca através das frestas das janelas o céu cobre que inunda o espaço reservado a sermos mais que um só corpo. Lentamente e com vontade de o mastigar devagarinho e enrolá-lo na minha boca, abocanho-o de uma só vez e sugo-lhe o que ainda resta e faço-o entrar em movimentos lentos até ao inicio de mim, inspirando-o e expirando-o.
- Pára diz ele. Estou sem controle e quero mais, muito mais até atingir o ponto onde somos uma só alma num corpo, neste que é um momento parado no tempo. Quero chegar rápido a ti, sentir-te o corpo eclodir no meu numa explosão única de prazer.
Levantei-me a abracei-o, dizendo-lhe que um dia ainda havia de o querer assim para mim, que todo ele escorra pétalas suaves no meu corpo. Ele sorriu para mim, num abraço terno, beijou-me mais uma vez mas agora com o desejo a saltar-lhe pela boca. Vira-me contra a mesa, faz-me deitar em cima dela até me esborrachar os seios, abre-me as pernas suavemente e fica em mim. As suas mãos deslocam-se para cima e para baixo a acariciar-me a face, as coxas, o meu clítoris abre-se a mais um suave contacto e sente o seu bafo quente.
Suplico-lhe que se entranhe, que me tome de uma só vez.
Ele penetra-me ali mesmo, introduzindo o seu sexo no meu.
Uma dor aguda misturada com prazer que me enlouquece. Tomo a sua mão para mim e encosto-a ao meu peito, e beijo-lhe o corpo retirando para mim parte dele. Os corpos saciados da fome e da sede de amor, encontram-se semi-abandonados ao calor da paixão. Elevarmo-nos através do sexo, é nutrirmo-nos ao mais alto nível da nossa consciência. Somos um só, nos recantos de um jardim onde abrimos a janela, neste fim de tarde e absorvemos uma nova tonalidade de um céu aberto, através de uma janela escancarada para o mundo. O nosso mundo que nos cobre os corpos, ainda quentes e húmidos de onde se solta um cheiro intenso a jasmim.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Gaia - A Terra Viva

Assistimos a partir da década de sessenta, ao surgimento de grupos que se mobilizam no sentido de alertar para a preservação do planeta. Por vezes, quando ouço esta frase, inclino-me perante mim e penso em todos os seres vivos em vias de extinção. Serei eu um desses seres, em conjunto com a terra? A sociedade moderna, na ânsia de preservar a sua espécie, e tentar afirmar-se cada vez mais, nem se lembra que está a contribuir em grande parte para a sua própria anulação completa, do que se pensa ser, partindo do princípio, de que se é, só matéria inerte. Extinta a matéria foi-se a totalidade do que se é. Este tipo de sociedade, supostamente desenvolvida, é responsável pelo estado em que se encontra esta nossa morada, que nos acolhe sempre de braços abertos.
Hoje sai à rua, o sol sente-se em grande força, para a época, e encostei-me a uma árvore. Queria sentir-lhe a sua força, e que ela me conduzisse para o centro da terra, e me fizesse criar raízes, longas e penetrantes. Lembrei de Júlio Verne e por consequência do filme “Viagem ao Centro da Terra. Ali, dei comigo a viajar por mundos que não estão às vistas dos meus olhos, mas que poderão existir. Há sempre, quem nos faça lembrar, mundos que se unem e se formam até à inclusão de um novo mundo. Espécies, extintas, dobras de um mundo só, que se partiu em pedaços, onde somos nós a parte existente que o fará erguer de novo, talvez numa outra dimensão.

Mas neste mundo do agora, desenvolvem-se iniciativas para a construção de novas mentalidades, e com elas a assimilação de novos hábitos, neste mundo, do qual fazemos parte como um todo. Alertam-se os países mais desenvolvidos, a utilizarem as novas tecnologias, de forma a evitar a poluição e preservarem o meio ambiente. Aconselha-se os habitantes do planeta, a contribuírem para minimizar os estragos, e colher os frutos, para uma estadia mais saudável a apetecível. Se Gaia, se tornar num local aprazível, nós seremos seres em férias permanentes, num local paradisíaco. Se somos uma ínfima partícula em consonância com o Universo, somos energia em movimento, numa ressonância perfeita.

Tudo está interligado e se a terra nos acolhe há tempos memoriais, ela também é, uma parte inclusa em nós. Vê-la também como uma entidade, com características de um ser vivo, e como tal em sintonia connosco, é primordial. Gaia, nome designado à terra, pela sua força espiritual vigente. James Lovelock, foi a primeira pessoa, após os gregos a dar um nome à terra in “The Reverenge of Gaia. Para que ela sinta a nossa vibração e se afogue nas nossas ondas energéticas e sacie ela também, a sua sede e a sua fome de ar renovado, as alterações terão que ocorrer, primeiramente em nós. Daí, sentirmos aquela necessidade de mudança, para atingirmos o equilíbrio, e os quatro elementos, terra, ar, fogo e água, sejam sons de uma sinfonia cósmica. É pois da nossa responsabilidade, preservarmo-nos, percorrendo os trilhos que se abrem na nossa caminhada, e sermos um só mundo no caminho evolutivo. Esta é a verdadeira ascensão, consciencializando-nos de nós por aqui e por aí, neste que é um mundo ainda a descobrir.

************Mª Dolores Marques*****************
“Até agora os meridianos energéticos de Gaia, têm sido considerados como incorporando polaridades, do masculino para o feminino, positivas e negativas. Agora contudo, o aspecto “criança” da trindade cósmica fundamental – o seu princípio neutro criativo, torna-se cada vez mais activo, quando uma nova era cósmica se prepara para nascer”

Jude Currivan

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ontem o Sonho e o Mar.... Hoje o Rio e o Vazio e EU...

Ontem o Sonho!
Eu sou aquele sonho que se verte nas entranhas de outro sonho, ainda por nascer. Se me quiseres gravar na tua memória, fá-lo antes do nascer do sol. Na lua, há um registo de mim no seu brilho nocturno. Mostra-se sempre nas noites que me vêem nascer, quando o negro manto me cobre o rosto.

O mundo fantástico dos sonhos, é um mundo em permanente mudança, e eu uma ínfima parte dele, sempre que me predisponho a sonhar. Mas as vestes que me cobrem o corpo, põem a descoberto a nudez da alma, que tento esconder, sempre que as formas se gastam no mundo ainda por descobrir. A morte mostra-me sempre novos sonhos a sonhar. Dispo-me da vida e invento-me um mundo novo que espera pelo acontecer nos caminhos que percorro.

E o Mar...
Avanço sempre na direcção do centro, que se expande na fertilidade do azul do céu. São momentos raros que se lançam na imensidão de um mar audaz. O farol já não reflecte os sons que se inclinavam á minha passagem e lanço-me até ao fundo da noite, em busca da clara luz. Só ela me serve de aconchego. O céu povoado das cores da noite, veste-se de branco e segue os sinais cravados na minha pele. Registos de vários tons, num corpo esbelto, e sugado pelas marés, dança a dança dos rituais sem nome, aqueles que eu vi nascer, quando me arranquei de um sonho prestes a desaguar no mar. Concede-me gosto de te ver, quando à noite me dispo para te encontrar nos caminhos alagados de um suor morno. Os olhos abrem-se devagar, às vistas do precipício que tranca as portas quando me vê passar.

E os Aromas...

Sobrevoo os cumes mais altos das serras. Daí, avisto as ondulações quentes que se gastam numa praia deserta e os restos mortais das águas, lançam-se em desatino pelas dunas tristes. É lá que se deitam os aromas das flores silvestres e ejaculam essências nocturnas.

Hoje o Rio!
A corrente avança suava, quase a galgar o pontão por onde eu passo, livre, fora de paredes nuas e mentes cruas, que se gastam no mundo dos sonhos, presos ao sótão miserável dos afectos. Sou a outra face, aquela que reparte com a noite, um sonho de tonalidades raras. reinvento-me na totalidade de um mundo que espera pelo serenar dos rios que se cansaram do mar. Os meus passos avançam sem hesitar. Passos certos, que se confundem com os gritos das gaivotas, quando hesitam perante a lúcida caridade das águas que fugiram do mar. Os peixes engordaram durante o Inverno. Foram tantos os despejos que ficaram e as dores que se alimentaram e sobejaram. Já não vejo as mãos estendidas, nem os lenços a acenar. Essa claridade é trazida pelas gaivotas que choram sempre no mar. São as lágrimas que escorrem, e se encostam ao pontão que me leva para lá dos sonhos, que ficaram por sonhar.

E o Vazio Corrente...
Não me rendo ao mundo dos mares, sem passar pelas correntes gastas de um rio que me quer sempre a boiar, na ternura doce, no afago calmo e sereno, que em noites de lua cheia, se estendem num céu sem cor. Aí passamos para o lado de lá – o vazio da alma, que sempre se levanta e se quer nua, no universo dos corpos, enfeitiçados por luas diversas.
Eu sou aquela cor que perdura na extinta flor do monte, e lhe empresta as vozes de um rio que corre, sem pressa de chegar. Nutro-a!

E Eu...

Tenho na alma que cala, um timbre afinado de uma voz crescente. Espiral a lenta certeza do querer Ser. Fala quando cala, consente no sentir a dor, quando lhe falta a voz e dorme sempre a sorrir.
Sou a força que trago, mas não consigo alcançar o mundo
Do ventre que me viu nascer, soltei raízes que se alimentaram no mar e alcancei a terra dos sonhos, mesmo sem saber sonhar.

Os rios ficaram no mar e o mar avança na terra que me viu crescer.
Perdi-me do mundo e gastei-me na terra de ninguém.
Sou a vida que se quer ver de novo, entre o nascer e o morrer.

terça-feira, 10 de março de 2009

Invento-nos Uma Nova Escala Musical

Esta é uma noite para me debruçar sobre as sombras que ameaçam derrocar aqui mesmo, neste chão macio e brilhante cor pastel. Os meus olhos viram-te a rondar os meus pensamentos e evadi-me para lá deles. Esperaste que me fechasse e me trancasse às luzes da noite. São elas o meu porto de abrigo nos momentos em que a solidão me aguarda e me faz companhia até adormecer. Leva-me à vista de outras faces e eu observo-as sorrindo ao mesmo mundo que me viu nascer e morrer, em tantas, quantas vezes, eu abri os olhos a vários mundos. Como por encanto, admiro quase todas as que conheço. Estão ali sempre para mim. Tomo-as a meu jeito e há noites em que uma lágrima teima em soltar-se do seu abrigo nocturno. Assalta o espaço que se mostra na escuridão dos dias que se prestam a nada. Nem mesmo a noite os abarca, neste que é um leito doce das maravilhas que os sonhos trazem por entre portas e janelas das casas de uma cidade fantasma.

É sempre assim quando me mostro solta e indiferente aos dias que passam, sem um brilho no olhar. Este é um dia para comemorar, na noite que me faz atravessar portais translúcidos no tempo, me encontro na tua paz, aquela que por vezes esqueço. Quero-te nas lembranças do tempo, que foi para nós um misto de dor, matizado com as cores da alegria que se encontra sempre nas bifurcações de onde se soltam odores florais. Visto-me sempre com o sol de verão, as cores Outonais, os respingues da chuva de Invernos ancestrais e completa-se o círculo mágico bordado em orações até ao despontar das mimosas flores cor de arminho, rosáceas nos caminhos que atravesso ao amanhecer. Se quiseres continuar a ser uma flor que brota nas noites em que me disponho a ter-te, eu abro-me a ti num enlace perfeito. Enrosco o meu corpo no teu, visito-te nos teus embaraços toscos, dou-te as minhas mãos e ofereço-te os meus lábios sedentos dos teus. Quero-te os sabores do mundo em desespero pela mudança, em que os dias cantam nas noites, e as noites dançam nos dias. Uma música simples numa escala vasta e coberta de outros sóis.

Combinam-se as vozes e ensaiam-se os diversos tons, que se encostam aos muros das lamentações. Treinei já os meus; são vários por sinal, mas o Fá está mais à mão, é o meu jeito entre o dar e o receber e por querer estar de Fa(cto) distante do Ré. Quanto mais alto chega a minha voz, mais baixa me sinto em relação ao céu. Por isso re(elegi) o Fá e foquei-me num céu mais próximo de mim, aquele que eu sinto e vejo perto do meu fim. Fa(minto), me consola num palco inventado por nós entre os dor(mentes) sonhos que se querem num só. Nesta escala musical, confundem-me sempre as notas expostas ao Sol. Já me expus a elas e fiquei cega de outros céus que em mim quiseram ficar, e por isso te tomo de uma vez só. Vais directo ao ponto onde te espera um sol que se abre a ti em ondas multicolores, na suavidade do teu corpo. Cais sobre mim e eu recebo-te como por impulso. Abandono-me no términos de um céu distante que mostra as cores de um arco íris em plena sintonia. Os cânticos, experimentam uma subida ao mais alto nível da sua voz, e esperam pelo germinar das flores, que se soltam por entre o meu corpo nu.
Sou-Te nas essências doces que se atrevem a cair sobre ti, aprendemos a navegar, numa ondulação até aos confins de um mundo a descobrir.

Sou o teu segredo!
Encontro-te sempre nos meus sonhos que se extinguem nas noites fartas de mim. Morro por ti e renasço sempre para ti e em nós. Não me encontras neste lado do mundo, sem o meu corpo nu. Mostra-se a ti, sempre que te encostas à noite e me vês a rondar-te a céu aberto.

Este é o meu pranto!
Chora lágrimas que correm num olhar e se querem um rio que se encontra sempre no mar.

Esta é outra escala musical , aquela onde nos fundimos num so.
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domingo, 8 de março de 2009

Um Único Olhar

Quando vieres...
chegaste finalmente a Ti.

Até lá...
resguarda-te num jardim
povoado de sonhos raros

Só ao alcance de um olhar

O Teu !

(Dolores Marques)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Onde o Tudo se Mistura no Nada


Há um prenúncio de qualquer coisa, mesmo antes de o ser
Esmiuço os sentidos até descobrir o que me leva por estes meandros da vida já gasta
Debruça-se pelas correntes que passam
Sem nada a levar
E nada a trazer
Como poderiam,
Se nem elas suportam o peso dos anos...

Nesta margem...
Fica sempre um resto de morte nos lameiros que as viu nascer
As flores que se soltam ao vento
Transportam no colo
Perfumes raros
Essências calmas
E silêncios amordaçados

E eu que sonho entregar-me a ti
Quiçá, num sonho
Ou numa viagem astral
Até aos confins dos mundos
Morro antes delas, coitadas...
E depois, o que será delas ?
Sumidas nas raízes tenras de uma terra alagada
Perco-me sempre no caminho, junto à margem das mazelas

Vi-te hoje a atravessar o jardim e não me viste deitada
Em pétalas raras...
Estou só nesta lenta caminhada
Onde o tudo se mistura no nada
Levanta-se da poeira da estrada
Uma só noite...
Que adormece na madrugada
Junto às casas onde me deito, já não há nada
Não há mais do que uma morte anunciada
Engendrada nos caminhos da alma

segunda-feira, 2 de março de 2009

As Intempéries do Pensamento e o Infinito Mundo das Estrelas

Somos a dor que se enfileira nos caminhos da eterna saudade, alucinados num mundo regido por bestas adormecidas. Se formos o centro e se nos mantivermos numa rotação uniforme, mas ausentes na forma, este será um estado que nos fará emergir em absoluto, no infinito mundo das estrelas.

Na elasticidade dos nossos movimentos, somos um só peso que cobre o manto sobre a crosta terrestre. Contém a adversidade de opiniões que nos sustenta de uma forma ou de outra dentro do nosso Universo – aquele que nos faz ser na angústia dos dias, nas manhãs abafadas pelo ilusório de tudo e nas crateras de um sol extinto, já no fim do verão. Perturbações várias, que nos conduzem por qualquer realidade que se alonga num olhar inconsequente ou sentir no corpo a mancha escura num tom de pele sóbrio.

Curtidos os momentos resplandecentes que se erguem de braços abertos aos rios, aos mares, ás montanhas e semeiam a cor dos gestos nos jardins da nossa imaginação.

A terra em constante renovação a ascender os planaltos, sustentada pelo universo inteiro ainda em construção e que sobrevoa os céus envolta por mares, desertos e mistérios insondáveis. Materializam-se nos sonhos que nas realidades alternativas me rondam o espaço contundente e confundo-me neste que é um movimento oposto, àquele em que sopra o vento. E se pensar que este é um Universo dentro de outros universos, serei sempre um mundo dentro de um mundo a descobrir, nos focos direccionados para aquilo que é, o meu devir.

Gosto de me sentir cobrada pela terra que verei nascer e de me sentar á espera que as vozes se escoem à passagem do tempo. Só um eco difuso, me fará continuar sempre na divisão do mundo em pedaços. Sou a loucura antagónica que sobrevive às intempéries do pensamento e este é um sonho que sobrevive à passagem da aurora.
Deixai-me ser mais do que este sonho que se ergue no templo.

- Vestirei as indumentárias gastas e apodrecidas nos calabouços de outro sonho.

- Tocarei as hastes engalanadas do saber que se reproduzem em sementeiras que germinam nas entranhas putrificadas e ausentes na forma.

- Abafarei as torres que alimentam o abismo imergente nos mares e continuarei a defendê-lo, ofertando-me. O meu corpo será uma égide contra a solidão dos povos e das inconsequentes variações do tempo.