terça-feira, 16 de novembro de 2010

Onde estão todos os poetas?


A marca de todos os poetas que sem saberem que o são, são-no na proporção das palavras que escrevem.


Onde estão todos os poetas que cairam, por não saberem onde marcar com as suas palavras um pouco de chão?


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dá-me o fim deste tempo na tua boca (De Guel-Vaques)



Tenho um dia cheio de horas e um maço de folhas em branco para te ver esta noite, até, que me acabem os cigarros. Dá-me o fim deste tempo na tua boca, quando chegar sábado, a beber pelos buracos e garrafas partidas na calçada, depois do sol. Estou farto do mundo e de tudo, e de como me vejo, sempre no desencontro das palavras, em bons dias quase a meio da tarde. Trago a culpa dos copos a mais e noites vadias marcadas nos corpos sem rosto, funda no peito. Faltam muitos espaços ao tempo, para o teu beijo matinal, enraizado na terra de nós dois entre os lençóis brancos. E hoje acordei tão tarde nos teus olhos. Queria essa tarde nos Himalaias a demorar uma vida, inteira nas tuas mãos, como nunca a tive nas minhas. Há tanta gente que anoitece nos meus olhos, que já não sei como olhar para tanta gente, amanhã, quando andar com o dia cansado nos pés pela rua, assim, como todas as árvores a morrer de pé. Quero me levantar cedo na seda da tua pele e adormecer mais uma vez na suavidade do teu perfume, até me levantar cedo para o dia. Faltam muitos espaços ao tempo na manhã do teu beijo. Dá-me o fim deste tempo na tua boca, antes que seja domingo, e não a perder mais na minha. Tenho um dia cheio de horas e um maço de folhas em branco para te ver esta noite.Tenho um dia cheio de horas e um maço de folhas em branco para te ver esta noite.

Texto de Guel-Vaques (Nuno Marques)

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Nuno,
Ter na medida certa de um desejo, um desejo de ter todas as folhas onde se possam escrever os desejos de uma vida inteira . O corpo aguarda pela concretização de todos os desejos da alma, a alma é seguidora de todos os passos que o corpo dá, em busca da tal chama que o guia, indicando-lhe os vários caminhos e os vários rostos, em olhares que se perpetuam na imensidão de um sentimento, onde cabem todos os rostos do mundo.

(À noite, a visão é uma oferenda desafiando os momentos que temos para nos dizermos e nos trazermos mais e mais, de algo que sabemos que existe, mas que tememos, só de o saber tão perto…)

Um imenso prazer ler-te e divagar pelas tuas palavras

Dolores Marques

Unicidade das coisas


Se a vida fosse só um simples
trinar de uma guitarra
cantaria eu
cantarias tu
cantaríamos nós
cantariam todos aqueles
que sabem que a vida é um som único
a germinar no ventre da terra

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Pensar

Recuso-me tantas vezes a pensar.

Já pensei tanto que até o acto de pensar me faz sair de um sítio comum onde vivemos todos

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

...costumo pensar que não tenho idade

(Imagem google)


Saber se a idade é um caminho, ou se a idade é um livro aberto que nos faz caminhar sozinhos, será antes de mais uma súmula de predicados nossos a esvair-se num punhado de sonhos que por não saberem cair na desordem , andam de mão em mão, a tentar encontrar a ordem natural das coisas. Vejo-me por entre as feridas abertas de um rosto, que ao sorrir, se desfaz na tinta fresca de um desenho, e depois faz do desenho uma soma de gestos quase a atingir as forças de dois pensamentos loucos a caminhar sobre o meu corpo.

A idade é um conjunto de vivências que eu costumo chamar de experiências com ida e volta, no meio de uma louca viagem ao fantástico mundo dos sonhos. Será aí que a idade se transforma em todos os rostos que já conheceu, em todas as vidas que já viveu, em todos os corpos onde se escondeu, em todos os olhares onde se esqueceu de ser idade. Eu costumo pensar que não tenho idade. Sei-me perto de um mar profundo, fico lá até que a água me traga à superfície e me diga de um mundo onde a idade surgiu. Abandono este meu, onde me afogo neste pensar sem idade, vendo-me sem rosto, sem corpo, sem alma, sem nada que me diga onde foi parar a idade que me acolheu. Penso, penso e nada me diz nada, pelo menos de uma negação, ou de um encaminhamento de algo, ao encontro de outros nadas a viajar no espaço…. Este que ocupo passou-se para o indefinido e traz-me sempre uma história de vida que já morreu. Se conseguisse no entanto, ser algo que servisse de contrapartida, para que, pelo menos um sonho se materializasse. Se eu pudesse passar-me para dentro desse sonho e saber-me com algum tempo, que me provasse que a idade é uma constante a remediar as várias faces escondidas num labirinto onde mora a saudade do tempo. Sofro mas deixo-me ficar estendida numa mera casualidade, que é saber-me presente, mesmo que a idade seja uma inconstante a brilhar no escuro. Gosto destes pontos terminais onde encontro toda a idade que me fez vir aqui, contudo, não sei se me proponho a viver um sonho meu, sem te saber dentro, mais atento do que eu, quando tiver que partir. Preciso de ti, neste meu caminhar adentro do meu sonho, para que no final eu sinta que há tempos ainda por definir e idades ainda a surgir dentro do meu olhar.

Saberei sempre o que ficou por dizer quando me olhares nos olhos e me disseres qual a cor que eles assumiram; se a cor das águas do mar;se as cores do vários céus nocturnos onde me escondo para que me vejas a decifrar nomes, e mais nomes, que comigo se encontram, para a soma de outras idades encontradas em todos os sóis e todas as estrelas que baixam a tempo de encontraram o meu corpo…Para nele se encontrarem também sem idade.

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http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=159085#ixzz14PPXzvPL