sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Dita-me um poema!


Dita-me um poema! 
...na relação com o universo dos sentidos mais profundos. 

(onix)

Sê o Poema


A forma do poema é a escultura que morre às tuas mãos antes de tu o saberes. 
Por isso sê o Poema!
Por isso ausenta-te da forma!
Por isso, sê o Escultor, nunca a escultura breve e decadente.
Por isso, Ama tudo como se tudo fosse um Poema.

....dita-mo antes que me esqueça, como um verso fora do seu tempo.

ÔNIX

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Luz


Não temo a solidão 
Nem a morte
Que nela faz ruído

Serei a luz
Reflectida no seu rosto
Serei tudo o que nunca
Me lembrei de Ser
Enquanto viajante
Pela longitude
Do mesmo espaço

ÔNIX

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Temo os dias...

Na contemplação das águas antevejo as longas horas de silêncio, que, abruptamente se deixam por ali ficar... a remoer, emaranhadas na suave textura dos reflexos da lua, que, ora tímida, ora indiscreta, consente-se no avolumar das horas, ser só mais uma sombra.
E, assim sendo, nem o meu corpo se prestava a ser nada mais do que um sombreado a balançar na corrente.
Temo os dias profundos, nos fundos.
Temos as horas deitadas nas sombras das águas.
Um tremor a mais por sentir o meu corpo a tremer, por dentro de um fundo, onde morrem as sombras.
Um olhar adiante, a entrar pela quilha de um barco atracado no cais...a navegar...
Somente um náufrago no caminho sombreado das águas.
Um relógio antigo a balançar como um rasgo de tempo, dependurado num dos bolsos.
Um tempo marcado pelos estilhaços dos ponteiros tortos a dançarem por dentro, entre o vidro quebrado.
Temo a vida das sombras deitadas no rio.
Temo as sombras dos barcos, e até as sombras provenientes dos reflexos lunares.
Temo o meu lado lunar e o teu, na entrega a um baptismo sombreado.
Temo tudo o que se move nas sombras e não dá as caras, e os olhos, e a boca para um beijo trocado.
Simplesmente um beijo com alguns salpicos da lua.
ÔNIX

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O meu lugar


O meu lugar há muito que foi escolhido 
e o meu caminho 
há tanto tempo traçado no pó que pisas

Não me tentas
não me vendo, não me compras
não me cega
a luz de néon dos teus olhos

Vira-te de frente para o Sol
comunica com o que pronto 
aí dentro
espera para nascer

Fala em voz alta
que te ouça 
no último canto da verdade
a efémera contagem dos tempos

Abre os olhos e vê
o que nunca viste sentenciado
aí dentro

Fecha os olhos e sente 
o que nunca sentiste na dança
dos sentidos todos acordados

Não me tentas
num sonho há muito esquecido
pelos caminhantes
em busca de néons futuristas

Não me iludem
sóis e luas distantes
não receio os mediáticos 
simbolismos 
desenhadas no pó do caminho

Não me tentas!

ÔNIX/DM


Vamos embora


Não caminhem atrás de mim, mas admitam um caminhar lado a lado.
Não me dêem a mão, mas os sentimentos com os quais escrevem a palavra AMOR.
Não me sigam. Abracem antes a fonte de energia que nos liga.
Que não se admitam silêncios rasgados pelo vento, que o vento caminha solto com assobios desnorteados.
Que não se desista de pensar, quando o vento corta o pensamento em bocados.
Que não se desista de Ser, quando o querer for demasiado e o Crer beatificado.
Mas ainda assim que não se desista de orar.
Queimem-se todos os incensos.
Meditemos na construção de um novo Templo.
E, vamos, vamos embora.

ÔNIX

Preciso de Ti

Preciso de Ti
Preciso de Ti, são, nu e liberto das correntes do passado
Preciso que saibas agora quem Eu Sou
Preciso de Ti, firme na vontade de me seres por dentro
Preciso que me ouças num grito sufocado
Preciso de Ti, fogo e água
Preciso que vejas nos meus olhos, o tempo que passei a ser chama acesa, e mar e rio por ti
Preciso de Ti, terra e ar
Preciso que te afundes na minha boca, e sejas um sopro quente nas raízes ainda tenras do meu corpo.
Preciso de Ti, cingido em mim na força que só um abraço contém
Preciso que sintas o quanto de céu envolve o meu baixo-ventre
Preciso de Ti, junto ao Portal ainda fechado
Preciso que saibas quanto de réstia de tempo ainda possuo para subir por ti acima
Preciso de Ti, como se fosses o meu único céu
Preciso que saibas do meu olhar sobre o último voo arquitetado nos desígnios de Deus

ÔNIX

Nós



Irás acontecer! Saberás como, e porque sempre nos encontramos na vida. 
Um dia saberás como amar uma parte do Todo, que ainda nos falta a Nós.

ÔNIX

Não sei que dor é esta


Cruzei-me com o mar, o rio e o vento
Neste ermo e outra encruzilhada
Se me dei tanto e fui o seu alento 
Na hora certa me foram só um nada

Não sei que dor é esta que sustento
Se na dor não sinto um nada sufocada
Não sei se o amor quer ser o meu alento
Ou se foi já minha alma em debandada

Sempre fui cedo e sem demora
Dizer-me em todas as muralhas
Mas tarde sou somente agora

Mulher em todas as jornadas
Plebeia em todos os caminhos
Um ser que sente todas as nortadas

(Dolores Marques – 2012)
Foto no Rio Tejo - Zona Oriental de Lisboa.