quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Se hoje fosse o último dia

Se hoje fosse o ultimo dia do ano, ficaria revoltada, se não conseguisse escrever-te uma última carta
Se hoje fosse o último, dos últimos dias do ano, ficaria assim caída, e os meus dedos seriam a presa fácil de um teclado vivo

domingo, 26 de dezembro de 2010

Onde os segredos ganham forma



A noite neste lado da serra é uma noite inquieta, uma noite sofredora pelos ventos que carregou em vida. É somente uma noite através da única luz reflectida dos momentos que ainda sobrevivem de outras noites. Esta é agora a minha noite. Tenho-a inteira sobre os meus olhos, apesar dos pingos de chuva que se ouvem cair nas pedras da calçada. (Gostava do tempo que me fazia percorrê-la e senti-la sempre uma nova calçada nos meus pés imaculados, pelo toque de mãos virgens cálidas, e sem norte).

A neve que escorre do único talegre, que se avista ao longe por entre as serranias, é o indício de que novas divindades descerão dos céus . Contudo, a noite sofre pelos tempos idos e não tidos na sua fronte decepada, nos longos caminhos que percorreu em vida, e o dia, esse não lhe dá tréguas e traz sempre em todas as manhãs, um novo formato, de como deixar de ser noite, para passar a ser um posto erguido nas fronteiras onde os segredos ganham forma. (Os entrudos esperam por todas as páscoas, para nos lembrar que os moribundos descem das encostas, quando Dezembro é em todos os Natais, a força que nasce em cada dia. Enquanto isso, em cada rosto aguarda-se o dia certo, para ser mais um corpo na montanha, espera-se por um novo mundo que renove todos os olhares e pelo resgate da humanidade enquanto força una, num único Universo, onde os duendes ainda têm olhos e as forças contidas num rosto cativo, ainda trazem as lembranças de quando se faz tarde num rosto inocente.

Caminho sobre a noite, mas ela é o silêncio de todos os meus passos, de todas as lembranças que trago de outras noites, onde as luzes dos candeeiros se apagam sempre á mesma hora. É lá que me dispo de um corpo que me é o inverso. Tenho nos olhos a doce figura de uma lembrança de outros tempos, mas não posso ficar indiferente à transfiguração humana que carrego, desde que a vida se transforma a cada passo que dou, na calçada que me descobre os novos passos

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Revolução Celular Interna




Convidei-te para te sentares à minha mesa, saboreares do meu banquete e beberes do mesmo cálice que me traz a vida, que me tem vida em todos os licores doces que bebo quando sentes a sua suavidade, o seu cheiro proveniente das uvas maduras, esmagadas pelas minhas próprias mãos. Tenho-te em todos os momentos que meu corpo me pede em jeito de oração, para que as noites sejam só um mero episódio no tempo, e que esse mesmo tempo, seja a dádiva presente, o amor que reside em mim desde que o mundo é mundo. Amo, não quem a vida te transformou desde que aqui chegaste, mas tudo o que te deu origem – a própria vida que brota agora das tuas mãos, e que também te fez Homem a caminhar sobre a terra, onde eu também estou.

Tens a força das terras altas, onde as pedras são detentoras de uma magistral forma elevada de ser. Por isso, te sinto assim, uma força a rasgar todas as frias emoções que me extravasam a mente, colidindo com o meu corpo e aconchegando a minha alma aos teus dedos ainda virgens, aos traços coniventes com o meu olhar onde te encontro, sempre que faço da minha entidade viva, a força que me há-de levar inteira a um reino ainda a existir. É um lugar onde as palavras se encolhem sempre que as esquento, para caberem nas minhas mãos. Sentir-te nas minhas palavras, conhecendo-lhes a verdadeira sensação que provocam em todas as células do meu corpo, formando uma pequena revolução celular interna, talvez… Sou genuinamente uma leve ornamentação colhida de primaveras de outros tempos, de outras madrugadas ainda em renovação, para que o dia seja aquele traço infinito a decalcar-me a longitude dos meus braços, a transformar em ramos as minhas mãos e em folhas os meus dedos. Serei sempre uma duradoura imitação barata de uma figura tua, prestando-se a seguir viagem por todos os lugares onde já estive. Deixaram-me seduzir pelas gloriosas lutas de outros homens, que já caíram e que e a terra absorveu como raízes doutros tempos, em que a força era uma forma de atingir os céus. Agora nada me fará acatar outras formas de vida que caibam nas tuas mãos. Sou só uma lenda nos teus olhos de lince a barafustar a terra em busca de um novo solo, e grão a grão, semearás novas sementes, e novos caminhos se abrirão.
Caminho só, e tão-só como nasci hei-de morrer e renascer em cada momento que me fez mulher enquanto força sobre a terra: mãe tornado, mãe vento, mãe serra, mãe rio (do meu rio), mãe lava de um mesmo vulcão a seduzir todas as águas dos oceanos, mãe terra a esburacar a mundo e a levar novas missivas, detentoras de coragem a quem quiser todas as formas de vida moldadas nas suas mãos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Onde estão todos os poetas?


A marca de todos os poetas que sem saberem que o são, são-no na proporção das palavras que escrevem.


Onde estão todos os poetas que cairam, por não saberem onde marcar com as suas palavras um pouco de chão?


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dá-me o fim deste tempo na tua boca (De Guel-Vaques)



Tenho um dia cheio de horas e um maço de folhas em branco para te ver esta noite, até, que me acabem os cigarros. Dá-me o fim deste tempo na tua boca, quando chegar sábado, a beber pelos buracos e garrafas partidas na calçada, depois do sol. Estou farto do mundo e de tudo, e de como me vejo, sempre no desencontro das palavras, em bons dias quase a meio da tarde. Trago a culpa dos copos a mais e noites vadias marcadas nos corpos sem rosto, funda no peito. Faltam muitos espaços ao tempo, para o teu beijo matinal, enraizado na terra de nós dois entre os lençóis brancos. E hoje acordei tão tarde nos teus olhos. Queria essa tarde nos Himalaias a demorar uma vida, inteira nas tuas mãos, como nunca a tive nas minhas. Há tanta gente que anoitece nos meus olhos, que já não sei como olhar para tanta gente, amanhã, quando andar com o dia cansado nos pés pela rua, assim, como todas as árvores a morrer de pé. Quero me levantar cedo na seda da tua pele e adormecer mais uma vez na suavidade do teu perfume, até me levantar cedo para o dia. Faltam muitos espaços ao tempo na manhã do teu beijo. Dá-me o fim deste tempo na tua boca, antes que seja domingo, e não a perder mais na minha. Tenho um dia cheio de horas e um maço de folhas em branco para te ver esta noite.Tenho um dia cheio de horas e um maço de folhas em branco para te ver esta noite.

Texto de Guel-Vaques (Nuno Marques)

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Nuno,
Ter na medida certa de um desejo, um desejo de ter todas as folhas onde se possam escrever os desejos de uma vida inteira . O corpo aguarda pela concretização de todos os desejos da alma, a alma é seguidora de todos os passos que o corpo dá, em busca da tal chama que o guia, indicando-lhe os vários caminhos e os vários rostos, em olhares que se perpetuam na imensidão de um sentimento, onde cabem todos os rostos do mundo.

(À noite, a visão é uma oferenda desafiando os momentos que temos para nos dizermos e nos trazermos mais e mais, de algo que sabemos que existe, mas que tememos, só de o saber tão perto…)

Um imenso prazer ler-te e divagar pelas tuas palavras

Dolores Marques

Unicidade das coisas


Se a vida fosse só um simples
trinar de uma guitarra
cantaria eu
cantarias tu
cantaríamos nós
cantariam todos aqueles
que sabem que a vida é um som único
a germinar no ventre da terra

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Pensar

Recuso-me tantas vezes a pensar.

Já pensei tanto que até o acto de pensar me faz sair de um sítio comum onde vivemos todos

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=159893#ixzz14yO0sPmF

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

...costumo pensar que não tenho idade

(Imagem google)


Saber se a idade é um caminho, ou se a idade é um livro aberto que nos faz caminhar sozinhos, será antes de mais uma súmula de predicados nossos a esvair-se num punhado de sonhos que por não saberem cair na desordem , andam de mão em mão, a tentar encontrar a ordem natural das coisas. Vejo-me por entre as feridas abertas de um rosto, que ao sorrir, se desfaz na tinta fresca de um desenho, e depois faz do desenho uma soma de gestos quase a atingir as forças de dois pensamentos loucos a caminhar sobre o meu corpo.

A idade é um conjunto de vivências que eu costumo chamar de experiências com ida e volta, no meio de uma louca viagem ao fantástico mundo dos sonhos. Será aí que a idade se transforma em todos os rostos que já conheceu, em todas as vidas que já viveu, em todos os corpos onde se escondeu, em todos os olhares onde se esqueceu de ser idade. Eu costumo pensar que não tenho idade. Sei-me perto de um mar profundo, fico lá até que a água me traga à superfície e me diga de um mundo onde a idade surgiu. Abandono este meu, onde me afogo neste pensar sem idade, vendo-me sem rosto, sem corpo, sem alma, sem nada que me diga onde foi parar a idade que me acolheu. Penso, penso e nada me diz nada, pelo menos de uma negação, ou de um encaminhamento de algo, ao encontro de outros nadas a viajar no espaço…. Este que ocupo passou-se para o indefinido e traz-me sempre uma história de vida que já morreu. Se conseguisse no entanto, ser algo que servisse de contrapartida, para que, pelo menos um sonho se materializasse. Se eu pudesse passar-me para dentro desse sonho e saber-me com algum tempo, que me provasse que a idade é uma constante a remediar as várias faces escondidas num labirinto onde mora a saudade do tempo. Sofro mas deixo-me ficar estendida numa mera casualidade, que é saber-me presente, mesmo que a idade seja uma inconstante a brilhar no escuro. Gosto destes pontos terminais onde encontro toda a idade que me fez vir aqui, contudo, não sei se me proponho a viver um sonho meu, sem te saber dentro, mais atento do que eu, quando tiver que partir. Preciso de ti, neste meu caminhar adentro do meu sonho, para que no final eu sinta que há tempos ainda por definir e idades ainda a surgir dentro do meu olhar.

Saberei sempre o que ficou por dizer quando me olhares nos olhos e me disseres qual a cor que eles assumiram; se a cor das águas do mar;se as cores do vários céus nocturnos onde me escondo para que me vejas a decifrar nomes, e mais nomes, que comigo se encontram, para a soma de outras idades encontradas em todos os sóis e todas as estrelas que baixam a tempo de encontraram o meu corpo…Para nele se encontrarem também sem idade.

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http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=159085#ixzz14PPXzvPL

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O rio que se cuide

Gastar meias solas no passadiço
desarmar todas as correntes
que aprisionam as nascentes a Norte
e condicionam as afluentes a Sul...
tenho dito...

O Rio que se cuide

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Coleiras com bico de ferro


Se justos forem os justos, então maior justiça haverá nos que reiteram a sua própria justiça. Não me incomodam os que reclamam a verdade num mundo de intrujices, mas sim os que se assumem verdades inteiras, quando de verdade só têm uma objectiva de longo alcance.

Hoje sonhei com um cão abandonado. O seu dono fez justiça com as suas próprias mãos. O cão sofria por ver que a verdade dele passou a ser parte de uma verdade do seu próprio dono. Trazia uma coleira com bicos de ferro, e uma placa gravada com o seu nome. Quando me tentei aproximar, para mais de perto poder decifrar-lhe as letras que formavam a palavra com o seu nome, abri os olhos. A verdade dele passou a ser a minha, no preciso momento em que fiquei sem palavras para poder descrever o local de abandono de todos os animais com coleiras de bicos de ferro.

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Terra prometida

(Acrílico em tela - Dolores Marques)


Os amigos recebiam-na sempre de braços abertos, mas ela como se fechava para a vida, esticava-lhes um beijo assim ao de leve, só a roçar uma pontinha de pele. Olhava em seu redor, com os olhos esbugalhados e o seu ar extasiado, como se tivesse entrado num outro mundo. Ali era o último encontro daquela raça, para que todos se olhassem bem e imprimissem as imagens que nunca mais iriam ter na frente dos seus olhos. Seria o dia da última sagração dos homens na terra, que ainda se encontrava revoltada pelos bicos de ferro e pelas foices afiadas, que cortaram a eito todas as raízes que mantinham ainda a forma erguida para a última colheita.
Tinham chegado ao ponto de encontro e todos se mantiveram de pé até chegarem os últimos pregadores da demanda que os iria levar à terra prometida. Aquela já não lhes servia para nada, depois da decadência e do desmazelo a que todos se habituaram. O sol já não lhes aparecia com as mesmas cores durante o dia, a noite era um círculo fechado aos reflexos da lua, as estrelas apagaram-se quando da sentença do ultimo comité de naves que sobrevoaram os céus. Os mares evadiram-se até à linha do horizonte, tinham já naufragado todas as embarcações que transportavam novas espécies para a sua colonização e o azul do céu, diluiu-se perante as cores do novo arco íris.
Ali se sentaram de pernas cruzadas e de mãos dadas em jeito de ritual, unindo esforços para que todos fossem uma única força que os levasse ao destino que estava prestes a deixar-se seduzir pelas novas agitações da nova era.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Momento inesperado (para Clarisse)




Ônix- Se eu pudesse dizer-te de mim num tempo em que era mil e mais mil, e mais mil estrelas a baixar a luz, a reluzir por dentro e por fora de mim, trazia-te todo o meu universo estrelar. Mas linda Clarisse - estrela cadente no meu olhar, só posso dizer-te de uma força a tentar alcançar metas, metas inatingíveis aqui, mas que estão lá bem dentro desse novo olhar de que falas, quase, quase a atingir a grande e agitada nova era.

Dakini – Seria só preciso um momento nosso, para que as duas pudéssemos atingir as novas fases de uma lua em estado crescente, e na noite seríamos mais do que um movimento estrelar. Seríamos o todo, a tentar atingir o horizonte dos teus olhos.

Epifania – Há olhares assim que de tanto esmiuçaram o ar ficam cegos. Se a Ônix quiser empresto-lhe um dos meus olhos que estão ainda em fase de rescaldo. Será um momento daqueles, quando se virar ao contrário e conseguir atingir metas mais de acordo com o seu rastejar. O que vale é que ela coloca-se breve, muito breve, na posição horizontal.
Ainafipe – Tens razão, empresta-lhe um dos teus, que eu empresto-lhe um dos meus. Quanto a ser um movimento, só se ela conseguir circundar todos os movimentos que a tentam destabilizar. A orientação para cima é um acto de boa vontade e de olhar em frente. Será que esse olhar atinge todos as metas inatingíveis num abrir e fechar de olhos? Duvido. Há muitas poeiras a formar nuvens na atmosfera. Precisamos dizer-lhe que se acomode nos nossos olhos.

PS: Clarisse, um momento inesperado, é muitas vezes, aquele que traz dentro, um monte de surpresas boas, que nos dizem que há pessoas assim, que em qualquer canto do mundo pensam em nós. E o pensamento atinge um novo movimento que a dois, se multiplica ao dizer-se e fazer-se ouvir…

Obrigada em meu nome e de outros três…4?
Ônix/Dakini/Epifania &Ainafipe

Muito, muito obrigada, linda Clarisse
Dolores Marques

O universo estrelar das unhas que se roeram, das noites que se passaram sem sono, no sonho para além dos limites no novo rumo, uma inatingível constelação abrange a nossa pequenez, aqui. Ao contrário do que se poderia supor à primeira reflexão, a opressão não acontece, antes uma epifania da nova era, pela qual as nossas entranhas se rasgam nos suplícios do peso material que se suporta. O conhecimento do desconhecimento faz sede, fome, rodopios em movimentos ziguezagueantes ao sabor de sons sem formas ou normas. O estado original é mesmo ali, no infinito que mora aqui. A simplicidade do Ser poderia ser o caminho triunfante, mas as nuvens e poeiras poluem os nossos olhos físicos, e não sabemos dos outros… Outros caminhos surgem, paralelos, mais longos, outros sem saída.
Querida poeta, é apenas um pouco do mundo que sinto quando a leio…Ônix/Dakini/Epifania&Ainafipe, beijos e abraços!

Clarisse Silva

No pairar do delírio das estrelas (poema dedicado por Clarisse)




Há uma compreensão avançada
A léguas deste tempo.

Há um desmistificar num novo olhar
Da existência antes de cá chegar.

Há na leveza da Luz,
A melancolia de aqui se encontrar
Com a certeza de presenciar,
Ao esgotamento dos recursos
Ao reorientar do pensamento
E a chegada de um novo estado.

Há uma Luz intensa a cintilar
Uma viagem garantida ao apreciar
O sentido da vida e do universo
Tomam a forma de um verso!

No pairar no delírio das estrelas
O deslumbramento redescoberto.

Amálgama de emoções,
Ponto de partida da vida
Ponto na viragem nascida
Do princípio do fim.

O verso,
É beijo no centro energético
No sexto sentido,
Em sentido do universo.

O verso,
É o despertar para o além
Na força a brotar
E na queda no cansaço.
Há, para além de tudo
O tudo que é o além
Da existência…
Os versos que nos beijam
E que tentam despertar,
A realidade oculta.

Há constelações,
Há emoções!
Há a força das marés
Na esperança que nos conduz
E nos bombeia de Luz!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Verdes anos



Estou aqui
Neste caminho
Construído a pulso
Pelas tuas mãos
Nesta terra
Amanhada com a força
Dos teus braços

Alisaram-na como um ancinho
Pronto para descobrir
As ramagens ainda verdes
E os teus dedos
Nada me diziam de um ponto
A apontar o futuro

Não me lembro
Quando te retoquei os lábios
Com a minha tez pálida
Nem quando me curvei
A teus pés
Para que visitàssemos
As memórias de um tempo
Em que éramos a verdade
Nas sementeiras da Primavera

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os heterónimos de Fernando Pessoa




Alberto Caeiro - o mestre de Fernando Pessoa

Nasce em Lisboa e viveu quase toda a sua vida no campo.
Não teve profissão nem educação quase nenhuma.

Através da sua poesia, podemos caracterizá-lo como um poeta que vive o presente, o aqui e o agora. Ensina que o melhor será viver sem dor, sem angústia e combater o vício de pensar e ser um ser uno (não fragmentado). ” O que penso eu do mundo?, sei lá o que penso do mundo” Eu nunca guardei rebanhos”

É um sensacionalista. Vive de sensações e de impressões, sobretudo visuais. Identifica-se com a natureza “O meu olhar é como um girassol”. É o poeta do real e do objectivo, recusa a introspecção e a subjectividade. É um poeta lírico, espontâneo, ingénuo e inculto (S/Form Académica). Vive o presente, o aqui e o agora, não faz planos, não recorda. “sou um guardador de rebanhos” penso com os olhos e com os ouvidos”

“Nunca ouviste passar o vento, o vento só fala do vento, o que lhe ouviste foi mentira e a mentira está em ti”

O estilo poético apresenta uma linguagem simples, transforma o abstracto no concreto através da comparação e da metáfora.
Liberdade estrófica e ausência de rima.


Ricardo Reis – o discípulo de Caeiro

Nasceu no Porto
Educado num Colégio Jesuíta. Formou-se em Medicina
Por ser monárquico, partiu para o Brasil


Os temas da poesia de Ricardo Reis, são ligados ao epicurismo. Esta filosofia (modelo do gregos) defende a fruição do momento presente, a aceitação calma da ordem das coisas que pode ser possível através da disciplina para alcançar a felicidade. “logo que a vida não me canse, deixo que a vida por mim passe”
Os gregos são o modelo da sua sabedoria – aceita o destino de uma forma digna e altiva


É um discípulo de Caeiro e como tal elogia a simplicidade da vida campestre, é indiferente ao social. Embora se note algum medo da morte, é importante ter consciência de que vida é passageira, e pensar que o amanhã não existe “vem sentar-te comigo Lídia à beira do rio, que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.”

Em suma este heterónimo é um clássico, Inteligente, Culto, Austero, Disciplinado. É o poeta da razão. Aceita a vida tal como ela é, saber viver o presente “Carpe Diem”

O estilo poético apresenta estruturas estróficas mais clássicas e um vocabulário pensado com muito rigor. Frequente utilização de latinismos.


ALVARO DE CAMPOS

Álvaro de Campos é o heterónimo que percorre uma curva evolutiva que assenta em 3 fases:

A 1ª fase é reconhecida por ele próprio como uma fase decadente, que deixa de o ser quando o mestre Caeiro o acorda para a sensação e uma nova alma.

Desponta para a 2ª fase (a futurista) com vitalidade, amor ao ar livre e ao belo feroz, condena a literatura decadente e usa a inteligência e a força através da emotividade individual. O seu estilo é agora esfuziante, torrencial, espraiado, anafórico, exclamativo, interjectivo.

A 3ª fase mostra bem a curva evolutiva de Campos ao transpor para a poesia os seus pensamentos, imagens que lhe ocorrem num estado de semi inconsciência, à deriva. É a fase pessoal intimista, onde reina a sinceridade e o seu lado humano.

É o heterónimo que mais se assemelha a F. Pessoa ortónimo no cepticismo, na dor de pensar no tédio, náusea, desencontro com os outros, nostalgia da infância e sobretudo na dispersão do eu.

A origem dos Heterónimos - Fernando Pessoa




Quem melhor do que Fernando Pessoa para falar sobre ele? Num excerto de uma carta a Adolfo Casais Monteiro, ele explica o modo de falar de si tomando-se sempre por outro.

- Desde que se lembra de si próprio, teve tendência para criar um mundo fictício e se cercar de personagens, que transforma em amigos, e conhecidos que nunca existiram. Ocorria-lhe uma ideia, dizia-a espontaneamente como sendo de certo amigo seu ao qual acrescentava uma história, e traçava o perfil humano; cara, estatura, traje e gesto trazendo-o para a vida real. Teve várias fases, mas esta sucedeu já na maioridade, a tendência para criar em torno dele, outro mundo igual, mas com outra gente que ele ao fim de perto de 30 anos vê, ouve, sente e tem saudades.

Os Poemas e o renascer dos heterónimos: Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos

Por volta de 1912 surgiu-lhe a ideia de fazer uns poemas de índole pagã, esboçou umas coisas em verso irregular, abandonou o caso, esboçara-se contudo um vago retracto da pessoa que estava a fazer aquilo. Tinha nascido Ricardo Reis. Em 1914 lembrou-se de inventar um poeta bucólico de espécie complicada, escreveu trinta e tal poemas a fio numa espécie de êxtase, foi o dia triunfal da sua vida a que deu o título “O guardador de Rebanhos”. Aqui surge Alberto Caeiro, o seu mestre. Arrancou do seu falso paganismo Ricardo Reis, descobriu-lhe o nome e ajustou-o a si próprio. Impetuosamente um novo indivíduo lhe surgiu, e sem interrupção nem emenda escreveu a “Ode Triunfal” e com ela surge Álvaro de Campos.

Em síntese ele explica como escreve em nome dos três. “Caeiro por pura inspiração, Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, e Campos quando sente um forte impulso para escrever sem saber o quê”. Porém a imaginação de Pessoa vai mais longe, ele constrói-lhes as vidas atribuindo-lhes identidades com personalidades próprias. Os poemas resultado da criação do poeta, são adaptados quer a um, quer a outro, o que nos leva a pensar que os heterónimos são a sua fonte de inspiração.

A Identificação dos Heterónimos:

Ø Ricardo Reis nasce a 1887 no Porto, é médico e desde 1919 vive expatriado no Brasil é um latinista e um semi-helenista.

Ø Alberto Caeiro nasce a 1889 em Lisboa e morre a 1915, não teve profissão nem educação quase nenhuma. Morreu tuberculoso.

Ø Álvaro de Campos nasce a 1890 no dia 15 de Outubro em Tavira. Fez o liceu e foi para a Escócia estudar engenharia naval.
(Escola Sec D. Dinis, trabalho soliciatdo por Prof. Dra. Camo Miranda Machado)

Fernando pessoa - Ortónimo





Fernando Pessoa nos seus poemas utiliza várias características da sua personalidade, falando dele próprio. Domina os seus pensamentos e os seus sentimentos e sente-se obcecado pela análise que faz deles. “ A dor de pensar”

A poesia de F. Pessoa é essencialmente irónica e cheia de introspecção. Ele põe tudo em questão, “Eu simplesmente sinto com a imaginação, não uso o coração”

O poeta sente-se angustiado e melancólico e com uma resignação perante a impossibilidade de viver a vida.

Poesia cheia de egotismo exacerbado, cepticismo, sensação de tédio, encontrando-se numa solidão e desamparo – abandonado desde a infância “ A infância que não houve”

O poeta sente inquietação sobre o enigma do mundo – o querer saber onde estamos e porquê, a procura do absurdo. É um ser fragmentado perdeu a identidade “O Eu Fragmentado”

Para Fernando Pessoa, a vida é sonho, é ilusão

Arte Poética de F. Pessoa

Nos seus poemas F. Pessoa tem preferência pelos versos curtos, o uso frequente da quadra e nela o gosto pelo popular.
Existe também um lirismo lusitano (Influências por cantigas de embalar e contos de fadas)
A linguagem é simples espontânea mas sóbria
Os seus versos são leves e recorre frequentemente à interrogação e às reticências.

O Modernismo -C/ Fernando Pessoa

O modernismo assume-se e encerra o humanismo. Assiste-se a um movimento estético, com uma nova concepção na literatura em termos de linguagem e associado às artes plásticas em geral.

Em 1913 em Portugal, surge a geração modernista com Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário de Sá Carneiro, Amadeu de Sousa Cardoso, entre outros. O requinte e a audácia são visíveis e influenciados pelas novas formas de pensar vindas da Europa.

Em 1915 este grupo modernista português lança a Revista Orpheu , e com ela o poema “Pauis” de Fernando Pessoa é um marco no início desta nova corrente.

Algumas Características:

A liberdade criativa
Novas formas de pensar e sentir
Cepticismo social
Sarcasmo/Ironia
Agressão
Vertigem das sensações
Grandeza da máquina (tecnologia)
Excentricidade
Mistificação

(para a disciplina de Português - Leccionada pela Prof Carmo Machado)

A Mulher vista por Cesário Verde



A DÉBIL

1. Cesário neste poema caracteriza uma mulher bela, frágil e assustada. Ela é loura e fraca mas muito natural, a sua roupa simples mas elegante e sem ostentação, realça a sua cintura terna e imaculada. Por isso ela passa indiferente aos olhares dos outros, e é vista como uma mulher recatada ténue, dócil e recolhida aos olhos do poeta. Por isso vê uma beleza calma pelo pulsar alegre e brando do seu corpo e uma timidez comparando-a com uma pomba.

2. O poeta julga-se feio, perante a beleza dela mas ao mesmo tempo sólido, e leal. Atento à passagem da mulher observando-a dado o interesse que ela lhe provocou, nota-se uma certa preocupação e vontade de a proteger da cidade corruptora. Decidido a dedicar-lhe a sua vida considerando-se um homem varonil, hábil prático e viril, prestante, bom e saudável

3. 1“Sentado à mesa de um café devasso”. Um café velho mal frequentado onde as pessoas bebem para esquecer as tristezas. “Babel tão velha e corruptora”. Muita gente com várias formas de estar na vida- as mais honestas e as menos honestas. As classes mais favorecidas e os desprotegidos “Quando socorreste um miserável” – Ser humano nas piores condições pertencendo a uma classe social desfavorecida em contraposição com: A política e a religião lado a lado fazendo este grupo, parte da classe dos favorecidos, quando ele os apelida de “Uma chusma de padres de batina e de altos funcionários da nação”, comparando-os a um “Bando ameaçador de corvos pretos”.

3.2. Na última estrofe o poeta faz a comparação entre a mulher fraca, dócil e recolhida e ele próprio homem varonil, hábil prático e viril. Desejo de protecção achando que ela e ele se complementam dedicando-se um ao outro.

3.3. O contraste com a babel tão velha e corruptora, que o poeta pinta com as palavras no seu estilo pictórico vêm as cores claras de um dia de sol, comparadas com o amor da mãe que a aguarda. Para o poeta é um dia soberbo, que ele considera um bom dia e reflecte o respeito pelo semblante da mulher que ele considera a mulher ideal para formar uma família.

3.4. Perante a fragilidade e o embaraço da mulher numa cidade grande cheia de gente que ele chama de povo turbulento, e de bando ameaçador de corvos pretos, o poeta sente receio que lhe aconteça algo desagradável. Aos olhos dele poeta, ele compara-a a um pombinha tímida que precisa de protecção.

4. Dois seres vivendo no mesmo espaço mas com características diferentes, atendendo a que existe o feminino em contraposição com o masculino que se complementam perante fragilidade e a doçura da mulher e habilidade e a virilidade do homem. A mulher desperta um interesse no poeta pelo seu semblante e a sua postura que ele aprecia, surgindo o desejo de protecção pela sua fragilidade e timidez. Este tipo de mulher desperta no poeta e no homem em geral um interesse cujas características físicas se contrapõem. O homem forte e a mulher fraca.
(Análise do poema "A Débil" solicitada por Drª Carmo Machado - professora de Português na Escola. Sec D. Dinis)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Estado Original



Quero falar-te de um sonho que se acomodou bem no centro onde tudo acontece, enquanto me preparava para amortecer a queda, numa queda de água fresca que enche os trilhos da montanha e os transforma em correntes fortes em forma de cascata. Há nelas um caminhar descontinuado polidor dos rochedos, mas é lá nos terrenos áridos, que a minha fuga é muito mais do que uma simples desistência, se pensar nas partículas desagregadas que a água transporta, onde se encontram ainda, os nutrientes das fragas em estado original.
Sempre que me embrenho na gigantesca floresta, vislumbro um sol nascente em meus olhos e um calafrio no dorso, centralizado num espaço onde habitam figuras sem formas, andrajos do corpo a perder-se na neblina.
Se quiseres olhar para dentro de um cenário onde a luz se esconde, verás que há um miraculoso entardecer e um pôr-do-sol, onde tudo se perpetua, sempre que te mostrares livre de qualquer forma e um tudo-nada subjacente ao teu olhar para o mundo.
(Imagem google)

domingo, 1 de agosto de 2010

Dimensões XII (Até à próxima Primavera)


Por muito que os meus olhos me mostrem que a minha força, reside na luz que me foi dada à nascença, tenho sempre presente que a morte acaba sempre por vencer a vida. Apesar de me saber tal como todos, um ser de luz, esta, apresenta-se com uma tonalidade diferente, este foco que vem como um furacão e esmiuçar o passado, a esconjurar o futuro e a eternizar o presente através das vestes de uma alma que se escondeu por detrás da minha sombra. Essa, tem sempre um destino para mim, não fosse eu, um ser mortificado em vida, esmiuçado em amor, e desafortunado em sonhos. São tantos os sonhos que me mostram novos caminhos, através da morte de todas as células, de todos os poros da minha pele, de todos os traços do meu corpo, e eu não o sinto, não o vejo, não o considero meu, porque nunca foi meu, mas sim teu, a perfurar-me a carne, em experiências de quase morte, uma morte tua sempre que o teu pensamento, se funde no meu. Mas agora, esta ausência de vida, encaminhou-se para as profundezas de um mundo desconhecido, e lá, ela encontra-se uma figura em tela branca desenhada e particularizada em todos os pontos escuros que só brilham na noite.


Continuo por aqui, em busca de algo que me faça não ter medo da morte. Sim, porque a minha morte, és tu, quando te encontro a viajar no escuro. É uma longa viagem, lá onde outros se escondem, por não saberem já, de que é que se morreu, se de vida plena ou de morte serena. O medo que tenho é só por ti, não por mim. Sei, sinto que voltarei à vida que me fez vir aqui, por nós, mas tu não me falas, não me tocas, não te oiço, não te vejo a aura escondida. Diz-me como nasci, para saber como hei-de morrer. Deseja-me pelo menos uma boa morte, numa hora pequenina. Não é o que se diz quando uma mãe vai parir um filho, que deixa de ser seu, quando a alma o toma por inteiro? Acusa-me de ter tido em vida, a visão fantástica de como se morre aos poucos, sem ter sentido a decadência num olhar que não se movimenta, por ter já trancado as imagens de quando nasceu. Diz-me de uma morte inteira, por ti, só por ti. Quero-me assim como vim para morrer aqui.


Sinto-te nas partículas que esmiúçam o ar que respiro, na confusão emergente de um corpo que caminha sem braços, sem pernas e sem olhos ao encontro de um corpo que foi meu, quando deixou de ser teu. Segreda-se-me um vento tardio, um limbo de olhares que me enterraram ainda antes de eu nascer. E tu não me dizes para onde ir, se para onde o meu olhar se acendeu, se para o espaço ocupado pela minha sombra que me encolheu. Oiço-te nas esquinas por onde passo, onde há mendigos sem tecto, sem alimento de um corpo que escolheu viajar na noite e acordar no meio das estrelas. Dormem como eu, sempre que as tento barricar num beco onde guardo todos os segredos, de quando a tua alma em mim nasceu.

Há imagens surreais de quando me dispo na noite e te espero, mas agora, que sei onde me perdi, vou sem parar, e viajo através da minha morte para um sítio onde ela está sempre presente. Desenho-lhe as mais caricatas figuras. Eu deitada, eu em pé, eu de olhos abertos, eu de braços erguidos, eu de cabeça feita para te dizer, que ao nascer, a morte é um caminho que sigo, mas que ao morrer, há uma vida inteira que me espera, onde guardei todas as minhas memórias, todos os presentes que a vida me ofereceu, quando a morte me disser:

- vem, é a hora certeira de uma vida que te escolheu, é agora o momento para veres que essa mesma vida, é o infinito onde reside toda a força que na tua sombra se escondeu.

Diz-me agora, como quando me segredavas ao ouvido e me dizias baixinho: é a hora, é a hora da morte vencer a vida, só até à próxima Primavera.

Dimensões X - Pobreza



“tanta casa sem gente e tanta gente sem casa”




Mas não, não poderia ser eu, na calada da noite a escalar muros, ao encontro deles, só deles. Entrei à socapa, como alguém que se presta a profanar vidas de outros eus. Na rua, os cães ladravam, os carros passavam, mas eu, sempre eu à procura de traços, de algo decifrável, mas não entendível. Agora sim, essa já era eu.

Morreram os habitantes daquele lugar. Ficaram os registos de uma vida, ou de várias vidas esboçadas nas suas tristes paredes. Mas, encontrá-las nesse lugar vazio, é ir ao encontro de muitas outras que se encontram ainda, prontas para habitar estas paredes nuas, carentes de um quadro vivo, prestes a iniciar uma nova linhagem, que lhes pintasse o sol. Mesmo na escuridão nocturna, aquele espaço era a referência de algo que me sugestionou ficar. Sim, ficar na tentativa de captar a energia daquele lugar. Cartas, muitas cartas sem destinatário, livros muitos livros amarelecidos pelo tempo. Foram lidos e relidos penso eu, mas quem marcou página a página, daqueles livros, já não deixa marcas na poeira que cobre aquele chão. Se por acaso, me pesassem os pés, ficaria ali até ao dia seguinte, mas tive medo, muito medo de me perder naquele amontoado de sonhos ao abandono. Coisas, muitas coisas em desuso que de tanto uso, deixavam a nu algumas teias de aranha que vinham morrer nos meus braços. Havia pregos de aço nas paredes, que sustentavam ainda restos de vida, muita vida que ali se alimentou, ali se perpetuou naquele espaço vazio. Havia muita água em garrafas e garrafões ainda virgens, e eu com sede, tanta sede de beber daquela água, benzida pelo tempo, mas medo, muito medo do veneno que esse mesmo tempo lhe ofreceu. Se por momentos imaginasse que o sítio onde meus pés me levaram no momento seguinte, era habitado por gente, mas desabitado na pele dessa mesma gente, teria gritado por eles; venham, aqui há de tudo, e ainda mais para vos tocar a alma; há um jardim de ervas secas, mas foi só o verão que as queimou, há um tecto para gente sem casa, há letras impressas em livros e cartas de vidas que o destinatário rejeitou. Abandonem esses lugares inóspitos, onde a verdade se assume sem nenhum gosto especial.
(Gente sem terra, nem tecto, nem nada que os fizesse voltar àquela casa vazia, mas com tudo que se precisa para se recomeçar uma vida em todas as que ficaram. Sala, quartos WCs´, cozinha, jardim, móveis, loiça, banheira, lavatório e livros, muitos livros e ainda cartas sem destinatário. Também morreu?)












“Tanta casa sem gente e tanta gente sem casa”, li eu numa das paredes tatuadas de uma cidade que já não sabe se é governada por todos os desabitados, ou se pelos cofres fortes de quem vive, mas jaz morto na sofreguidão que suas vidas lhes ofereceu. Decifrar as marcas de um tempo, é tentar descobrir quantos soalhos ele reergueu. Os cães ladravam na noite, enquanto esperavam que a casa há tantos anos abandonada, fosse mais um lugar a ocupar. Só mais um, entre tantos os tectos que existem nesta cidade, desabitados por Deus.
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(fotos DM)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dimensões XI - Comunicar (Para luciusantonius)

Olá querido amigoAntes de mais, agradeço. Imensamente agradecida pela sua comunicação, que me entrou como ponto certeiro, num Domingo de sol, de praia e de mar. Uma missiva que veio de alguém com a imensa capacidade de doar-se até ao limite, sendo que, considero que não há limite para qualquer forma de dizer-se e ser-se, e doar-se quando a génese é, sempre lá esteve e nunca se esvai. Simplesmente É, um conjunto de várias formas moldadas a nosso jeito. Tal como o homem molda o barro com as mãos, os nossos sentidos moldam as formas, formando um conjunto de emoções que nos faz ir longe. Tal como o voo do condor, assim eu me sinto, levitando na sua sombra até ao limite que ele me impuser, mas sempre tentando criar mais e mais limites, até atingir um estado que não pode ser medido por qualquer ponto na altura. (Será sempre desajustada ao soalho esgaço onde danço, e me enlaço, e me refaço). Por isso deixo-o voar alto e vou até ao ponto, onde encontro o meu voo, aquele que me direccione em sentido inverso, ao encontro de uma atmosfera que me faça respirar de novo e dizer que quero, mas quero muito elevar-me à plenitude de todos os seres que comigo queiram respirar.

Há nessa sua vontade, uma vontade minha, um querer demasiado, um sentir que me leve para longe, estando perto. Foi sempre essa, uma força minha de me encontrar em palavras que me são familiares, que me digam - fica, para comigo dançares a melodia intrínseca ao nosso caminhar. Há nas pontas dos nossos dedos um toque sereno, para que ao levantarmos um dedo, os outros o sigam em silêncio. Melodias de um corpo pronto para dançar e se enlevar, através do toque, e também de tons vários em sintonia com o mundo que somos. Preparar os ouvidos para esse exercício, quando as melodias nos entram e as deixamos penetrar-nos, sentindo a força do mar, trazendo-nos ondulações em vários tons, cores e sabores, é deitar-nos na areia, dançar, e deixar o corpo seguir até passar a linha do horizonte. Um corpo deitado na areia a dançar: primeiro balançando as pernas e com os pés desenhando pautas de música na areia; segundo oscilando o tronco, desenhando melodias num espaço aberto a quem lhe quiser tocar; terceiro, levantar os braços e desenhar no céu, um conjunto de versos; de letras prontas para nos levantar, e por último, com os dedos pentear os cabelos e decifrar-lhes as cordas de uma guitarra, viola, bandolim ou violino, e com elas tocar, até que as ondas do mar, afinem as cordas vocais atingindo por fim, um estado emergente, que nos faça alcançar todos os tons. Mergulhar no mar e sentir que a água que nos molha o corpo, molda-nos também a alma, pronta para perceber, que quando o sol se for, as cores ficaram através de uma escala maior, que toca a par com as cores do arco iris, São sete, assim como sete os ciclos que nos fazem ir, sem parar para depois regressar.

Penso que agora sou eu que estou aqui a pensar, ao perceber que está aí alguém pronto para me dar o imenso prazer de o ver melhor, de o sentir através de uma comunicação mar adentro, para comigo dançar uma ondulação diferente, onde as palavras sejam as notas musicais para uma melodia, onde os sentidos estejam alerta. Fui ouvi-lo nos seus “Barqueiros de Volga” e vi-me consigo a duas vozes, se eu tivesse ainda voz para o alcançar e olhos para o poder visitar “sem entrar por meandros”. Irei tentar. Prometo estar atenta ao seu pensar, à sua forma de comunicar, que por sinal, veio na hora certa. Sempre que penso em ir-me para perto do mar, ouvi-lo nos seus profundos sinais, alguém me diz: Vai mas volta porque aqui há mais, muito mais para ouvires, sempre que te deites sobre as palavras e lhes dês formas, alterando-lhes as formas iniciais.

Um grande prazer a sua visita à que eu lhe digo – Bem Haja por estar aíLer mais:
Dolores Marques

De luciusantónius

Querida amiga

A ti a quem não conheço mas com quem sinto necessidade de comunicar neste momento, decerto porque conheço já alguma coisa, talvez bastante coisa da pessoa que és e que tenho colhido em escritos teus só por si, as considerações de que tenho sido testemunha, falam-me de uma mulher que não está distraída nos passos que dá, no mundo em que vive, naquilo que os seus ouvidos ouvem mas, ouso dizê-lo, daquilo que os teus olhos vêm. Mas bem mais do que isso, naquilo que a tua mente pensa, nos limites aonde ela chega.A tua carta foi um desafio, que não considero comum. Comum seria uma abordagem sobre o Mourinho ou o Cristiano Ronaldo. Dá a impressão de que eu percebo de futebol, aliás não é proibido perceber-se, mas o pouco que eu percebi há muito tempo, foi-se desvanecendo. Daí me é estimulante falar com alguém de quem me sinto tentado a ser amigo sem entrar naqueles meandros. Estou a achar imensa graça e ao mesmo tempo a sentir seriedade e importância a esta tentativa, única para mim, de abordagem. Gostaria de como condor, elevar-me a altos voos, às latitudes que são as tuas. Esse complexo quase me inibiu de responder à tua carta mas, repensando, considerei que não era fundamental. Podemos ser sofríveis na nossa capacidade de comunicar e no entanto existir um lampejo de inteligência que justifica a comunicação. Devo dizer-te que gosto das palavras e das esculturas que com elas se fazem mas, se me fosse exigida a opção, eu poria em primeiro lugar a música e, já agora, a titulo de sugestão, uma peça que transporto desde a minha adolescência, quando fazia parte de um Orfeão. Refiro-me aos «Barqueiros do Volga» seria interessante que tivesses a interpretação que eu possuo. Mas eu estou a adiantar-me. Quem pode falar de preferências em música, sugerir melodia? É um mundo tão subjectivo! Mas afinal estimada amiga há tanto para dizer, tanto sobre que divagar. Neste instante sinto vir ao de cima de novo o complexo do plano em que decorrem as minhas considerações, tão modesto em confronto com o teu. Para terminar e porque é importante quero dizer-te que a amizade considero-a algo sem preço e que tenho a felicidade de amar. Acho que abusei da tua paciência e certamente fui rasteiro nos meus considerandos. Mas esta vida reclama de nós alguma ousadia e foi essa que consegui arrebanhar de mim no momento em que decidi escrever-te. Aceita a amizade deste estranho mas que tem razões para te apreciar.

(De um homem, para uma Mulher amiga
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=143206

sábado, 24 de julho de 2010

Dimensões XIX - Amizade


(Imagem google)


Os caminhos que se cruzam, deixam marcas que se querem perfeitas indo directas ao centro onde se encontra o fiel destinatário. Esse, será sempre merecedor de um registo mais ou menos próprio e de um timbre revelador, de que a mensagem chegou intacta ao seu destino, sem falhas nos dialectos utilizados. Se porventura eu me distrair, perante os movimentos que meus olhos dão, certo será, que todos os outros ficarão com a cara no chão e os olhares que se movimentam numa única rotação, serão sempre, e para sempre, revelados pela força que as palavras lhe dão. Vou aqui deixar um pequeno registo de como te sinto, que por certo, não será como te vês, meu amigo, mas mesmo assim arrisco… Se me aprouver fazer uma mera identificação, ficarei por isso mesmo, mas por agora são as tuas palavras, que me dão o teor necessário para que te sinta nas tuas palavras, sendo estas, uma realidade que me prende à leitura de ti e ao mesmo tempo, á sempre satisfação ao estar aqui junto a elas. Elas são o que de ti recebo e isso é um bem. Assim sendo, tu o serás também, e, quem assim escreve, só poderá ser alguém que muito foi, é e pretende ser na vida que lhe resta, e isso nunca poderá ser um acto solitário, porque a solidão só é, quando já nada temos para dar. Sempre que me escreveres, tentarei da maneira que sei, responder. Poderás tu nem entender porque o faço, assim como poderei eu, não entender porque tu o fazes, mas o certo é que isso nos dá prazer e são sempre estes momentos de prazer que fazem de nós, seres viventes na “terra de ninguém”.

A minha escrita, não a creio muito dada e simetrias e/ou categorias. Considero até, que nada tem de especial, a não ser o que lhe empresto/dou de mim, Como vês amigo, recebemos na medida proporcional ao que damos , e isso fez-me lembrar um tema… Interessantes os temas que abordas, deixando a nu muito de nós e do que nos toca. Gosto deveras disso, e será sempre a minha visão sobre a tua pessoa; alguém que tem muito para dar a quem quiser receber. Eu deste lado te digo, que é meu interesse receber, mas quando entenderes tu daí, que o que recebes já não proporcional ao que dás, não te inibas de seguir o teu caminho. Já deu para entender que em matéria de bem direccionar as palavras tu és mestre.

Obviamente, que tento sempre manter um contacto mais estreito com as pessoas que me estão mais próximas. Penso que somos um pouco parecidos, em alguns pontos que referiste. Sobre o amor, senti-me bem confortável nas tuas palavras, talvez por me rever em tempos idos e não tidos, e por me sentir bem no meu papel de mulher, aquele que desempenhei ao longo do tempo com todos os seus reveses e que tiveram alterações muito significativas, fruto da minha segurança enquanto procura absorvente para mudar. Mas, agora quando o tema surge em conversa, eu já não tenho pachorra para ouvir frases feitas e definições mais que gastas que só servem para banalizar cada vez mais, esse sentimento que nos move, e pergunto: “Mas afinal o que é isso do Amor?” Mas gosto de sentir que Amo, que me apaixono, só isso me faz sentir a desejada alegria e acordar sempre com um novo sorriso para a luz do dia.

De uma mulher, para um Homem amigo

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dimensões VIII - Paixão


( Foto DM)



Vazio, sim vazio, este lugar na noite. Há um espaço fechado, acabado no vazio da minha alma.
Esta voz que me fala de um abismo, onde repousam todos os corpos famintos de vida. Esta chama que me incendeia por dentro, que me diz de um momento em que o meu corpo é sopro no teu corpo; e tu não sentes, e tu não ouves, e tu és nada neste sonho meu, e não vês o caminhar pela noite dentro, ao encontro dos dias que em ti nascem perfeitos, enigmáticos, prostrados no parapeito da minha janela. Oiço-te a respiração, terna, ofegante, encontros na noite, em que as palavras, falham, em que os gestos são mudos, por falta de um olhar que toque a força das marés nocturnas.

Apetece descarnar este fio imenso, esta comunicação distante que me faz perder o Norte por tão completa ser em dias certeiros, em noites dianteiras que antecedem a madrugada.

Apetece lembrar-me quem sou e porque me tomas por dentro, o epicentro de uma paixão que é tudo o que pretendo viver aqui neste lugar ermo. Que me traga um rio de águas, mansas, e me diga de um cerro a terminar a montanha, onde crescem flores silvestres, tojos, sargaços, e giestas. A pútigas, são já frutos maduros nos sulcos, suco agreste a escorrer pelos meus dedos.

Preciso de ti na força dos quatro elementos e quero-te a entrar e mim, devagar, silencioso. Quero que o meu corpo seja o sol, que os meus olhos sejam a lua e que os meus braços sejam o mundo que te abraça na noite cálida que me ofereces. Mas, traz-me a força do mar, transforma-te em remoinhos no meu corpo - este céu que te acomoda nos propósitos de uma paixão, que é, e sempre foi, só por ti, AMOR.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dimensões VII - Fuga

(Imagem google)
*
Lá onde o mar é azul, e as ondas são verdes

E porque a vida me toma de assalto
Eu fujo
E entrego-me à solidão dos tempos
Num tempo meu
E encontro-me

Lá onde o mar é azul
E as ondas são verdes
Lá onde tudo morre
Aos meus olhos cor de prata
Lá, onde a dor é mais leve
E os sons mais nítidos
Ao cair da noite

E porque me quero ausente da terra
Faço do céu um novo caminho
Onde o azul é forte
E as estrelas meu norte
E minha sorte
E o sol me diz de mim
Quando ainda era uma criança
E em teu colo chorava
A dor da partida

E porque a minha ausência
Me traça um novo destino
Eu vou a par do teu fogo
E caminho contigo
Até ao fim do mundo
Deste mundo
Que eu tomo para nós
Num corpo são
E desesperadamente
Belo…o seu rumo

Trago-te um tempo de abraços
Uma cesta de beijos
Um regaço ajustado a nós
E não me quero ir daqui
Sem me rir contigo

Quero um corpo onde me deitar
Uns olhos onde me afogar
Uma esteira onde me encostar
Quando daqui me ausentar
Mas tenho medo da fuga
De me ir sem te encontrar

Quero fugir
Mas não sem antes me desocupar
Da desgraça que ocupo
Não sem antes me consentir
Não sem antes me desmentir
Não sem antes me despedir
Daquilo que sou
Da minha realidade
Quase, quase inacabada
No ar que respiro

Não sem antes me encontrar
Verdade na tua verdade
E acabar recomeçando
Por ti…Amor
Só por ti
E que a tua força
Me tome esta minha vontade
De fugir, fugir
Lá onde o mar é azul
E as ondas são verdes

terça-feira, 29 de junho de 2010

Dimensões VI - Consciência

Desenham-se na minha memória, as mais variadas figuras. Sinto que elas farão da minha história, um momento de glória ao enfrentar os perigos, desafiando-os mas glorificando-os. Serão antes de mais um perigo eminente, se não lhes consentir o desejo maior, de as retirar do alforge do conhecimento da vida. Esta nunca será medida por um punhado de ideias que nos povoam o pensamento, será sempre uma arma constante no mundo do saber. Quero que me guie, sempre que me encontrar num mundo pobre, de ideias, onde só a fome tem lugar. Quero que me lembre que sou um nome que se pode ajuizar perante os múltiplos condutores que traçam os níveis de consciência. Tão profundo é este sentir que me faz ver que tudo será uma mais valia, quando chegar o momento da despedida. Só aqui saberei olhar o mundo e dizê-lo por certo nas memórias de uma vida.

Posso ser uma outra verdade, porque me sei parte desta história. Há dias que se apresenta uma verdadeira história, mas outros há, que o seu brilho é um foco descontinuado nas figuras geométricas que desenharam o meu mundo. Tão perto que estou desta verdade, mas esqueço quem sou e ao que vim porque me estranho nestes lugares vazios, nestes terminais de um corpo que se sente perdido numa qualquer errata imaginária. Se fosse um deus menor, viveria às custas de um Deus Maior, mas como sou um simples mortal, satisfaço-me com estes desejos, estas paixões que saciam a fome do corpo e da mente, deixando em aberto outras verdades, para que nasçam e sejam simples ornamentações pelas paredes onde me encosto, sempre que me refaço de madrugada. Gosto desta verdade nua, quando me sinto encostada a noite. Sinto-lhe a frieza nocturna, mas logo me vejo sua companheira de todas as noites, e passo a ser pedra com pedra, noite com noite, mas dia sem dia. Preciso vencer o medo de me refazer nas madrugadas.

Há um poder imensurável que me traz às claras. Será este que me lembrará quem eu sou, sem ter que sair da minha janela. Daqui avistam-se as águas paradas e um mar distante que me traz tudo a seu tempo. Remedeio-me assim, sem ter que me esforçar, pois a minha sorte, não mente e o meu corpo é um poço de prazer aniquilando a dor, perfurando o espírito, alertando-me para os níveis superiores, onde me encontro sempre que deitar por terra, estas loucuras que fazem do poder da minha mente, uma irrepreensível troca de favores. Posso, e quero ser para lá da minha consciência, um mundo de verdades que me farão ver outras maiores que alcançarão a meta traçada. Assim, as tomarei como parceiras num mundo que cresce nas mãos do destino, ao semear na terra todas as sementes que fizeram de mim uma pessoa, entre tantas as que se conhecem.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Dimensões V - Paz

Quero-me na tua paz
Um sorriso mesmo que distante, desejo inadequado…
Consentâneo com todos os olhares que esboçam uma face negra
Oceânicos contornos de um rio, onde as águas se escondem
E se lamentam do tempo.

(De um tempo seu)

Sempre que este estado moribundo onde deponho o meu corpo, seja o meu lado obscuro…
Serei em todos os corpos, doação perene de sentimentos vivos
A cair em desgraça sobre a tua boca

Falas e eu calo
Andas e eu paro
Sorris e eu choro
Cantas e eu blasfemo
Dormes e eu finjo ter sono nos braços teus
Sonhas e eu carrego os fardos de sonhos meus

Porque não vejo as estrelas quando tu vês o céu
Porque durmo quando viajas sobre um mundo meu?

Seremos um…quando nos ouvirmos no banco dos réus
E as águas nos lavarem os pés cansados das noites em havia fagulhas no céu
Afogo-me nesse leito onde deponho as armas
Sempre que do meu sonho me levanto
E te procuro nesse mar cansado onde descansas o teu

Quisera fazer do meu corpo a sonoridade do tempo
Para no teu me encontrar quando a morte me vier visitar.
Pudera morrer de mãos postas no vento
Amarrá-lo ao meu corpo e levar-te comigo
Ser santidade num olhar que se perdeu

Quisera ser na tua boca, uma só noite em que sobre nós o inferno desceu
Pudera castigar-me nos momentos em que fujo de ti
Sem saber onde me perdi

Quisera fazer da sorte que me calhou, uma fogueira no meu corpo
Quando da tua boca bebi
E me fiz nascente e poente num sono meu
Pudera molhar o meu corpo
De doces lembranças nossas quando o rio se escondeu

Serei a paz que procuro…
Sempre que no teu corpo encontrares o meu

Serei a paz que mereço...
Sempre que na tua boca me levares ao cabo do mundo

Serei sempre eu
Quando de mim arrancar a arte de bem namorar um sonho que se perdeu
*
(foto; DM)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dimensões IV - Abundância



Se me viesses ver agora por aqui, dizia-te de uma dor que me entrou de rompante, pela porta da frente.
Dizia-te que nem o sol me visitou nesta manhã cinzenta onde o céu se propaga no além. Será ali que o irei encontrar debruçado sobre as searas de trigo dourado, encontrar-me-ei nos teus braços, quando nelas me deitar e a terra me despir desta dor presente, que é não saber onde moram as espigas de uma vida vazia, sem pão.
Quero mesmo que venham todos visitar este meu chão. Tenho flores do campo, sobre a mesa, e cachos de uva despidos em toalha bordada à mão. A cerejeira ao fundo do quintal apresenta-se nua com os seus ramos adelgaçados, depois que um bando de pássaros a visitou e por ali repousou os seus bicos esfomeados. Migalhas já não são bem-vindas a este chão. As toupeiras esburacaram a terra e levaram as espigas deixadas por engano, ou quiçá, por mera vontade do dono para uma boa distribuição das colheitas. Serão sempre de ano para ano, as visitas subterrâneas, que farão da terra a revolta do verão, e nós, por nada sabermos de seus corpos moles, iremos regar a terra e calcar com os pés, os refúgios esburacados que foram fazendo enquanto dormíamos. Se tivermos as doses certas de um alqueire de milho, saberemos a certa medida da equitativa distribuição e nada nos fará mergulhar nesta amálgama que é ter terra sem saber cozer o pão. Saberei então dizer-te, porque se foram as cerejas neste início de verão e como colher os frutos no fim da estação, sentindo que na mesa, haverá o vinho escorrendo na taça que teus olhos afiançaram ser de puro cristal. Serei mosto no teu peito quando o encontrar ao relento, e a pele se cobrir de raízes magras que se enlacem ao simples toque do meu corpo.
(Lembras de um dia morto pela agrura dos tempos em que o arado rasgava a terra e eu me deitava no chão húmido, à espera que um pé de flor viesse florir na palma da minha mão?)
Foi essa a forma que dei à fome que trazia, quando te vi a caminhar sobre a terra, e dela fizemos o leito resguardado no nosso olhar. Deitámo-nos na maciez quente e lilás de bordados frescos trazidos pelas aragens quentes da serra, e ali ficámos até ao nascer do sol. Esse circulo de fogo que caiu pela madrugada e esperou que nos honrássemos e nos saciássemos dos aromas húmidos do verão.
Temo que me queiras ver vestida, mas eu, nua, procuro uma peça útil para contigo saborear este manjar dos deuses. Enrolei o meu corpo a um manto de linho, pertença única desta mansão.
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(foto DM)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dimensões III ( Felicidade)


Segundo conceitos formulados na nossa mente, através de uma sociedade que nos impõe um crescimento no meio do nada, vivemos um estado de pura apatia, envolvidos num véu primário, organizando-nos em prol de uma vivência que mais não é, do que permanecer numa densidade que nos conduz no caminho da infelicidade. Nada nos revigorará, enquanto continuarmos a viver segundo estigmas impostos por um grupo que está prestes a chegar ao seu limite. Ter a certeza de outras realidades, (para as quais estamos já a ser preparados), é abrirmos os olhos para o que nos faz infeliz e reavivá-los no sentido oposto. Ainda que, creiamos num conjunto infinito de dificuldades, serão estas que nos farão criar um novo círculo, num registo de vários segmentos. Outras vivências, aguardam o tempo certo, para que, ao nascer e ao por-do-sol novas formas nos tragam outros pontos que formarão um novo círculo. Aí, todos poderemos estar em perfeita harmonia. Será esse novo movimento, que nos indicará o movimento certo do tempo, ao olharmos para o sentido dos ponteiros do relógio e não sabermos de que lado se mostra o tempo - o nosso verdadeiro tempo, impedindo a entrada de conceitos decompostos num tempo morto e que já os sabemos caducos à nascença.

Teremos assim, a criação de novas realidades, através da visualização de um conjunto infinito de possibilidades de que somos feitos. Foi para isso que viemos, para a verdadeira transformação do mundo. Daí, que à semelhança de uma força criadora, nós somos os seus súbditos, para que nada falhe, começando pelo respeito que devemos ter por cada ser humano, ocupe ele o lugar que ocupar na sociedade. Este é mais um conjunto infinito de experiências para que, consigamos decifrar a linha divisória que separa o medo, do amor. Se por todos os cantos da terra, existirem diferenças, que aos nossos olhos não passem de loucuras prontas a enfrentar outras loucuras, estaremos a sair fora do nosso círculo, a tentar entender onde reside o mal; a criação da nossa mente arcaica desnutrida de tudo o que nos fez na matriz original. Chegar a essa matriz, significa mudar hábitos e pensamentos, moldar o nosso corpo, para que ao atingirmos uma outra fase de conhecimento, ele tenha todas as células preparadas para que a mudança ocorra de uma forma leve. Será aí que entraremos num novo registo que tão bem conhecemos abandonado à nascença. Então, saberemos onde queremos mesmo ficar; se numa esfera obliqua, ou se num circulo, onde as forças que temos, se surpreendam umas às outras e se conciliem com o novo tempo.

Ter presente esta realidade, é saber que existe uma marca que nos separa de mundos, tentar dar um passo em frente, para que consigamos decifrar a linha que irá formar uma nova dimensão, onde poderemos viver segundo novos conceitos de uma sociedade que já iniciou o seu trabalho, para que o amor nos mostre que só há um caminho para a felicidade. Esse caminho é a própria felicidade em forma de amor. Será essa, a força residual que nos fará estar em duas ou mais dimensões.

Resta escolhermos!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dimensões II(Saúde)



Capaz de me submeter a esta força, é ter vontade de me limpar de todas as poeiras que a estrada largou e transformá-las em pontos luminosos. Serão esses que permitirão, dizer-me no teu corpo, quando cair sobre ti esta mortalha húmida, abandonada há muito tempo sobre mim, quando ainda não sabia deste espaço fechado à minha visão. Abrir os olhos, alcançar este foco e desenhar nele as pétalas de uma flor, formando o Lotus que envolve o teu coração, é sentir que nas mediações do meu corpo, há uma corrente morna que me transforma e me conduz para um estado em perfeita comunhão com o Universo.


Viver esta plenitude num sentido universal é saber que num outro estado, reside tudo o que nos traz felicidade. Saber que ao abrir todos os poros da minha pele, permitindo a entrada desta força residual em forma de AMOR, é ter a certeza de que lá em cima, abri a porta maior, a entrada principal para que aqui, eu sinta que tudo me pertence. Abrir-se-ão todos os canais para que a chama, ao atingir o centro cardíaco, provoque a tal explosão que irá criar novas energias e transformá-las. Será esta, que fará renascer novas cores e os novos circuitos que se criaram em todas as mediações do meu corpo, expandir-se-ão até atingir de novo a origem, transmutando e revigorando todo o sistema energético.

Será este o modo que me permitirá abrir a Ti e consolidar os vários estados que meu corpo assimila para te poder dizer, que ele é uma fonte que se mantém presente, sempre que quiseres beber do supremo todas as imagens longínquas. Se te deitares e lhe souberes ouvir todos os segredos guardados, eu acatarei para mim as várias formas que o teu corpo apresenta, sendo a fonte nova de todos momentos por nós revigorados. Será nesta a nova dimensão, em vigor, para que em nós continue a dimensão do AMOR.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dimensões I(Amor)

Capaz de me inteirar de um mundo que cai sobre os meus ombros, é saber onde reside a força que me ligará ao pai, e que por ligação directa, me direccione à mãe. É nesta que me entrego, esperando que me forneça os ingredientes necessários, de modo a poder vivenciar uma dimensão que me escolheu num momento preciso. È onde sempre te procuro, sem no entanto conseguir que os meus olhos se abram, tal a cegueira que me tolheu e me desenraizou. Sei de outras realidades, e que o véu que nos separa, pode a qualquer momento denunciar-nos, nesta vertente estimuladora, onde deposito o meu corpo, a minha mente e o meu espírito. Resta saber então, de que lado eu quero estar, quando por forças extras que tão bem conheço, me entrego a esta sujeição, onde a dor é pertença única por meios que me são adversos.


Contudo, saber que são as mesmas forças que me criaram, é entregar a minha vida a uma loucura emergente de uma fonte esgotada. A Fonte é e será única. Na terra pousaram já todos os enviados, alicerçados na conjuntura de um mundo, que aguarda por todos os outros, que ainda nascerão de um ventre revigorado e preparado para a nova ordem dimensional, paradigma de uma inteligência emocional, onde a verdade se enraizará e fortalecerá. Fizeram voar as suas mensagens, enveredando por outros caminhos mais consentâneos com as suas verdades, mas nesta minha instabilidade emocional, eu posso entregar o meu corpo e ficar com uma parte dessa visibilidade que me traz sempre à superfície, para respirar. Há outra intermitente força, pintada em tela fresca da minha memória, que me faz desejar-te: amor no meu amor, vida na minha vida, suor no meu suor, pele na minha pele, absorvendo e expelindo odores até ao último suspiro.

Serão estes momentos, que farão submergir as figuras desenhadas, pela minha capaz e interior motivação para voltar à origem. Nela, visualizo os traços que me fazem ir e voltar nesta roda-viva que é a vida. Um olhar novo, focalizado e entrecruzado geometricamente, indicando-me sempre vários caminhos, quando neles encontrar, uma ou várias formas de o desenhar. Se escutar os sinais, que me dirão de um mundo traçado em justaposição com a união vs concentração de vórtices giratórios, encontrarei na base de um triângulo, a forma capaz de me dizer de uma vida, em função de um sonho paralelo que me aguarda na junção das duas arestas que se confinam na união de dois pontos. Para que as formas se mantenham intactas ao meu olhar, terei que abrir o véu, dar um passo em frente e entrar numa outra dimensão, capaz de me elevar a outros mundos que sempre lá estiveram à minha espera. Serão sempre notas em escalas ínfimas de dó a dó…

Aí permanecem todos os seres que habitam um corpo, se ele se dispuser a viver para o mundo e com ele renascer.

domingo, 6 de junho de 2010

As palavras que sempre te direi

Livres no pensamento são todos os que puderem assimilar a verdade de única sílaba tónica que sem poder acentuar palavras, se desprende de um voo lento para cair nas correntes fortes de um rio. Na verdade, serão únicas, as várias tonificações das palavras que se encolhem e se preparam para novos voos mais profundos. Lá, estaremos nós para as acolher nas suas verdades, nos seus propósitos de serem fontes inesgotáveis, enquanto mantivermos esta força única de um ponto. Viver além da dor, é sentir no corpo esta força viva, pronta para desflorar num pensamento pontificado. Será ele que nos leva para um local desprotegido, se não mantivermos a ligação à chama que sempre se mantém acesa, para dela recebermos todos os ingredientes que necessitamos e deixarmos a vida passar, sem dela fazermos grande aparato. Ter presente na nossa mente, que há nós que se desatam e outros que se assemelham a formas continuadas e enroladas à nossa cintura, é sabermos igualar os gestos de um corpo.


Quero muito ser livre, quero muito encontrar-te nessa tua realidade, quero que tudo o que venha desse ponto minúsculo, se mantenha como rastilho na minha mente. Preciso dessa leveza solta nas minhas ideias, para que te possa sentir a viajar por todas as artérias que transportam as correntes sanguíneas do meu corpo. Sem isso nada poderei dizer-te porque não te sinto certeza na minha verdade, nem verdade na minha realidade. Vejo-te eu, sem saber de mim, sinto-me tu sem saber de ti, e não aguento esta dor perfilada no meu pensamento quando te penso solto(a) por aí. Gostava de poder deixar-te ir, mas não estou ainda preparada para essa verdade que já existe desde que nasci. Este medo, esta loucura presente, esta lucidez inconsequente, que me transforma anulando-me por completo, são o cárcere onde habito, se não souber encontrar o ponto fulcral onde tive início. Preciso saber-me na cor deste espaço fechado, encontrar-me com esta solidão e questioná-la sobre as nossas mais exactas verdades, num momento expandido nos nossos corpos, compostos por fragrâncias, fiéis depositárias de novos conhecimentos da vida, por detrás de vidas. Sei que há um deles que só eu poderei conhecer, se dele me aproximar no preciso momento em que souber deixá-lo ir.

Serei sempre aquela que te disse um dia de um amor presente, de uma dor constante, de uma vida que sem ser vida num instante, é aquela que escolhi para te dizer de mim. Viverás nesse encolher de ombros, ou nessa expansão dos gestos, sempre que quiseres lançar para a atmosfera, um sentimento que nada te diz, e eu feliz por assim ser, voo junto e fico sentada à tua espera, porque sei que um dia chegarás lá, nesse ponto minúsculo, mas gigante na leveza de um olhar feliz. Esse não terá cor, nem te trará o sol, nem a lua nem tão pouco as estrelas, mas tão só, a vida que escolhi para mim, quando te disser:

AMOR – a única palavra que me faz viver em liberdade, em busca da harmonia de um corpo que se abrirá sempre, e fará de todas as estações, a Primavera dos Tempos. A única palavra que transformará as minhas ideias, num sentimento capaz de te dizer que te AMO, quando conseguir fazer-te a saudação de dentro da minha solidão e te disser que a chama que me alimenta, vem de ti, porque nela fiz nascer esta paixão que sempre me acompanha, tonificando todos os pontos que já começam a formar novos traços, na composição aquosa do meu corpo.

MEDO – a única palavra que me faz querer, sem saber o quê, por não poder ter o que não me pertence. Sentir que este sentimento que me alimenta, é composto por partículas desagregadas de um todo que nos uniu, mas que, também elas, por se terem perdido, criam este efeito paralisador, alternado com o pensamento. Não te quero(a) perdido(a) por aí, porque para me sentir bem, terei que saber de ti. Fica então neste patamar onde guardo todos os meus segredos, mas não sejas segredo para mim, porque não quero perder-me quando pensar em te procurar.
*
(foto, Dolores Marques)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Os Imortais




Se as nuvens por onde navegam estes seres altruístas, fossem feitas de partículas cristalizadas, dando um colorido diáfano em flor pura de algodão, teríamos à vista de um mundo torpe, construtores de sonhos, sem no entanto abdicarem de todos os nomes que os seguiram. Assim, não teríamos o olhar castrado por uma cegueira míope, que de tanto ser ceifada, comunga todos os Domingos na capela do Santo que se erigiu, em troca de algumas palavras coalhadas e concentradas numa malga de pobres migalhas.

Serão estes seres, sempre que lhes cresçam as asas, que nos darão uma nova visão de um mundo que não sabem que existe, porque lhes cortaram a raiz do pensamento à nascença. Ficaram com as células do cordão umbilical confiscadas e atestam de mãos dadas e erguidas aos céus, que nunca se encontraram às portas do altar-mor.

Revezam-se, sempre que há rituais nas manjedouras onde bebem da seiva de alguns imortais, por pensarem que serão estes, que irão excomungar os bandos de almas perdidas.
*
(Foto, Dolores Marques)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Poesia de Albertos










Vieste-me ao pensamento no sabor das amoras
Trazias nos poemas o calor de um sonho de verão
Nas palavras o sol de Agosto
Amei-te como só te podia amar
Atrás dos rochedos quietos na planície semi-lúcida
De um mundo velho de ferrolhos
Da consumação do nosso amor emergido dos livros
Os búzios em refrão de anáfora.

(Foto Dolores Marques)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dormi mal, tenho os olhos a doer, estou uma "merda" hoje


Dormi mal, tenho os olhos a doer, estou uma “merda” hoje, e recebi um convite para jantar. Sabes como é! Início de semana, coisas do politicamente correcto, embora estejam lá alguns bons pares de calças, dois bons partidos “cheios da guita” que se endireitam muito à mesa quando me vêm chegar.

Acho que não vou, a não ser que tenhas a facilidade, como já é habitual, de me transformares em algo geneticamente aceitável durante o dia, digo aceitável no sentido de poder aparecer sem me tornar chata. Não é o que dizes quando me coloco com o meu ar sério de sempre? Dizes sempre “hoje estás uma chata”, e sabes que para me sentar à mesa e poder tragar o que quer que seja, é necessário provar primeiro uma trinca. Pode ser mesmo aquelas trincas mastigadas pelos olhos que deixam uma deliciosa e fulgurosa deixa para as que ainda hão-de chegar. São todas umas e uns, dispostos a aceitar esta vida do politicamente correcto, porque a vida é mesmo isto; punições vs elações. Não dizem que os olhos são os primeiros a comer? Pois é! Há frutos maduros que se estão a esborrachar e a acabar, quase atingindo o solo irrigando-o com os seus restos mortais, adubando e estremando a terra seca e amarelecida pelo tempo.

Só tu tens essa capacidade.

Honras-me sempre com a tua presença deliciosa, sensual a mais para quem precisa estar atenta na execução das tarefas habituais. Mas olha que preciso mesmo deste emprego, caso contrário teremos todos que arcar com mais um contribuinte a arrecadar subsídios ao estado e o mais que para lá há. Não sei onde vamos parar, se não conseguirmos ultrapassar esta crise e avançar com novos investimentos, para a criação de mais riqueza para o País no sentido de proporcionar melhores condições de vida para todos. Encontram-se já no seu limite de paciência e tolerância, a estas movimentações nas suas diversificadas vertentes intelectuais. Sim porque de intelecto vive o homem e o mais que se pareça com isso, não passará de jugos dispostos e sobrepostos na sua maioria à “merda” que vem de cima e de todos os lados que salta à vista a quem a quiser cheirar. Só mesmo quem estiver atento ás agitações, que causam um rebuliço danado e logo após, a conciliações por debaixo do pano. Saber-se da medida de um feito importante constituído firme nos seus propósitos, é constatar que há “merdas” pior que dejectos no seu términos e só quem ligar as antenas que por aí estão de serviço diariamente, poderá saber se o País produz matéria prima da melhor qualidade para exportação, ou se haverá sempre de se cingir às importações de materiais orgânicos dispostos a causar impacto em solos bravios e ensandecidas por loucuras já a mastigar o pão que o diabo amassou. Trabalhadores precisam-se para as mais diversificadas vertentes económicas e sociais, para que o crescimento económico esteja a par do desenvolvimento económico e quem sabe poderemos finalmente abrir a nossa janela às vistas de um País preparado para a mudança.

Dormi mal, tenho os olhos a doer e como te disse, estou uma “merda” hoje, mas ainda assim, me desfaço de alguns cangalhos que carrego, para poder levemente aliar-me ao animalismo confinado de outras, que tal como eu, tem contribuído para que este País esteja a abarrotar de tantos resíduos ainda por incinerar.


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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Resposta ao poema "Émulo" de sampaio(r)ego



Entre um momento rendido à dor reforça-se a arte de bem escrever

- um dever

-um prazer num breve acontecer
e Ser-se aliado de tudo o que o faz mover
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