sábado, 19 de setembro de 2009

Sofro

Dou formas aos actos deformados do meu pensamento, sempre que me encontro neste estado de apatia. É só uma noite como todas as que guardo na memória. Tu do outro lado do rio e as águas a correrem sempre nesse sentido. Eu olho-as de longe, da minha janela aberta. As luzes reflectem-se na corrente negra, e deixam um rastro que sigo desta cidade indiferente aos cursos de água. Nas distâncias constroem-se novos rumos, e os caminhos que outrora sorveram as vozes, distanciam-se agora de um único ponto. A saudade.

Não quero que dês pela minha presença.

Quero ir rio acima, velejando, até chegar ao mar. Aí já nada me pode apaziguar, vou surfando até te encontrar, abro-te os braços e lanças-te de novo neste caminho traçado, onde já fomos um dia, na busca de algum pingo de luar.
São os gestos que traçamos em busca de um amor sem pressa, que nos fazem ir tão longe. Longe demais até! Ele sabe do que falo. De amar sem nunca ter que derramar sobre as águas os lençóis esquecidos, que fizeram de velas, quando o vento se fez ao mar. Já nada me pode trazer os anos que já foram nossos, já nada me prende aqui neste mar. Desfaço sempre as malas quando chega o fim do verão. Vislumbro um bloco de notas esquecido, que diz assim:

-Caminha pelo teu rio e faz-te à corrente. Há um barco à vela que se perdeu no mar alto e os ventos não dão tréguas. Há um céu que se alonga e um sol que se rende a este grande oceano.
Queres ver como é?

Mandalas

(Acrílico em tela pintada por mim)


A Flor de Lotus do Coração

O coração situa-se no centro dos sistema dos chakras, os centros de energia do copro. Ele representa a força do amor e da compaixão.
A flor de lotus evoca a espiritualidade que resido no nosso coração

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Altas Esferas... Onde as Estrelas Dormem

Viajar no espaço, seria o ideal para te idealizar no alto, onde os sons dormitam, e as esferas coabitam no silêncio. Escrevi um dia: esta necessidade urgente de mudança, esta busca incessante pelo novo, este "cortejo fúnebre" que nos leva pelos corredores de uma vida ausente, mas presente em todas as "modalidades". Alcançamos todos os pontos indicados no caminho, visualizamos todas as arestas que se focam no centro e nós andamos às voltas até encontrarmos o que nos faz ser neste mundo. Há sempre um senão...não sabermos se é este o registo onde ficamos, ou se outro onde nos encontramos, sempre que nossos olhos se abrem à procura de nós. Este é mesmo aquele caminho mais difícil de percorrer.
As respostas são sempre tão vagas, e as minhas palavras não realçam nem o tamanho das minhas dores, nem a cor do meu sentir.

Revejo-te num mundo onde já nada se pode colher, a não ser este rubor humedecido, onde me deito para poder sonhar e amar. São estas altas esferas da escrita onde dormem as estrelas, que me levaram também a escrever: As palavras têm um tom cobre! Cobrem-me de todas as cores, neste sonho que se torna real a partir do momento em que entro no jogo, e deixo a porta aberta a quem quiser jogar. Mas jogar pressupõe seguir certas regras, e nelas estamos todos com uma pré-disposição, que poderá ser ou não, disposta ao mais pequeno ruído, aquele que difere de um outro que se chama "tom" numa escala maior.

Vi-te chegar tão devagarinho, que quase sumias por entre as luzes que me visitam nas noites em que escrevo palavras soltas ao abandono. Será que alguém lê e as entende? (Penso que serei assim uma espécie de estrela a luzir ao fundo do túnel mas que ninguém vê, nem mesmo se me tornasse céu). Seguem rumos diferentes quando as despejo nesse céu de estrelas reluzentes, que se queixam de tanto céu e pouco sol. A Lua ainda se encontra imobilizada na estação anterior, encalhou na madrugada e as estrelas rumam por caminhos incertos neste mar onde as palavras se gastam e se consomem de tanta dor, tanta tristeza. O amor é já o ponto de passagem para a outra margem. É lá que me encontras se conseguires transpor esse muro de palavras gastas, de vocabulários mais que arrastados pelas marés. Levantei voo rumo ao ponto onde acordámos que faríamos a história nascer de novo e tu ficaste preso no mar alto. Esperas que as musas te assaltem de sobressalto, e não vês que na profundidade dos meus olhos, está uma vida que assenta nos mais altos ideais, rumo a outros mundos onde o abraço se quer sempre laço até ao fim do caminho. Serenar o espírito, encontrar-me entre um e outro mundo que se encosta às margens onde já me encontro, é o início da última jornada.

Espero por ti!

(In "ÀS Escuras Encontro-te"
(Foto de minha autoria num mar "onde dormema já as novas estrelas)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Passagem de Testemunho


" Havia um pessegueiro na ilha"
Havia um líquido brilho
E um mar atento
Havia ainda:
Odores
Cores
Sons
Sensações
Alma
Sol
e
Lua
As estrelas foram términus
No meu olhar
E a maresia mareou-me a face
Num mar esquecido
Eu, Tu, Nós
*
Havia abertura
Para a outra margem
Havia a passagem
De testemunho
*
Fotos de minha Autoria (Dolores Marques)

Outros Sons

Os da Alma…

É este o momento - transportar-me para outro registo mais que disposta a tê-lo por perto, antes que ele me tenha a mim... Este registo que me não larga e se intromete com um forte desejo de me ter só... Tento esbracejar um pouco, mas há na divisão dos tempos, um só tempo, aquele que divide os momentos e os separa, para voltar a uni-los mais à frente. Este caminhar por traços inevitáveis que me levam a temer criar-me em novos tracejados, aqueles que tiram pontos e vírgulas e seguem destinos traçados nos textos que escrevo. São a nossa história, ou parte dela, neste tempo que nos resta, neste verão que quase chega ao fim, e não semeamos nos nossos corpos o sémen da vida, que eu sinto pulsar sempre que inspiro o teu sorriso e expiro o teu sopro alojado em meu peito.


Tudo se inicia na Primavera e termina no Outono, escrevi eu no inicio deste livro, mas a renovação é inevitável, é a vida a pulsar dentro de nós…(nós que somos um mundo talvez ainda a descobrir), quando chegarmos ao ponto, em que continuamos, mesmo que os registos se tenham apagado. Os gemidos terão outros sons, os da alma em constante mutação. Há nos lamentos resguardados uma dor desmedida, incolor, mas continuada, para mais à frente reescrever uma nova história. É aí que ela, a dor… se veste de branco e se refugia nas folhas soltas que estão ainda por nascer. Surgiu-me este texto, mas podia perfeitamente ser outro, se eu própria lançasse um novo olhar nestes dias de Agosto como quase um início antes do fim. Será entrar no Outono e fazê-lo florir em vez de se esvair em folhas soltas pelo chão. Aí também me encontras no meio delas, sempre que te não sinto a caminhar por entre o verão e ver-te deslizar na corrente vulcânica que me cobre o peito. Há nesse caminhar um toque de sedução, e mesmo que não queiras que te sinta nas mãos esse calor que te consome se me não tens ainda durante esta estação, serei sempre no teu olhar, a dor esvaída pelo chão.

Estaremos juntos antes do fim da nova era, que conta já com algumas lembranças nossas que vieram de signos longínquos quando o sol ainda era luz ténue no Universo. Eu temo por ti em mim, mas não esqueço que sou em ti, sempre que amanheço e anoiteço. Eu sou a fonte de onde brotam as estrelas que bebes no final do teu caminho, tu serás o sol que me rasga as vestes que me cobrem o corpo, sempre que em estado semi-acordado se abre na noite. É ela que fecunda o meu silêncio há tanto tempo guardado.

Os Do Deserto…

Há neste silêncio um desejo de se manter vivo, ter todos os momentos num só tempo, mas outros registos ficaram parados lá atrás, e aqui, não são mais do que meros episódios encenados, e bem intencionados onde as dores se aclamam, quando os gritos são só vozes sem idade. Viver sem parar e teimar em aproximar olhares fechados no templo, é manter este silêncio amordaçado e enclausurado e que já se entregou faz tempo.

Este é um outro tempo perdido nas dores que partiram em dois um momento – o meu e o teu, num só, quando os nossos corpos sumiram nas areias do deserto. Fomos levados pelas frias correntes que nos conduziram ao centro onde moravam todos os outros que nos conheciam. Mas ao fim e ao cabo, não nos mostraram como amar um desejo prostrado aos pés dos Deuses - deixaram-nos perdidos no templo. Já nada nos restava, a não ser continuar um destino que brilhou e se difundiu por entre os ecos resguardados nas paredes frias. Porque me honram eles vendo nos altares da alma, só uma figura apocalíptica, mesmo que inofensiva nos térreos domínios onde o sol se põe, quando nos mares se ouvem já os tambores de outrora? Solicita sim, pelos sons que rompem os hemisférios inteligíveis, onde o teu nome soava pelos cantos do mundo, e eu entoava cantares à tua passagem. A minha voz serena, sempre igual às vozes que ecoavam no templo, desmistificava os deuses todos, e tu, o único Deus que morava no meu peito, partias em busca de novos tempos, onde pudéssemos repousar em paz. É este um ressurgir das vozes perdidas nas profundezas do oceano. Ele traz-nos todos os mistérios guardados, quando a arca fechámos em prol de algumas lutas travadas e já resgatadas. Outras há, que fecundam as dores que pariram os novos adornos que nos atravessam a nudez da alma, ficando um resto de sombra no caminho que pisamos, elevando os nossos olhares ao céu e edificando novos sons que se tinham perdido no deserto…..

Dolores Marques in "Às Escuras Encontro-te
Fotos de minha autoria

Marcas

Seduz-me ficar assim pela noite dentro, a lembrar o que foi e o que não pôde ainda ser, e até o que irá acontecer em sonhos. Ao menos isso! Mera falta de jeito. Se teu ou meu, não sei, só sei que devemos ter sido moldados pelas mesmas mãos, aquelas que trazem os moldes sobre o ventre materno. Há sóis dourados por todos os lados; nas pontas, em cima e em baixo. É um Deus nos acuda de tantos e tão belos que se nos focarmos neles, marcarão a nossa pele com traços de um verão quente e paralisante. São estas as marcas que te trazem junto a mim, sempre que te penso deitado ao meu lado.

Se eu pudesse marcava a nossa vida para a eternidade, conduzia-te pelos espaços verdes e macios, rolávamos na erva fresca e sentíamos esta cor quente que bafeja das entranhas das rosas que se abrem só para nós. Este vermelho vivo, pode ser a cor dos meus sonhos daqui em diante, se pensar nela como a ligação à terra mãe, através do chakra da raiz. É ela que me sustém neste mundo que escolhi para me rever num futuro próximo, contigo a meu lado. Se te deixares também seduzir por ela, verás a cor do teu sorriso, sempre que colocares as mãos no meu peito e as desceres junto ao abdómen, e aí, sentirás este fogo que vem das profundezas da crosta terrestre carregado de pétalas vermelhas. Absorverás este suco adocicado das rosas e o seu odor característico que nos perfumará a pele, amaciando-a num estado alquímico e inalteradamente sentiremos os contornos dos nossos corpos unidos num só.

Serei toda uma rosa a abrir para ti, e tu colherás na tua boca este travo que habita nos meus lábios. Seremos um jardim aberto para o mundo, se este chão onde rolamos nos oferecer o espaço necessário para que os nossos corpos se enlacem e se cubram de um verde resplandecente, para que, através do chakra cardíaco, nos entreguemos a este amor feito de rosas que perfuma este colo que se ajeita nas esperas, sempre que ficas assim do lado de lá, mas pronto para embarcar para o lado de cá. È neste trajecto multifacetado, que te encontro nos mitos do tempo, que habitam estas quatro paredes onde me deito. São elas o meu refúgio, ouvintes dos meus gritos neste silêncio que chega a ser aterrador de tanto sofrer, por não conseguir evadir-me para o lado de lá. Seria neste trânsito, circunscrito no tempo, que me demarcava deste sono, desta leveza de ser mais que um corpo à espera de aromas quentes, de um toque sedento de mim por ti e em nós. Se nos distanciarmos do mundo, e nos prostrarmos bem no centro onde as esperas nos aguardam, seremos um tempo perdido no tempo de ninguém, mas seremos também habitados pelos rumos que a nossa história contém.

("As Escuras Encontro-te" - Um livro que há-de vir)

Acordes No Tempo

(Foto de minha autoria no Parque das Nações)


Há sempre dias que surgem diferentes dos outros. São aqueles que trazem resquícios de um passado que está presente em cada esquina em cada pessoa, em cada olhar. E esta espera que me deixa em estado de quase loucura. A energia que escorre pelo meu corpo, é ansiosa, mas idêntica.... à forma abrupta, quase que, em plena comunhão com a força de um vulcão
(...)
O som do teu nome é um sinal que me deixa alerta, sabendo que és Tu. Mas continuas longe, o teu corpo não se encontra colado ao meu, as tuas mãos não se enlaçam nas minhas costas e nos meus ombros falta o calor do teu bafo quente. Esta pressão no baixo ventre acusa-me sempre que entro no silêncio que espreita em cada momento dos dias e das noites. Esta energia que vem chegando agora devagar, é como se quisesse esperar que o amor tome verdadeiramente o seu lugar. Adormeço no sofá da sala, e sem horas para voltar. Tarde, muito tarde quando me vou deitar, adormeço no calor do teu abraço, com a tua voz entranhada em mim, inspirando lenta e cautelosamente.
(...)
Absorvo-te inteiro para mim e este dia traz-me um calor diferente. Esta sensação electrizante de te ter só para mim, esta energia forte que me cansa de não te acolher por fim, de te não poder sugar os sabores dos mares e dos rios que trazem paisagens de muito longe. Estes dias parecem-me uma eternidade. Ouvir a tua voz é um bem que me traz luz, alegria, felicidade, esplendor... Quem és tu? Porque estás no meu caminho? Eu por mim, nem tinha pensado duas vezes e estava contigo em qualquer lugar do mundo. Há nas minhas palavras uma força que desconheço, quase que me conduzem para onde estás, ou te trazem a mim. Sempre que te penso, esta sensação de prazer ansiando pelo toque, pelo encontro final onde seremos um, iniciou já um caminho que nos leva ao infinito mundo onde as estrelas formam o conjunto, que se desprendeu num tempo, e que já é tempo da verdadeira face do mundo nos tocar e nos exaltar pelos acordes do tempo que hão-de restar.
(In "As Escuras Encontro-te", um livro que há-de vir)

Reiki e Eu

( I Símbolo de Reiki,(Choku Rei - energia cósmica universal, aqui e agora)
desenhando e pintado por mim em tela com acrílico
Foto de minha autoria)

A palavra chakra vem do sânscrito e significa roda, disco, centro, plexo. Nesta forma eles são percebidos por videntes como vórtices ( redemoinhos ) de energia vital também chamada "prana", espirais girando em alta velocidade, vibrando em pontos vitais de nosso corpo. Os chakras são pontos de interseção entre vários planos e através deles nosso corpo etérico se manisfesta mais intensamente no corpo físico.Os vedas ( 2.000 a. C. ) contêm os mais antigos registros sobre chakras de que se tem notícia. Quando foram escritos, a Yoga já sistematizava o conhecimento e o trabalho energético dos chakras.

Anahata - O quarto chakra situa-se na direção do coração. Relaciona-se principalmente com o timo e o coração. Sua energia corresponde ao amor e à devoção, como formas sutis e elevadas de emoção. Na tradição católica, este chakra é simbolizado pelo coração luminoso de Cristo. Quando ativado desenvolve todo o potencial para o amor altruísta. Quando enfraquecido indica a necessidade de se libertar do egoísmo e de cultivar maior dedicação ao próximo. No aspecto físico, também pode indicar doenças cardíacas.
http://www.magiadourada.com.br/chacras.html

Inconstâncias

Foto de minha autoria (eu)

Estes sonhos
que se escondem
se diluem
na efemeridadedo tempo

Esta certeza
de sermos
numa existência
que aguarda
pelo fim de tudo
dentro de um nada

Esferas toscas
em abertura
de consciência
e devolvermo-nos
identidades
personas em pessoas
gritos e devaneios

Inconstâncias
vidas que caem nas malhas
de loucuras impacientes
transcendem-se
e distam-se das demais

Excessivos em lamentos
corja de mutantes
que se perdem no absurdo
indecoroso dos actos

Estes encontros
e desencontros
equidistantes...
formais...
***************
Dolores Marques

Chikung


É a arte de manipular a energia com êxito. Chi Kung ou Qigong é a ginástica energética para a saúde e a longevidade. Fundamenta-se sobre os princípios da Medicina Tradicional Chinesa.

A origem do Chi Kung é datada de mais de 4.500 anos. As pessoas utilizavam uma dança para fortalecer o corpo, regular a respiração, activar a circulação sanguínea e curar doenças.
O Chi Kung desempenha um papel activo na prevenção e tratamento das doenças protegendo e fortalecendo o estado de saúde resistindo à senilidade prematura e prolongando a vida.
O Chi Kung trabalha no sentido de desbloquear os meridianos e equilibrar as energias yin e yang, permitindo que o indivíduo se possa defender naturalmente contra a doença. Muitas doenças podem ser eliminadas se os meridianos forem limpos de forma a permitir uma circulação harmoniosa do Qi (energia). A sua prática regula as funções cerebrais e dos orgãos do corpo mediante a concentração, aumenta as capacidades de concentração e memória, regula o sistema nervoso central e restantes sistemas orgânicos, circulatórios, metabólicos e digestivos bem como no tratamento de problemas de stress, insónia, depressões, etc…etc…


href="http://chikung.com.sapo.pt/chikung.html">http://chikung.com.sapo.pt/chikung.html/a>

Tempo

Encontro-me entre um e outro tempo,
e corto os momentos que não têm tempo
para me dar...
O meu continua vagabundo
e sofre por não poder pegar-lhe
e levá-lo para longe,
até aos confins de um outro mundo...
onde o tempo é a vida
e eu um sorriso
que enamore o tempo
e faça dele
um acto inocente
**********************
Dolores Marques

Há Um Sonho

Foto de minha autoria - Esfera Armilar no Edifício Ecran - Parque das Nações


Esfera Armilar
http://olhares.aeiou.pt/esfera_armilar_foto2329247.html

Assim tu....

Meu sol que enfeitas

As estrelas no alto

Me tomas para ti

Me ergues majestosa

E rolo sobre ti

Qual estrela cadente

Fusão de mim Para ti

Há um sonho que se estende no infinito. Espera por mim nas entranhas dos mares, nas funduras dos céus e eu encontro-me deitada neste leito morno que me acolhe nas noites de Inverno. Acalento-me nos seus braços, e refugio-me na força do seu sorriso, sempre que se ouve o vento a roçar as vidraças das janelas. Se a vida me prender neste deserto onde o sentir se mistura com as areias finas que se espalham pelas dunas abandonadas, eu serei como a brisa suave esvoaçando pelas encostas perfumadas, onde os odores se misturam na caruma verde e nas gotículas de resina que escorrem pelos troncos dos pinheiros, que se erguem majestosos reflectindo vultos na longevidade da margem do rio. O seu leito prepara-se já para adormecer nos nossos braços, e o sol abandona-nos à nossa sorte ao cair da noite. O lusco-fusco deixa um encanto reluzente nas águas tépidas, os reflexos dos montes misturam-se na cadência dormente que se espalha pelos nossos corpos enlaçados na maciez de um outro lugar presente no agora.

Há um sonho livre à espreita. Entro devagar neste lugar, e a liberdade é somada na cadeia de sorrisos que se levantam a viva voz. Sou eu neste mundo que me quer bem ou mal, mas sou sempre um novo mundo nas fragas soltas, nas crateras enviesadas do meu pensar e relembro sempre aquele céu que se mostrou quando me tomou num só abraço. Se me quiseres olhar nos meus olhos, entra pela porta da frente e traz-me algo com que possa alargar o meu sorriso e com ele o meu olhar. Há nas nuvens que sobrevoam o rio, um encanto que desconheço. Desenho-lhes perfis bem característicos de uma confusão na atmosfera, e o ar entra-me pelas narinas que eu inspiro sempre que te vejo ao longe a sorrir para mim. Engulo o teu sorriso e a degusto-te nas formas que se vão soltando, lentas e uniformes através das linhas traçadas no meu corpo. Entras devagarinho neste sonho ainda por descobrir. Se ele quisesse pararia todos os rios e todos os mares e alargava as montanhas e os desertos para ele passar, mas o mundo é à vista do meu olhar, um minúsculo grão que piso quando adormeço num sonho solto e me lanço na aridez desértica dos pingos de luar.

A Tocar Os Céus

Foto de minha autoria tirada em Moção - Castro Daire


Sou por aqui
Na lonjura do tempo
E esqueço quem sou
Neste ermo conjugado

És tu que eu procuro
Quando me encontro
Na breve nostalgia
De um momento
Que descansa sempre
Nas asas do vento

És a vida que pesa
Em meus ombros
E tocas no alto
Os céus e as montanhas
E os mares e os rios...

Sou por aqui
Um choro retardado
Na bruma fechado
Um sonho que fecunda
As madrugadas
Do meu silêncio

Um Gosto Que Gosto



Flor de Lotus…. Acrílico em tela

Mandalas


Tela e acrílico - a minha nova paixão (Pintura de mandalas)
MANDALA
Mandala é círculo mágico;
Mandala é ponte para dimensões superiores;
Mandala é caminho a percorrer;
Mandala nos revela nosso Eu;
Mandala nos leva ao nosso centro;
Mandala nos leva a nossa Essência;
Mandala nos leva a Fonte Divina;
Mandala é energia e movimento;
Mandala é totalidade, integração e harmonia;
Mandala é o começo, o percorrer, o fim e o começo;
Mandala é morte e renascimento
(In o Mundo das Mandalas)