quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Marés da História (Jude Currivan)


Ao longo da eternidade decorrida desde o principio do universo, a evolução da complexidade foi permitindo que fossem experienciados níveis de percepção cada vez maiores, individual e colectivamente, no plano físico. E durante o clarão cósmico de tempo que representa a história humana colectiva, temos procurado continuamente aprofundar a compreensao do nosso lugar no Cosmos e a comunhão com as suas realidades supremas.

Como as grandes marés do oceano, empurradas de um lado para o outro na servisão da Lua, as marés da história humana vazaram e encheram. E todos nós somos surfistas sobre as ondas que são as circunstancias das nossas vidas individuais e colectivas à medida que nascem, crescem e se extinguem. Cada um de nós tem um papel destinado na sua interacção de luz e sombra e estamos todos aqui neste momento decisivo para desempenhar o nosso papel naquilo que tem sido designado por muitos místicos como uma Mudança dos Tempos.

Jude Currivan

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Apresentação de Antologia "Tu Cá, TU Lá"


Uma edição da Temas orignais

Apresentação Drª Carmo Miranda Machado

Autores:Ana Coelho, AnaMar, António MR Martins, Carlos FilipeConchinha, Conceição Bernardino, Dolores Marques, Gonçalo LoboPinheiro, J. C. Patrão, José António Antunes, José Luís Lopes, LilianaMaciel, Luís Ferreira, Lurdes Dias (Cleo), Miriam Costa e São Gonçalves.

José Luís Lopes escreveu:
Esta antologia não tem fins didácticos, não tem um trilho especial de pensar, não tem por base nenhum tema pré-concebido: é um convite à navegação sem rumo. O leitor poderá sempre aportar no abrigo que mais o colhe e partir de novo em busca de um mundo novo, sabendo que o que fica para trás estará sempre no mesmo lugar, e o seu lugar sempre será seu. Neste livronão encontrará Adamastores, encontrará letras jovens, sedentas de carinho, e incentivos para continuar sempre a escrever mais para si.

Francisco Coimbra escreveu:
É um livro com tantos capítulos quantos os seus autores, todos partilhando do mesmo modo dum espaço onde cada um se faz representar pelos seus poemas. Esta variedade garante riqueza na multiplicidade da Poesia reunida, aí temos o cenário certo para um tu cá, tu lá com a língua onde todos agem dando vida e expressão à linguagem plástica da palavra que procura nos versos construir poemas.

O evento decorrerá nas instalações da Manutenção Militar Rua do Grilo, nº 111 – 1900 Lisboa (Entre a Xabregas e Convento do Beato, pela rua interior onde circulavam os eléctricos), tendo início pelas 16h00, do qual irá constar:- Visita guiada ao Museu pela Drª Lurdes Nunes, que nos dará a conhecer o “Património Histórico e Museológico" desta instituição.
Tem um acervo heterogéneo constituído por documentos, fotografias, trajes máquinas de produção industrial, equipamentos de panificação mecânica de moagem, bolachas, café, laboratório e maquetes, entre outros.

Na antiga “Padaria Velha”, onde decorrerá o evento, podemos apreciar o revestimento numa das paredes, de 6 painéis de azulejos, que contam a história do pão. Estes azulejos foram fornecidos pela Fábrica de Faianças Outeiro e são de autoria de A. Pereira, datados de 1954. Foi neste espaço físico que existiu a primeira moagem e a primeira padaria, na M.M., em 1897.-

Demonstração de Taichi/chikung pelos instrutores; Drª Filomena Belo e Engº Rogério Gonçalves. (A Drª Filomena Belo é Professora na Escola Secundária D. Dinis, Mestre de Reiki e Instrutora de Taichi/chikung).

O QUE É O CHI KUNG:
É a arte de manipular a energia com êxito. Chi Kung ou Qigong é a ginástica energética para a saúde e a longevidade. Fundamenta-se sobre os princípios da Medicina Tradicional Chinesa. A origem do Chi Kung é datada de mais de 4.500 anos. As pessoas utilizavam uma dança para fortalecer o corpo, regular a respiração, activar a circulação sanguínea e curar doenças.http://chikung.com.sapo.pt/chikung.html

Participação especial de Pedro Branco

Dolores Marques / Ana Coelho/ AnaMar

sábado, 19 de Setembro de 2009

Sofro

Dou formas aos actos deformados do meu pensamento, sempre que me encontro neste estado de apatia. É só uma noite como todas as que guardo na memória. Tu do outro lado do rio e as águas a correrem sempre nesse sentido. Eu olho-as de longe, da minha janela aberta. As luzes reflectem-se na corrente negra, e deixam um rastro que sigo desta cidade indiferente aos cursos de água. Nas distâncias constroem-se novos rumos, e os caminhos que outrora sorveram as vozes, distanciam-se agora de um único ponto. A saudade.

Não quero que dês pela minha presença.

Quero ir rio acima, velejando, até chegar ao mar. Aí já nada me pode apaziguar, vou surfando até te encontrar, abro-te os braços e lanças-te de novo neste caminho traçado, onde já fomos um dia, na busca de algum pingo de luar.
São os gestos que traçamos em busca de um amor sem pressa, que nos fazem ir tão longe. Longe demais até! Ele sabe do que falo. De amar sem nunca ter que derramar sobre as águas os lençóis esquecidos, que fizeram de velas, quando o vento se fez ao mar. Já nada me pode trazer os anos que já foram nossos, já nada me prende aqui neste mar. Desfaço sempre as malas quando chega o fim do verão. Vislumbro um bloco de notas esquecido, que diz assim:

-Caminha pelo teu rio e faz-te à corrente. Há um barco à vela que se perdeu no mar alto e os ventos não dão tréguas. Há um céu que se alonga e um sol que se rende a este grande oceano.
Queres ver como é?

Mandalas

(Acrílico em tela pintada por mim)


A Flor de Lotus do Coração

O coração situa-se no centro dos sistema dos chakras, os centros de energia do copro. Ele representa a força do amor e da compaixão.
A flor de lotus evoca a espiritualidade que resido no nosso coração

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Altas Esferas... Onde as Estrelas Dormem

Viajar no espaço, seria o ideal para te idealizar no alto, onde os sons dormitam, e as esferas coabitam no silêncio. Escrevi um dia: esta necessidade urgente de mudança, esta busca incessante pelo novo, este "cortejo fúnebre" que nos leva pelos corredores de uma vida ausente, mas presente em todas as "modalidades". Alcançamos todos os pontos indicados no caminho, visualizamos todas as arestas que se focam no centro e nós andamos às voltas até encontrarmos o que nos faz ser neste mundo. Há sempre um senão...não sabermos se é este o registo onde ficamos, ou se outro onde nos encontramos, sempre que nossos olhos se abrem à procura de nós. Este é mesmo aquele caminho mais difícil de percorrer.
As respostas são sempre tão vagas, e as minhas palavras não realçam nem o tamanho das minhas dores, nem a cor do meu sentir.

Revejo-te num mundo onde já nada se pode colher, a não ser este rubor humedecido, onde me deito para poder sonhar e amar. São estas altas esferas da escrita onde dormem as estrelas, que me levaram também a escrever: As palavras têm um tom cobre! Cobrem-me de todas as cores, neste sonho que se torna real a partir do momento em que entro no jogo, e deixo a porta aberta a quem quiser jogar. Mas jogar pressupõe seguir certas regras, e nelas estamos todos com uma pré-disposição, que poderá ser ou não, disposta ao mais pequeno ruído, aquele que difere de um outro que se chama "tom" numa escala maior.

Vi-te chegar tão devagarinho, que quase sumias por entre as luzes que me visitam nas noites em que escrevo palavras soltas ao abandono. Será que alguém lê e as entende? (Penso que serei assim uma espécie de estrela a luzir ao fundo do túnel mas que ninguém vê, nem mesmo se me tornasse céu). Seguem rumos diferentes quando as despejo nesse céu de estrelas reluzentes, que se queixam de tanto céu e pouco sol. A Lua ainda se encontra imobilizada na estação anterior, encalhou na madrugada e as estrelas rumam por caminhos incertos neste mar onde as palavras se gastam e se consomem de tanta dor, tanta tristeza. O amor é já o ponto de passagem para a outra margem. É lá que me encontras se conseguires transpor esse muro de palavras gastas, de vocabulários mais que arrastados pelas marés. Levantei voo rumo ao ponto onde acordámos que faríamos a história nascer de novo e tu ficaste preso no mar alto. Esperas que as musas te assaltem de sobressalto, e não vês que na profundidade dos meus olhos, está uma vida que assenta nos mais altos ideais, rumo a outros mundos onde o abraço se quer sempre laço até ao fim do caminho. Serenar o espírito, encontrar-me entre um e outro mundo que se encosta às margens onde já me encontro, é o início da última jornada.

Espero por ti!

(In "ÀS Escuras Encontro-te"
(Foto de minha autoria num mar "onde dormema já as novas estrelas)

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Passagem de Testemunho


" Havia um pessegueiro na ilha"
Havia um líquido brilho
E um mar atento
Havia ainda:
Odores
Cores
Sons
Sensações
Alma
Sol
e
Lua
As estrelas foram términus
No meu olhar
E a maresia mareou-me a face
Num mar esquecido
Eu, Tu, Nós
*
Havia abertura
Para a outra margem
Havia a passagem
De testemunho
*
Fotos de minha Autoria (Dolores Marques)

Outros Sons

Os da Alma…

É este o momento - transportar-me para outro registo mais que disposta a tê-lo por perto, antes que ele me tenha a mim... Este registo que me não larga e se intromete com um forte desejo de me ter só... Tento esbracejar um pouco, mas há na divisão dos tempos, um só tempo, aquele que divide os momentos e os separa, para voltar a uni-los mais à frente. Este caminhar por traços inevitáveis que me levam a temer criar-me em novos tracejados, aqueles que tiram pontos e vírgulas e seguem destinos traçados nos textos que escrevo. São a nossa história, ou parte dela, neste tempo que nos resta, neste verão que quase chega ao fim, e não semeamos nos nossos corpos o sémen da vida, que eu sinto pulsar sempre que inspiro o teu sorriso e expiro o teu sopro alojado em meu peito.


Tudo se inicia na Primavera e termina no Outono, escrevi eu no inicio deste livro, mas a renovação é inevitável, é a vida a pulsar dentro de nós…(nós que somos um mundo talvez ainda a descobrir), quando chegarmos ao ponto, em que continuamos, mesmo que os registos se tenham apagado. Os gemidos terão outros sons, os da alma em constante mutação. Há nos lamentos resguardados uma dor desmedida, incolor, mas continuada, para mais à frente reescrever uma nova história. É aí que ela, a dor… se veste de branco e se refugia nas folhas soltas que estão ainda por nascer. Surgiu-me este texto, mas podia perfeitamente ser outro, se eu própria lançasse um novo olhar nestes dias de Agosto como quase um início antes do fim. Será entrar no Outono e fazê-lo florir em vez de se esvair em folhas soltas pelo chão. Aí também me encontras no meio delas, sempre que te não sinto a caminhar por entre o verão e ver-te deslizar na corrente vulcânica que me cobre o peito. Há nesse caminhar um toque de sedução, e mesmo que não queiras que te sinta nas mãos esse calor que te consome se me não tens ainda durante esta estação, serei sempre no teu olhar, a dor esvaída pelo chão.

Estaremos juntos antes do fim da nova era, que conta já com algumas lembranças nossas que vieram de signos longínquos quando o sol ainda era luz ténue no Universo. Eu temo por ti em mim, mas não esqueço que sou em ti, sempre que amanheço e anoiteço. Eu sou a fonte de onde brotam as estrelas que bebes no final do teu caminho, tu serás o sol que me rasga as vestes que me cobrem o corpo, sempre que em estado semi-acordado se abre na noite. É ela que fecunda o meu silêncio há tanto tempo guardado.

Os Do Deserto…

Há neste silêncio um desejo de se manter vivo, ter todos os momentos num só tempo, mas outros registos ficaram parados lá atrás, e aqui, não são mais do que meros episódios encenados, e bem intencionados onde as dores se aclamam, quando os gritos são só vozes sem idade. Viver sem parar e teimar em aproximar olhares fechados no templo, é manter este silêncio amordaçado e enclausurado e que já se entregou faz tempo.

Este é um outro tempo perdido nas dores que partiram em dois um momento – o meu e o teu, num só, quando os nossos corpos sumiram nas areias do deserto. Fomos levados pelas frias correntes que nos conduziram ao centro onde moravam todos os outros que nos conheciam. Mas ao fim e ao cabo, não nos mostraram como amar um desejo prostrado aos pés dos Deuses - deixaram-nos perdidos no templo. Já nada nos restava, a não ser continuar um destino que brilhou e se difundiu por entre os ecos resguardados nas paredes frias. Porque me honram eles vendo nos altares da alma, só uma figura apocalíptica, mesmo que inofensiva nos térreos domínios onde o sol se põe, quando nos mares se ouvem já os tambores de outrora? Solicita sim, pelos sons que rompem os hemisférios inteligíveis, onde o teu nome soava pelos cantos do mundo, e eu entoava cantares à tua passagem. A minha voz serena, sempre igual às vozes que ecoavam no templo, desmistificava os deuses todos, e tu, o único Deus que morava no meu peito, partias em busca de novos tempos, onde pudéssemos repousar em paz. É este um ressurgir das vozes perdidas nas profundezas do oceano. Ele traz-nos todos os mistérios guardados, quando a arca fechámos em prol de algumas lutas travadas e já resgatadas. Outras há, que fecundam as dores que pariram os novos adornos que nos atravessam a nudez da alma, ficando um resto de sombra no caminho que pisamos, elevando os nossos olhares ao céu e edificando novos sons que se tinham perdido no deserto…..

Dolores Marques in "Às Escuras Encontro-te
Fotos de minha autoria