quarta-feira, 7 de junho de 2017

Raízes do silêncio

Onde se esconderão as raízes do silêncio?
No seu corpo fechado, ou na boca aberta aos sons massacrados pelo próprio ruído do silêncio?
Como saber escrever os silêncios, quando nem um fundo negro os engole, nem o dia os sente como um ritual a exorcizar o corpo ainda adormecido da noite.

Esqueci as mãos em algum lugar onde o silêncio é um som de cor púrpura´.
Esqueci os olhos em algum lugar onde o silêncio se esconde, para não cair nas mãos que o descrevem como se fosse um indigente.
Esqueci o corpo em algum lugar do mundo, onde o silêncio é simplesmente uma soma de ecos.
Esqueci-me até de mim por não saber ouvir os sons do silêncio que enchem todos os espaços.

Depois, deixei-me adormecer sobre uma nuvem silenciosa, que nem o silêncio habitava.
Então, comecei a escrever sobre os ruídos internos.  Comecei a entender que existem medos nos muros onde se escrevem tantas vezes os silêncios. Dei por mim a escorregar pela nuvem abaixo, e ali bem perto de um fundo silencioso, só existia o caos.
Um logro este mundo onde se ocupam espaços silenciosos.
Um tédio este mundo, com os olhos abertos nas varandas abertas para o caos, onde se ouvem gritos silenciosos.
Uma mentira este mundo, onde se descobrem à flor-da-pele, os traços avermelhados dos gritos desvairados do silêncio.
E a verdade propriamente dita, revestida ainda da cor púrpura do silêncio, silencia-se num murmúrio que nunca quis ser silêncio, antes a morte dos sons que habitam alguns silêncios.

ONIX







segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sintomático


Tenho os sintomas da morte no meu corpo
Já não tenho força nos meus braços 
Já não sinto as pernas, os pés, as mãos, os olhos 
Que vibravam por dentro 
A boca que te chamava aos sonhos
E te beijava nos sonos

Já não tenho nem a forma que suporte este meu estado inerte 
Um espaço que te sente como se fosses somente a morte

Tenho os sintomas de um desejo ardente no meu corpo
O espaço onde semeias a dor 
E fomentas a guerra dos mundos 
Interiores de um só desejo

Os terríficos dias são o teu jeito de viveres as noites todas 
Sombras e mais sombras a dançarem à volta da noite
E o teu alimento diário num caminho de quase morte

E eu sinto-os agora…
Os sintomas da morte no meu corpo

Sinto-te por dentro um corpo em chamas
No universo do meu querer ser vida 
A elevar-Te
Para nos salvar deste pesadelo de uma morte 
Que sem ser morte
Nos consome por dentro.

Sinto-os a todos...sinto-os agora
Os sintomas da morte no meu corpo
E sem receio lhes digo
Que estou pronta...sem medos

Questionei em todos os momentos sintomáticos
A minha consciência...

ÔNIX

Voos


Junto a ti não chegarei...
enquanto me sentir a definhar.

Por isso...
ainda vais a tempo de permitires que aflore 
em ti 
algum resto de consciência.

Sabes, 
o voo pleno é o da consciência 
em estado sublime de elevação.

ONIX

Dóis-me por dentro

Dói-me por dentro, o teu Ser.
Dói-me todo o mal que fazes a ti próprio.

Dói-me por dentro o teu Ser, a tua inconsciência
Dói-me a alma, pela tua consciente avidez 

Dói-me o corpo
Dói-me por dentro todo o mal que fazes a ti próprio


ÔNIX

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Porta fechada

Uma sensação de vazio. Vazio por sentir que o que segue nessa direcção, não é recebido, mas escamoteado por não fazer parte do mesmo invólucro
Não forma o Todo.
Vazio por sentir que o que segue, não entra, fica simplesmente a bater à porta...
UMA PORTA POR ORA FECHADA

Uma sensação de vazio, pela perda de um sinónimo aberto à luz.
Esse caminho teu, não é um caminho vazio, mas um caminho na direcção do caos onde está a presença, a semelhança do que somos nos caminhos das sombras.
Esse caminho teu que também é o meu, é simplesmente a ordem inversa desse mesmo caos
O caos dos enganos
O caos das imagens
O caos do abandono
O caos da metáfora da porta
O caos da metáfora da chave
O caos da penitência
O caos onde se perde o pensamento
O caos cuja semelhança ao tombar do corpo que abandonou o cais na última presença do Sol nos olhos, continua a ser o caos.

E agora que o Sol se põe, seguirá caminho, enquanto os corpos abandonados no cais, sofrem pelas mares perdidas, junto ao farol apagado.
Chegam as estrelas do mar alto
Chegam os vendavais dos céus
Chegam todos os sois acabados de nascer
Retornamos nós, até que o Amor nos leve e nos mostre tudo o que perdemos, enquanto não nos víamos.




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Um "Eu"


No verdadeiro sentido das palavras, ouvem-se os sons provocados pelos murmúrios desordenados, enquanto se ama o Todo ali inscrito.
Despem-se de preconceitos, por quanto ali coabitar esse fogo dominador.
O Amor, somente o sentido provocador do corpo agora deitado, desesperançado de seguir viagem pelo seu Eu...somente um Eu castigado pelo sentido da vertigem.

ÔNIX