quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Só...

Sinto-me só e com vontade de.....nada.....
só ficar, só
entre as palavras

Talvez elas me entendam quando pressentirem esta vontade de ficar só com elas, e com elas me confundir, difundindo-as a troco de nada

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ser um SER


Se não conseguir chegar a tempo de te dizer que te amo, quero que saibas:
que o amor não corre
o Amor não se move
o Amor não se comove com o tempo que passa enquanto me esperas....

O AMOR é só uma pequena partícula, que me faz viver

A vida que me permite amar, desejar, ser um SER de luz

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Resposta (De Alexandra Solnado)

Tudo o que acontece na tua vida tem um desígnio. As mais ínfimas coisas que
atrais, têm um motivo para lá estarem, para acontecerem precisamente dessa
maneira, fielmente nesse momento, e literalmente nesse lugar. Tudo aí na ma-
téria é milimetricamente perfeito, para que vocês possam responder de acordo.
De acordo com quem são, naturalmente. De acordo com o que escolhem ser
nessa circunstância, nesse tempo e nesse lugar.

Podias perguntar-me agora: «Como é que a matéria, um local tão denso e tão
pesado, pode responder a impulsos tão subtis, ao ponto de tudo ser perfeito?»
E a resposta é simples. Vocês vivem num sistema energético, e o sistema e-
nergético funciona em qualquer frequência. Se uma pessoa está densa, através
do sistema energético atrai pessoas e situações densas. Se uma pessoa está
leve, atrai pessoas e situações leves. É simples.Como tudo,visto daqui de cima.

Por isso, e voltando atrás, a situação em que te encontras está a querer falar
contigo, está a querer mostrar-te coisas, fazer-te sentir emoções, fazer-te mo-
dificar o teu sistema de crenças para que possas abrir a mente e acreditar em
novas possibilidades. Inclusive novas possibilidades para ti próprio, como pes-
soa.

A questão aqui é: o que é que significa isto tudo? Porque é que te encontras
nesta situação e não noutra? O que é que deves aprender com isto tudo? E
eu,daqui de cima, até te poderei responder. Mas para isso tens de vir cá aci-
ma.

Só há uma coisa que tens mesmo de aceitar: a resposta não a tens, e não es-
tá aí em baixo. Por isso faz o que te digo: procura no Eu Superior a resposta,
ou, se ainda sabes como é que se faz, fecha os olhos, relaxa e pergunta «o que
é que o Universo me quer dizer com esta situação?» Fica. A zeros. Não penses
em nada. Limita-te a fazer a pergunta. E activa toda a tua sensibilidade. Intui.
Percepciona. E vais achar que estás a imaginar coisas. Mas não. Essa é a res-
posta.

O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O rochedo vibra

(foto; São Gonçalves)


O rochedo vibra enquanto os sons se propagam e as ondas se volteiam, para mais uma viagem interminável...lá onde o infinito é a espera e nós a alma em busca do nosso ponto de encontro. Este vazio que me deixa inerte, sei-o bem. Sei-o tão bem quanto o bem que me quer, quando me exponho a ele, e me recebe como quem quer, ...sem saber de um querer mareante no olhar afogueado a descansar no cais.



Largadas são as vozes nesse ondular constante, e o eco afunda-se nas águas que se querem vivas para humedecer os olhos de quem quer sair de si e ir ao encontro de um rio que adormece na folhagem verde a vaguear por entre as marés que se vestem de branco. Brancos são também os olhos dos que têm à sua mesa as toalhas de puro linho, e aguardam pelo manjar dos deuses fazendo jus ao seu nome nas ruas desertas, esquecidas pelos nomes todos que as conheceram enquanto vida a encher as cidades. Mas os movimentos trazem consigo a dor de todos os que ainda vivem encostados às paredes sujas, trajadas de negro - resquícios ainda de quem caiu e não se levantou para ir ao encontro de um sonho bem perto do rio que desaguou no mar e não sabe agora para onde se dirigir; se para a foz se para a formação de novos diques que lhes reforcem a vontade de navegar.

A poesia de Giraldoff


Oculto-me nas horas

Assim me inverto
Assim se verte o tempo
Incerto


Como um vaso
vazando
no vazio


Vertendo invisíveis transparências
Derramando transparentes invisibilidades

Sombras brancas que flutuam

Fluem como memória
Afluem como palavra
Tornando-me incessável poema

Como verso de um sonho insano
Que florescido murchou


Abismos de lava suspensa
Oblíquas espirais de chama triangular
Anguladas lâminas em lábios diagonais


Metades sobre metades
Partes de partes incompletas
Como macilentos traços
de um retrato ensandecido


Delírios sobre delírios
Ecos perdidos (quase gritos)
Em emudecido sustenido


Mantos negros (talvez céus)
Detalhes de um destino por incumprir


Inabitável é a hora
Ocultado é o tempo que me pausa, agora

Do outro lado do mundo os mitos nascem em verso


Poema de Giraldoff (Filipe Campos Mello)

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Vejo-te talvez no reverso do teu imaginário e gosto de te sentir parte de um mundo que me é tão vasto, quanto a tua viagem que se destina a ser só uma viagem sem destino, ou só com um objectivo de ser um destino incerto.
Esse tempo que nos tem juntos, leva-nos para um sítio certo, como certos sãos os nossos passos em volta de um fundo, tão fundo como o mar de sensações à espera de enchentes de um novo tempo

Essa dualidade talvez me tenha muito próximo, ou muito longe de ser o teu reverso, cumprindo um destino certo, de te ser verso inteiro com vários destinos a cumprir do outro lado do mundo……esse mundo que eu adoro, e quero perto, mesmo sendo por si só, um mito.

Esse estado alerta, que se nota cada vez mais na tua poesia e que mes transporta para lugares de sonho, mesmo que esses lugares sejam ainda só uma alegoria de um mundo que só existe no teu imaginário, ele é tão real, quanto o teu corpo á espera de novas sensações. Esse corpo que serve de apogeu a todo e qualquer poema, que a tua alma faz chegar até mim….


Dolores Marques

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ser

(Imagem da Net)


Pensar e repensar na atitude em querer ser o que se É,

pois correr-se-á o risco de parecer o que não se É…

Isto de se ser, é um pau de dois bicos:
- ou se É, não sendo, ou não se É, sendo.


Se se È, É-se
Se não se É, deixa-se de ser
E acaba-se todo o ser que há em nós

E se nos escondêssemos todos, com medo de represálias - tipo sermos abafados pelas “massas” que boicotam toda a nossa estrutura, física, mental, emocional e espiritual, ao ponto de deixarmos e ser nós, para sermos o preenchimento da base de um poder excomunal?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

...a querer atingir o céu



Viajante num universo complexo, tal a complexidade de que sou composta, é saber que vou, sem no entanto sair do mesmo lugar onde finco os pés e não levanto as mãos por tão pesadas se encontrarem em mundos perdidos, onde descanso as pálpebras e nego as semelhanças com um mundo que me espera. Preciso reaprender a caminhar com um pé à frente e outro atrás e as mãos em concha para saber receber e saber doar, sem imposições de qualquer espécie. Este, é um método infalível para receber o verdadeiro conhecimento, sem no entanto cair ao tentar contrabalançar o corpo num ritmo desacertado onde todos os olhos se movimentam. Preciso sair deste estado e entrar num mais de acordo com o meu estado de espírito neste dia de chuva tal um nervoso miudinho a salpicar todas as palavras mal-ditas que me fazem, andar por lugares desconhecidos, e se arrogam de formas e normas a quererem endireitar o mundo. Há um meio de as contradizer! Fazer de contraponto por entre os espaços em branco de todas as palavras ditas e não ditas e ficar em pé a fazer de ponto de exclamação.

Interrogam-me: onde se esconderam os pontos e vírgulas das tuas palavras, que ousam desfrutar de uma realidade controversa imposta por um pensamento abstracto?
Respondo: na minha fé em conseguir manter-me de pé e ficar a ver que há espaços em branco em todos os espaços ocupados por figuras com um nível de abstraccionismo elevado ao cubo. Há cubículos que não se prestam a nada, já outros recebem todos os níveis de abstracção. Delinquentes modos e feitios a querer formar palavras.

E eu por nunca me saber encontrar no meio delas, julgo-me então como quem se acaba num conjunto infinito de sons, que trazem carimbos de outras eras em que me sucedia em prol de uma humanização mais terrena, em busca de algo que me endireitasse as costas e me conduzisse ao ponto fulcral onde existe a verdade absoluta, que faz de todas as palavras eleitas a única certeza de ser eu. Caí em tempos mas levantei-me e fui até ao mar infindável, a querer atingir o céu. Resgatadas todas as cores de um arco íris em formação, levantei-me e segui caminho por entre a rectidão que me faz ainda ser um não, quando o sim se abstém de caminhar sozinho. Certezas de que a viagem que me aguarda é uma só, e os caminhos são vários em variantes conciliadoras de como reaprender a caminhar sem cair, e aprender a cair sem poder descansar o corpo, por tão pesado ser.


(desenho de António Moura)