quarta-feira, 25 de julho de 2012

Já me vi em dias de sol


já me vi em dias de sol
sem sol
que pela peneira
se repartia
à tarde no quintal

havia lamúrias
em surdos
que pareciam vento
nas levadas

havia silêncios
no entardecer
que brincavam
às escondidas
nos arvoredos

havia caminhos longos
a fazerem-se breves
nos meus passos
ainda frescos

já me vi em dias de sol
sem sol
que pela manhã
enchia as colinas

havia gigantes
adormecidos
no caminho
das giestas

havia trôpegos
corpos
a escutar
o canto dos pássaros

havia gente
que não se sabia
ser gente

já me vi em dias de sol
sem sol
a sacudir
o sino da capela

havia chuvas
pelos campos
a encher
as últimas pegadas

havia raízes tenras
a nascer
nas enseadas


já me vi em dias de sol
sem sol
a engolir
os últimos sacramentos

havia as indomáveis
árvores
ainda de pé

havia a brisa
nas suas folhas
ressequidas

havia chocalhos
escondidos
nos matagais


já me vi em dias de sol
Sem sol

a haver
será só um único
ponto
onde o olhar
se perde
no horizonte

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Desconhecido



Se todas as teorias fossem levadas a sério, não seríamos nós, mas bonecos de porcelana teorizando a vida; uns sem saber onde começar, outros sem saber onde acabar e outros ainda, com receio de que os cacos os refaçam de novo, para sarapintar a desgraça. Conhece-la de perto é como saber dos nós e dos que nos são chegados. É tarefa árdua, chegar perto do que está perto. É um movimento que nos leva onde não queremos ir. Estranha forma essa que nos faz tão pequenos, quando nos confrontamos com o desconhecido. Será sempre esse que nos diz outras verdades mais de acordo com a nossa busca. O que desejamos, o que não esperávamos, o que já sabíamos e até o que à partida é um começo para saber que já nada é nada, se não nos fizermos ao caminho em busca de outras verdades mais profundas.


Lá nas terras altas, o céu está mais próximo, o sol mais quente, o gelo mais seco, o caminho mais pedregoso, e mesmo assim ainda não consegui enxergar a distância que nos separa. Decisão difícil, esta, de me entregar a outras paisagens citadinas, outras correntes sanguíneas que escorrem por entre o betão. Será sempre esse que abafará todo o passado e mostrará um futuro, próximo. São tantos os rostos que vejo, são tantas as lamúrias que ouço, são tantas as igrejas por onde passo. Estão cada vez mais vazias de gente e cheias de mosquitos que varrem com as suas asas o ar poluído que circunda por entre os santos no altar. Esses já sabem o que é existir, sem existir. Estão simplesmente à espera que alguém os limpe do passado, para não caírem feito bonecos de porcelana junto ao altar, onde de terço na mão, estamos todos numa espera inquieta pelo desconhecido.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Só...

Sinto-me só e com vontade de.....nada.....
só ficar, só
entre as palavras

Talvez elas me entendam quando pressentirem esta vontade de ficar só com elas, e com elas me confundir, difundindo-as a troco de nada

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ser um SER


Se não conseguir chegar a tempo de te dizer que te amo, quero que saibas:
que o amor não corre
o Amor não se move
o Amor não se comove com o tempo que passa enquanto me esperas....

O AMOR é só uma pequena partícula, que me faz viver

A vida que me permite amar, desejar, ser um SER de luz

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Resposta (De Alexandra Solnado)

Tudo o que acontece na tua vida tem um desígnio. As mais ínfimas coisas que
atrais, têm um motivo para lá estarem, para acontecerem precisamente dessa
maneira, fielmente nesse momento, e literalmente nesse lugar. Tudo aí na ma-
téria é milimetricamente perfeito, para que vocês possam responder de acordo.
De acordo com quem são, naturalmente. De acordo com o que escolhem ser
nessa circunstância, nesse tempo e nesse lugar.

Podias perguntar-me agora: «Como é que a matéria, um local tão denso e tão
pesado, pode responder a impulsos tão subtis, ao ponto de tudo ser perfeito?»
E a resposta é simples. Vocês vivem num sistema energético, e o sistema e-
nergético funciona em qualquer frequência. Se uma pessoa está densa, através
do sistema energético atrai pessoas e situações densas. Se uma pessoa está
leve, atrai pessoas e situações leves. É simples.Como tudo,visto daqui de cima.

Por isso, e voltando atrás, a situação em que te encontras está a querer falar
contigo, está a querer mostrar-te coisas, fazer-te sentir emoções, fazer-te mo-
dificar o teu sistema de crenças para que possas abrir a mente e acreditar em
novas possibilidades. Inclusive novas possibilidades para ti próprio, como pes-
soa.

A questão aqui é: o que é que significa isto tudo? Porque é que te encontras
nesta situação e não noutra? O que é que deves aprender com isto tudo? E
eu,daqui de cima, até te poderei responder. Mas para isso tens de vir cá aci-
ma.

Só há uma coisa que tens mesmo de aceitar: a resposta não a tens, e não es-
tá aí em baixo. Por isso faz o que te digo: procura no Eu Superior a resposta,
ou, se ainda sabes como é que se faz, fecha os olhos, relaxa e pergunta «o que
é que o Universo me quer dizer com esta situação?» Fica. A zeros. Não penses
em nada. Limita-te a fazer a pergunta. E activa toda a tua sensibilidade. Intui.
Percepciona. E vais achar que estás a imaginar coisas. Mas não. Essa é a res-
posta.

O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O rochedo vibra

(foto; São Gonçalves)


O rochedo vibra enquanto os sons se propagam e as ondas se volteiam, para mais uma viagem interminável...lá onde o infinito é a espera e nós a alma em busca do nosso ponto de encontro. Este vazio que me deixa inerte, sei-o bem. Sei-o tão bem quanto o bem que me quer, quando me exponho a ele, e me recebe como quem quer, ...sem saber de um querer mareante no olhar afogueado a descansar no cais.



Largadas são as vozes nesse ondular constante, e o eco afunda-se nas águas que se querem vivas para humedecer os olhos de quem quer sair de si e ir ao encontro de um rio que adormece na folhagem verde a vaguear por entre as marés que se vestem de branco. Brancos são também os olhos dos que têm à sua mesa as toalhas de puro linho, e aguardam pelo manjar dos deuses fazendo jus ao seu nome nas ruas desertas, esquecidas pelos nomes todos que as conheceram enquanto vida a encher as cidades. Mas os movimentos trazem consigo a dor de todos os que ainda vivem encostados às paredes sujas, trajadas de negro - resquícios ainda de quem caiu e não se levantou para ir ao encontro de um sonho bem perto do rio que desaguou no mar e não sabe agora para onde se dirigir; se para a foz se para a formação de novos diques que lhes reforcem a vontade de navegar.

A poesia de Giraldoff


Oculto-me nas horas

Assim me inverto
Assim se verte o tempo
Incerto


Como um vaso
vazando
no vazio


Vertendo invisíveis transparências
Derramando transparentes invisibilidades

Sombras brancas que flutuam

Fluem como memória
Afluem como palavra
Tornando-me incessável poema

Como verso de um sonho insano
Que florescido murchou


Abismos de lava suspensa
Oblíquas espirais de chama triangular
Anguladas lâminas em lábios diagonais


Metades sobre metades
Partes de partes incompletas
Como macilentos traços
de um retrato ensandecido


Delírios sobre delírios
Ecos perdidos (quase gritos)
Em emudecido sustenido


Mantos negros (talvez céus)
Detalhes de um destino por incumprir


Inabitável é a hora
Ocultado é o tempo que me pausa, agora

Do outro lado do mundo os mitos nascem em verso


Poema de Giraldoff (Filipe Campos Mello)

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Vejo-te talvez no reverso do teu imaginário e gosto de te sentir parte de um mundo que me é tão vasto, quanto a tua viagem que se destina a ser só uma viagem sem destino, ou só com um objectivo de ser um destino incerto.
Esse tempo que nos tem juntos, leva-nos para um sítio certo, como certos sãos os nossos passos em volta de um fundo, tão fundo como o mar de sensações à espera de enchentes de um novo tempo

Essa dualidade talvez me tenha muito próximo, ou muito longe de ser o teu reverso, cumprindo um destino certo, de te ser verso inteiro com vários destinos a cumprir do outro lado do mundo……esse mundo que eu adoro, e quero perto, mesmo sendo por si só, um mito.

Esse estado alerta, que se nota cada vez mais na tua poesia e que mes transporta para lugares de sonho, mesmo que esses lugares sejam ainda só uma alegoria de um mundo que só existe no teu imaginário, ele é tão real, quanto o teu corpo á espera de novas sensações. Esse corpo que serve de apogeu a todo e qualquer poema, que a tua alma faz chegar até mim….


Dolores Marques