quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Estado Original



Quero falar-te de um sonho que se acomodou bem no centro onde tudo acontece, enquanto me preparava para amortecer a queda, numa queda de água fresca que enche os trilhos da montanha e os transforma em correntes fortes em forma de cascata. Há nelas um caminhar descontinuado polidor dos rochedos, mas é lá nos terrenos áridos, que a minha fuga é muito mais do que uma simples desistência, se pensar nas partículas desagregadas que a água transporta, onde se encontram ainda, os nutrientes das fragas em estado original.
Sempre que me embrenho na gigantesca floresta, vislumbro um sol nascente em meus olhos e um calafrio no dorso, centralizado num espaço onde habitam figuras sem formas, andrajos do corpo a perder-se na neblina.
Se quiseres olhar para dentro de um cenário onde a luz se esconde, verás que há um miraculoso entardecer e um pôr-do-sol, onde tudo se perpetua, sempre que te mostrares livre de qualquer forma e um tudo-nada subjacente ao teu olhar para o mundo.
(Imagem google)

domingo, 1 de agosto de 2010

Dimensões XII (Até à próxima Primavera)


Por muito que os meus olhos me mostrem que a minha força, reside na luz que me foi dada à nascença, tenho sempre presente que a morte acaba sempre por vencer a vida. Apesar de me saber tal como todos, um ser de luz, esta, apresenta-se com uma tonalidade diferente, este foco que vem como um furacão e esmiuçar o passado, a esconjurar o futuro e a eternizar o presente através das vestes de uma alma que se escondeu por detrás da minha sombra. Essa, tem sempre um destino para mim, não fosse eu, um ser mortificado em vida, esmiuçado em amor, e desafortunado em sonhos. São tantos os sonhos que me mostram novos caminhos, através da morte de todas as células, de todos os poros da minha pele, de todos os traços do meu corpo, e eu não o sinto, não o vejo, não o considero meu, porque nunca foi meu, mas sim teu, a perfurar-me a carne, em experiências de quase morte, uma morte tua sempre que o teu pensamento, se funde no meu. Mas agora, esta ausência de vida, encaminhou-se para as profundezas de um mundo desconhecido, e lá, ela encontra-se uma figura em tela branca desenhada e particularizada em todos os pontos escuros que só brilham na noite.


Continuo por aqui, em busca de algo que me faça não ter medo da morte. Sim, porque a minha morte, és tu, quando te encontro a viajar no escuro. É uma longa viagem, lá onde outros se escondem, por não saberem já, de que é que se morreu, se de vida plena ou de morte serena. O medo que tenho é só por ti, não por mim. Sei, sinto que voltarei à vida que me fez vir aqui, por nós, mas tu não me falas, não me tocas, não te oiço, não te vejo a aura escondida. Diz-me como nasci, para saber como hei-de morrer. Deseja-me pelo menos uma boa morte, numa hora pequenina. Não é o que se diz quando uma mãe vai parir um filho, que deixa de ser seu, quando a alma o toma por inteiro? Acusa-me de ter tido em vida, a visão fantástica de como se morre aos poucos, sem ter sentido a decadência num olhar que não se movimenta, por ter já trancado as imagens de quando nasceu. Diz-me de uma morte inteira, por ti, só por ti. Quero-me assim como vim para morrer aqui.


Sinto-te nas partículas que esmiúçam o ar que respiro, na confusão emergente de um corpo que caminha sem braços, sem pernas e sem olhos ao encontro de um corpo que foi meu, quando deixou de ser teu. Segreda-se-me um vento tardio, um limbo de olhares que me enterraram ainda antes de eu nascer. E tu não me dizes para onde ir, se para onde o meu olhar se acendeu, se para o espaço ocupado pela minha sombra que me encolheu. Oiço-te nas esquinas por onde passo, onde há mendigos sem tecto, sem alimento de um corpo que escolheu viajar na noite e acordar no meio das estrelas. Dormem como eu, sempre que as tento barricar num beco onde guardo todos os segredos, de quando a tua alma em mim nasceu.

Há imagens surreais de quando me dispo na noite e te espero, mas agora, que sei onde me perdi, vou sem parar, e viajo através da minha morte para um sítio onde ela está sempre presente. Desenho-lhe as mais caricatas figuras. Eu deitada, eu em pé, eu de olhos abertos, eu de braços erguidos, eu de cabeça feita para te dizer, que ao nascer, a morte é um caminho que sigo, mas que ao morrer, há uma vida inteira que me espera, onde guardei todas as minhas memórias, todos os presentes que a vida me ofereceu, quando a morte me disser:

- vem, é a hora certeira de uma vida que te escolheu, é agora o momento para veres que essa mesma vida, é o infinito onde reside toda a força que na tua sombra se escondeu.

Diz-me agora, como quando me segredavas ao ouvido e me dizias baixinho: é a hora, é a hora da morte vencer a vida, só até à próxima Primavera.

Dimensões X - Pobreza



“tanta casa sem gente e tanta gente sem casa”




Mas não, não poderia ser eu, na calada da noite a escalar muros, ao encontro deles, só deles. Entrei à socapa, como alguém que se presta a profanar vidas de outros eus. Na rua, os cães ladravam, os carros passavam, mas eu, sempre eu à procura de traços, de algo decifrável, mas não entendível. Agora sim, essa já era eu.

Morreram os habitantes daquele lugar. Ficaram os registos de uma vida, ou de várias vidas esboçadas nas suas tristes paredes. Mas, encontrá-las nesse lugar vazio, é ir ao encontro de muitas outras que se encontram ainda, prontas para habitar estas paredes nuas, carentes de um quadro vivo, prestes a iniciar uma nova linhagem, que lhes pintasse o sol. Mesmo na escuridão nocturna, aquele espaço era a referência de algo que me sugestionou ficar. Sim, ficar na tentativa de captar a energia daquele lugar. Cartas, muitas cartas sem destinatário, livros muitos livros amarelecidos pelo tempo. Foram lidos e relidos penso eu, mas quem marcou página a página, daqueles livros, já não deixa marcas na poeira que cobre aquele chão. Se por acaso, me pesassem os pés, ficaria ali até ao dia seguinte, mas tive medo, muito medo de me perder naquele amontoado de sonhos ao abandono. Coisas, muitas coisas em desuso que de tanto uso, deixavam a nu algumas teias de aranha que vinham morrer nos meus braços. Havia pregos de aço nas paredes, que sustentavam ainda restos de vida, muita vida que ali se alimentou, ali se perpetuou naquele espaço vazio. Havia muita água em garrafas e garrafões ainda virgens, e eu com sede, tanta sede de beber daquela água, benzida pelo tempo, mas medo, muito medo do veneno que esse mesmo tempo lhe ofreceu. Se por momentos imaginasse que o sítio onde meus pés me levaram no momento seguinte, era habitado por gente, mas desabitado na pele dessa mesma gente, teria gritado por eles; venham, aqui há de tudo, e ainda mais para vos tocar a alma; há um jardim de ervas secas, mas foi só o verão que as queimou, há um tecto para gente sem casa, há letras impressas em livros e cartas de vidas que o destinatário rejeitou. Abandonem esses lugares inóspitos, onde a verdade se assume sem nenhum gosto especial.
(Gente sem terra, nem tecto, nem nada que os fizesse voltar àquela casa vazia, mas com tudo que se precisa para se recomeçar uma vida em todas as que ficaram. Sala, quartos WCs´, cozinha, jardim, móveis, loiça, banheira, lavatório e livros, muitos livros e ainda cartas sem destinatário. Também morreu?)












“Tanta casa sem gente e tanta gente sem casa”, li eu numa das paredes tatuadas de uma cidade que já não sabe se é governada por todos os desabitados, ou se pelos cofres fortes de quem vive, mas jaz morto na sofreguidão que suas vidas lhes ofereceu. Decifrar as marcas de um tempo, é tentar descobrir quantos soalhos ele reergueu. Os cães ladravam na noite, enquanto esperavam que a casa há tantos anos abandonada, fosse mais um lugar a ocupar. Só mais um, entre tantos os tectos que existem nesta cidade, desabitados por Deus.
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(fotos DM)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dimensões XI - Comunicar (Para luciusantonius)

Olá querido amigoAntes de mais, agradeço. Imensamente agradecida pela sua comunicação, que me entrou como ponto certeiro, num Domingo de sol, de praia e de mar. Uma missiva que veio de alguém com a imensa capacidade de doar-se até ao limite, sendo que, considero que não há limite para qualquer forma de dizer-se e ser-se, e doar-se quando a génese é, sempre lá esteve e nunca se esvai. Simplesmente É, um conjunto de várias formas moldadas a nosso jeito. Tal como o homem molda o barro com as mãos, os nossos sentidos moldam as formas, formando um conjunto de emoções que nos faz ir longe. Tal como o voo do condor, assim eu me sinto, levitando na sua sombra até ao limite que ele me impuser, mas sempre tentando criar mais e mais limites, até atingir um estado que não pode ser medido por qualquer ponto na altura. (Será sempre desajustada ao soalho esgaço onde danço, e me enlaço, e me refaço). Por isso deixo-o voar alto e vou até ao ponto, onde encontro o meu voo, aquele que me direccione em sentido inverso, ao encontro de uma atmosfera que me faça respirar de novo e dizer que quero, mas quero muito elevar-me à plenitude de todos os seres que comigo queiram respirar.

Há nessa sua vontade, uma vontade minha, um querer demasiado, um sentir que me leve para longe, estando perto. Foi sempre essa, uma força minha de me encontrar em palavras que me são familiares, que me digam - fica, para comigo dançares a melodia intrínseca ao nosso caminhar. Há nas pontas dos nossos dedos um toque sereno, para que ao levantarmos um dedo, os outros o sigam em silêncio. Melodias de um corpo pronto para dançar e se enlevar, através do toque, e também de tons vários em sintonia com o mundo que somos. Preparar os ouvidos para esse exercício, quando as melodias nos entram e as deixamos penetrar-nos, sentindo a força do mar, trazendo-nos ondulações em vários tons, cores e sabores, é deitar-nos na areia, dançar, e deixar o corpo seguir até passar a linha do horizonte. Um corpo deitado na areia a dançar: primeiro balançando as pernas e com os pés desenhando pautas de música na areia; segundo oscilando o tronco, desenhando melodias num espaço aberto a quem lhe quiser tocar; terceiro, levantar os braços e desenhar no céu, um conjunto de versos; de letras prontas para nos levantar, e por último, com os dedos pentear os cabelos e decifrar-lhes as cordas de uma guitarra, viola, bandolim ou violino, e com elas tocar, até que as ondas do mar, afinem as cordas vocais atingindo por fim, um estado emergente, que nos faça alcançar todos os tons. Mergulhar no mar e sentir que a água que nos molha o corpo, molda-nos também a alma, pronta para perceber, que quando o sol se for, as cores ficaram através de uma escala maior, que toca a par com as cores do arco iris, São sete, assim como sete os ciclos que nos fazem ir, sem parar para depois regressar.

Penso que agora sou eu que estou aqui a pensar, ao perceber que está aí alguém pronto para me dar o imenso prazer de o ver melhor, de o sentir através de uma comunicação mar adentro, para comigo dançar uma ondulação diferente, onde as palavras sejam as notas musicais para uma melodia, onde os sentidos estejam alerta. Fui ouvi-lo nos seus “Barqueiros de Volga” e vi-me consigo a duas vozes, se eu tivesse ainda voz para o alcançar e olhos para o poder visitar “sem entrar por meandros”. Irei tentar. Prometo estar atenta ao seu pensar, à sua forma de comunicar, que por sinal, veio na hora certa. Sempre que penso em ir-me para perto do mar, ouvi-lo nos seus profundos sinais, alguém me diz: Vai mas volta porque aqui há mais, muito mais para ouvires, sempre que te deites sobre as palavras e lhes dês formas, alterando-lhes as formas iniciais.

Um grande prazer a sua visita à que eu lhe digo – Bem Haja por estar aíLer mais:
Dolores Marques

sábado, 24 de julho de 2010

Dimensões XIX - Amizade


(Imagem google)


Os caminhos que se cruzam, deixam marcas que se querem perfeitas indo directas ao centro onde se encontra o fiel destinatário. Esse, será sempre merecedor de um registo mais ou menos próprio e de um timbre revelador, de que a mensagem chegou intacta ao seu destino, sem falhas nos dialectos utilizados. Se porventura eu me distrair, perante os movimentos que meus olhos dão, certo será, que todos os outros ficarão com a cara no chão e os olhares que se movimentam numa única rotação, serão sempre, e para sempre, revelados pela força que as palavras lhe dão. Vou aqui deixar um pequeno registo de como te sinto, que por certo, não será como te vês, meu amigo, mas mesmo assim arrisco… Se me aprouver fazer uma mera identificação, ficarei por isso mesmo, mas por agora são as tuas palavras, que me dão o teor necessário para que te sinta nas tuas palavras, sendo estas, uma realidade que me prende à leitura de ti e ao mesmo tempo, á sempre satisfação ao estar aqui junto a elas. Elas são o que de ti recebo e isso é um bem. Assim sendo, tu o serás também, e, quem assim escreve, só poderá ser alguém que muito foi, é e pretende ser na vida que lhe resta, e isso nunca poderá ser um acto solitário, porque a solidão só é, quando já nada temos para dar. Sempre que me escreveres, tentarei da maneira que sei, responder. Poderás tu nem entender porque o faço, assim como poderei eu, não entender porque tu o fazes, mas o certo é que isso nos dá prazer e são sempre estes momentos de prazer que fazem de nós, seres viventes na “terra de ninguém”.

A minha escrita, não a creio muito dada e simetrias e/ou categorias. Considero até, que nada tem de especial, a não ser o que lhe empresto/dou de mim, Como vês amigo, recebemos na medida proporcional ao que damos , e isso fez-me lembrar um tema… Interessantes os temas que abordas, deixando a nu muito de nós e do que nos toca. Gosto deveras disso, e será sempre a minha visão sobre a tua pessoa; alguém que tem muito para dar a quem quiser receber. Eu deste lado te digo, que é meu interesse receber, mas quando entenderes tu daí, que o que recebes já não proporcional ao que dás, não te inibas de seguir o teu caminho. Já deu para entender que em matéria de bem direccionar as palavras tu és mestre.

Obviamente, que tento sempre manter um contacto mais estreito com as pessoas que me estão mais próximas. Penso que somos um pouco parecidos, em alguns pontos que referiste. Sobre o amor, senti-me bem confortável nas tuas palavras, talvez por me rever em tempos idos e não tidos, e por me sentir bem no meu papel de mulher, aquele que desempenhei ao longo do tempo com todos os seus reveses e que tiveram alterações muito significativas, fruto da minha segurança enquanto procura absorvente para mudar. Mas, agora quando o tema surge em conversa, eu já não tenho pachorra para ouvir frases feitas e definições mais que gastas que só servem para banalizar cada vez mais, esse sentimento que nos move, e pergunto: “Mas afinal o que é isso do Amor?” Mas gosto de sentir que Amo, que me apaixono, só isso me faz sentir a desejada alegria e acordar sempre com um novo sorriso para a luz do dia.

De uma mulher, para um Homem amigo

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dimensões VIII - Paixão






Vazio, sim vazio, este lugar na noite. Há um espaço fechado, no vazio da minha alma.
Esta voz que me fala de um abismo, onde repousam todos os corpos famintos de vida. Esta chama que me incendeia por dentro, que me diz de um momento em que o meu corpo é sopro no teu corpo; e tu não sentes, e tu não ouves, e tu és nada neste sonho meu, e não vês o caminhar pela noite dentro, ao encontro dos dias que em ti nascem perfeitos, enigmáticos, prostrados no parapeito da minha janela. Oiço-te a respiração, terna, ofegante, encontros na noite, em que as palavras, falham, em que os gestos são mudos, por falta de um olhar que toque a força das marés nocturnas.

Apetece descarnar este fio imenso, esta comunicação distante que me faz perder o Norte por tão completa ser em dias certeiros, em noites dianteiras que antecedem a madrugada.

Apetece lembrar-me quem sou e porque me tomas por dentro, o epicentro de uma paixão que é tudo o que pretendo viver aqui neste lugar ermo. Que me traga um rio de águas, mansas, e me diga de um cerro a terminar a montanha, onde crescem flores silvestres, tojos, sargaços, e giestas. A pútigas, são já frutos maduros nos sulcos, suco agreste a escorrer pelos meus dedos.

Preciso de ti na força dos quatro elementos e quero-te a entrar e mim, devagar, silencioso. Quero que o meu corpo seja o sol, que os meus olhos sejam a lua e que os meus braços sejam o mundo que te abraça na noite cálida que me ofereces. Mas, traz-me a força do mar, transforma-te em remoinhos no meu corpo - este céu que te acomoda nos propósitos de uma paixão, que é, e sempre foi, só por ti, AMOR.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dimensões VII - Fuga

(Imagem google)
*
Lá onde o mar é azul, e as ondas são verdes

E porque a vida me toma de assalto
Eu fujo
E entrego-me à solidão dos tempos
Num tempo meu
E encontro-me

Lá onde o mar é azul
E as ondas são verdes
Lá onde tudo morre
Aos meus olhos cor de prata
Lá, onde a dor é mais leve
E os sons mais nítidos
Ao cair da noite

E porque me quero ausente da terra
Faço do céu um novo caminho
Onde o azul é forte
E as estrelas meu norte
E minha sorte
E o sol me diz de mim
Quando ainda era uma criança
E em teu colo chorava
A dor da partida

E porque a minha ausência
Me traça um novo destino
Eu vou a par do teu fogo
E caminho contigo
Até ao fim do mundo
Deste mundo
Que eu tomo para nós
Num corpo são
E desesperadamente
Belo…o seu rumo

Trago-te um tempo de abraços
Uma cesta de beijos
Um regaço ajustado a nós
E não me quero ir daqui
Sem me rir contigo

Quero um corpo onde me deitar
Uns olhos onde me afogar
Uma esteira onde me encostar
Quando daqui me ausentar
Mas tenho medo da fuga
De me ir sem te encontrar

Quero fugir
Mas não sem antes me desocupar
Da desgraça que ocupo
Não sem antes me consentir
Não sem antes me desmentir
Não sem antes me despedir
Daquilo que sou
Da minha realidade
Quase, quase inacabada
No ar que respiro

Não sem antes me encontrar
Verdade na tua verdade
E acabar recomeçando
Por ti…Amor
Só por ti
E que a tua força
Me tome esta minha vontade
De fugir, fugir
Lá onde o mar é azul
E as ondas são verdes