quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sublimação II




.(...)Estamos em pleno Séc XXX e as máquinas são a força dominadora do planeta. Há-as de todos os tipos, para os mais variados serviços. Existem até grupos da máfia que as utilizam para continuarem a sua saga, manipulando os mais fracos, roubando, assassinando, construindo assim uma força poderosa pronta para dominar o mundo. Muitos, vivem na mais castradora miséria humana. A fome alastra, os rostos são a desolação prestes a acabar com a sua própria vida. Os outros, uma classe à parte como apartados são os lugares onde vivem. Construíram-se naves que povoam a cidade, de onde se pode ver o brilho que emanam salientando assim a forma escura da cidade. Uma cidade em cima de outra cidade, um sub-mundo que aguarda pela sagração das águas que purificarão tudo. A separação do trigo do joio foi iniciada e uma nova calamidade está prestes a chegar.


O homem luta para conseguir entender o que se passa. Sempre lutou contra a discriminação, a desigualdade social, apoiava instituições de proteção às crianças que tinham ficado órfãs de pai e mãe; uns porque se mataram, outros porque os mataram, outros ainda porque desapareceram sem deixar rastro. Andavam pelas ruas da cidade procurando estas crianças abandonadas e sujeitas aos mais variados perigos. Levava-as, alimentava-as e dava-lhes da forma como podia alguma esperança de vida. Sabia que era difícil e que os tempos atuais, não davam tréguas. O mundo tinha mudado. Tudo era escuro e triste. As empresas cada vez mais se distanciavam do mundo das pessoas, e serviam só para enriquecer uns e deixar na miséria, outros. As máquinas eram a sua mais valiosa mão-de-obra, eficientes e disponíveis para trabalhar horas a fio. A riqueza dominava, mas só alguns tinham esse poder nas mãos. Os céus traziam a desolação ao mundo. Era tudo menos pacífico. Aquele azul que servia de teto ao mundo era agora uma fogueira a arder. Delimitavam-se os espaços mas a Concórdia Negra era uma afronta, sempre pronta para atacar. O objetivo era aniquilar tudo o que não se coadunasse com o que definiram como sendo a raça do futuro. A próxima raça do Universo. Já Hitler o tinha tentado, mas sem o conseguir, deixou sucessores que seguiram com a sua ideia desenvolvendo-a. Era chegado então o momento de estabelecer metas, como sendo uma forma de trazerem mais vontades ao mundo dos mortos do que ao mundo dos vivos(...)

(Sublimação - Dolores Marques)


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