segunda-feira, 26 de julho de 2010

De luciusantónius

Querida amiga

A ti a quem não conheço mas com quem sinto necessidade de comunicar neste momento, decerto porque conheço já alguma coisa, talvez bastante coisa da pessoa que és e que tenho colhido em escritos teus só por si, as considerações de que tenho sido testemunha, falam-me de uma mulher que não está distraída nos passos que dá, no mundo em que vive, naquilo que os seus ouvidos ouvem mas, ouso dizê-lo, daquilo que os teus olhos vêm. Mas bem mais do que isso, naquilo que a tua mente pensa, nos limites aonde ela chega.A tua carta foi um desafio, que não considero comum. Comum seria uma abordagem sobre o Mourinho ou o Cristiano Ronaldo. Dá a impressão de que eu percebo de futebol, aliás não é proibido perceber-se, mas o pouco que eu percebi há muito tempo, foi-se desvanecendo. Daí me é estimulante falar com alguém de quem me sinto tentado a ser amigo sem entrar naqueles meandros. Estou a achar imensa graça e ao mesmo tempo a sentir seriedade e importância a esta tentativa, única para mim, de abordagem. Gostaria de como condor, elevar-me a altos voos, às latitudes que são as tuas. Esse complexo quase me inibiu de responder à tua carta mas, repensando, considerei que não era fundamental. Podemos ser sofríveis na nossa capacidade de comunicar e no entanto existir um lampejo de inteligência que justifica a comunicação. Devo dizer-te que gosto das palavras e das esculturas que com elas se fazem mas, se me fosse exigida a opção, eu poria em primeiro lugar a música e, já agora, a titulo de sugestão, uma peça que transporto desde a minha adolescência, quando fazia parte de um Orfeão. Refiro-me aos «Barqueiros do Volga» seria interessante que tivesses a interpretação que eu possuo. Mas eu estou a adiantar-me. Quem pode falar de preferências em música, sugerir melodia? É um mundo tão subjectivo! Mas afinal estimada amiga há tanto para dizer, tanto sobre que divagar. Neste instante sinto vir ao de cima de novo o complexo do plano em que decorrem as minhas considerações, tão modesto em confronto com o teu. Para terminar e porque é importante quero dizer-te que a amizade considero-a algo sem preço e que tenho a felicidade de amar. Acho que abusei da tua paciência e certamente fui rasteiro nos meus considerandos. Mas esta vida reclama de nós alguma ousadia e foi essa que consegui arrebanhar de mim no momento em que decidi escrever-te. Aceita a amizade deste estranho mas que tem razões para te apreciar.

(De um homem, para uma Mulher amiga
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=143206

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